Giovana Damaceno

Jornalista e cronista. Produtora de conteúdo digital do UniFOA. Autora de "Mania de Escrever" e de "Depois da chuva, o recomeço". Membro da Academia Volta-redondense de Letras.

Cronículo

Apresento-me, digo quem sou, a que vim, a quem e por que escrevo.


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(Ao remoer meus registros a procura de algo que me apresentasse neste espaço, lembrei-me de um texto que se aplica muito bem à ocasião, embora não seja inédito.)

A primeira ideia que vem à cabeça ao entrar para uma equipe de colunistas é fazer-se conhecer. Mas não por um currículo formal, aquele em que dizemos o que fomos, somos e o que fazemos em um espaço limitado. Por isso, pensei em algo que chamaria de “Cronículo”, pelo qual os leitores pudessem saber a que vim. Algo do tipo:

Sou Giovana. Poderia ter sido Débora ou Andréa, pela vontade da minha mãe. Ou, se fosse menino, Marconi, pelo desejo do meu irmão, Marco. Ainda bem que nasci menina e quem decidiu como me chamar foi meu pai. Adoro meu nome.

Nasci em 1968. Aquele ano que nunca terminou. Cheguei ao mundo logo após o famigerado AI-5, que detonou de vez com a parca liberdade brasileira, limitada desde 1964 pela Ditadura Militar. Dizem que quem nasceu no Brasil em 68, carrega a energia da eterna luta pela liberdade. Sou assim.

Cresci numa família que viveu à margem dos interesses políticos dos cidadãos. Fosse qual fosse o general no poder absoluto, se desse pra sobreviver e dar de comer aos filhos, estava bem. Mesmo depois do fim da Ditadura, na primeira eleição direta a que o povo brasileiro teve direito, minha família manteve a distorção de valor. Todos votaram no Collor. E eu, nos candidatos da esquerda.

Tive infância. Cresci num quintal de terra enorme, com muitas árvores frutíferas, horta, galinheiro e cachorro. Tinha também um grande poço, com uma tampa de pedra bem pesada, e eu brincava em cima dele. Passava meus dias de calor apenas de calcinha e tomava banho no tanque. Tive minhas bonecas e um mobiliário inteiro feito com caixas de fósforos. Mas gostava também das bolinhas de gude. Fui e sou moleca.

Fui precoce no amor. Apaixonei-me pela primeira vez aos 12 anos. Ele era Antônio Carlos, mas o chamávamos Barão. O vi pela primeira vez num show de música na escola. Convidado especial, se apresentou durante uma hora cantando um repertório só de Beatles para uma plateia feminina extasiada. Ele também se apaixonou por mim. E vivi meu primeiro namoro. Minhas primeiras descobertas. Casei-me e separei-me aos 19 anos. Com outro. De outro nome. Casei de novo, tive meu único filho, separei. Casei de novo. Sou feliz.

Estudei. Ganhei formação. As escritas me atraíram, ao passo que o interesse pelo coletivo enchia minha alma de ânsia por fazer algo em favor de. Uso a caneta e as teclas para reportar aos outros aquilo que sei, que apuro, que ouço e compreendo. Divulgo o que é do bem e para o bem. Defendo a justiça social, a educação, a decência política. Jornalista eu sou.

Escrevo por paixão. Escrevo por necessidade. Despejo em palavras traçadas o que a mente registra, mas que precisa deitar fora. O cotidiano é minha inspiração. Observo pessoas, fatos, situações, comportamentos individuais e coletivos. O dia a dia me encanta, mesmo que se repita. Deleito-me em dar humor às tragédias e dramatizar o que tem graça. Rio de mim mesma e do que crio para que você leia. Sou cronista.


Giovana Damaceno

Jornalista e cronista. Produtora de conteúdo digital do UniFOA. Autora de "Mania de Escrever" e de "Depois da chuva, o recomeço". Membro da Academia Volta-redondense de Letras..
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