entre.linhas

Entrelaçando as linhas do texto que nos (re)veste.

Rita Manzano

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas

Ressocialização Poética

A Olimpíada de Língua Portuguesa 2014 teve como vencedor - na categoria poemas – um jovem interno da Fundação Casa. A Olimpíada é promovida pelo Ministério da Educação e pela Fundação Itaú Social e reúne vários alunos de escolas públicas de todo o país.


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Vida em Transição

Viver na Fundação não é bom

Bom é ser livre em toda situação

Mas tenho minha opinião

Sobre esse período de transição

Que muitos dizem ser prisão.

Nesse lugar, maldade...

Que ao mesmo tempo é saudade

Por estar privado de liberdade

Mas tem um lado positivo

Nessa realidade

Estou me reabilitando para a sociedade.

Acordo e vejo grades

Meu peito dói de verdade

Só quem passou

Por isso sabe

De todas as realidades

E crueldades...

A maior necessidade

É a Liberdade!

Aqui lições de vida transmitem

Muitas coisas boas

Reconhecimento como pessoa

Que errar é humano

Mas aprender é a melhor coisa.

Atrás desses momentos tem algo impressionante

Hoje me tornei um estudante

Descobri que sou inteligente

Produzi este poema e me sinto importante.

Olimpíada de Língua Portuguesa - Fundação Casa (2).jpg

A quarta edição da Olimpíada de Língua Portuguesa – evento que ocorre a cada dois anos - teve como tema O Lugar Onde Vivo e pode proporcionar aos estudantes participantes uma reflexão sobre o lugar onde vivem e as realidades que os cercam. Foram escolhidos , inicialmente, alguns trabalhos de quatro categorias - memória literária, artigo de opinião , crônica e poema -; desses, os finalistas. E entre os poemas, a literatura de um jovem de 17 anos da Fundação Casa foi a escolhida.

A alma não foi pequena e valeu. Tudo vale quando há incentivo e confiança de que as coisas podem mudar. Muito se fala dos conflitos que há na Fundação Casa; muito se fala dos aspectos negativos dos internos;no entanto, pouco se fala do que há de bom. Lá existem profissionais que desenvolvem belíssimos trabalhos; existem meninos e meninas que são verdadeiramente ressocializados, basta que haja sintonia entre os objetivos propostos pelas partes envolvidas.

A professora Maria da Penha - que trabalha há 12 anos na Fundação Casa pela rede pública do Estado de São Paulo - percebeu que o jovem tinha um algo a mais com as palavras e lançou um desafio a ele: participar da Olimpíada. Uma vez aceito, ela trabalhou com o interno - que cursa o 6º ano do ensino fundamental - as técnicas para a elaboração de textos em versos atreladas à vida na Fundação Casa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, responsável por adolescentes em condições de medidas socioeducativas de privação de liberdade e de semiliberdade.

Terminar o ensino básico e entrar numa faculdade de farmácia serão as próximas conquistas do jovem poeta.

Que sorte e versos forrem os caminhos desse adolescente.


Rita Manzano

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas .
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