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@gotardi

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Indie Game, O Filme

Documentário de 2012 conta as dificuldades enfrentadas por produtores independentes - e sem dinheiro - de jogos eletrônicos em uma indústria cada vez mais milionária.


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Assisti com um injustificável atraso - o filme tem mais de um ano – a essa obra bacana que é o Indie Game – The Movie.

Não que precise explicar – o título entrega bem qual a proposta do documentário – mas sim, ele conta a história de produtores independentes de jogos, esses corajosos outsiders que não tem como sonho produzir games com salários pagos pela Electronic Arts, Microsoft e afins.

São underdogs - esse conceito nunca traduzido decentemente – em uma indústria que hoje é vista como a salvação, que movimenta mais que o cinema, que vende mais que literatura, que lucra mais que música, que...(insira aqui seu clichê).

(E, dada a minha predileção pelo Android – lá no passado – ou pelo OUYA – prá ficarmos no tema – é bem fácil ver que os underdogs sempre contam com um lugar especial na minha consideração. Ainda que depois se agigantem.)

Os mais de 90 minutos de Indie Game – bancado via Kickstarter – acompanham os criadores de três jogos: Braid - já lançado na época e considerado um sucesso -, Super Meat Boy – prestes a ser trazido ao mundo pelas mãos gigantes da Microsoft – e Fez – uma enorme promessa que vai sendo adiada por anos, correndo o risco de cair na desgraça de ser considerado mais um vaporware.

Batalhas jurídicas, falta de dinheiro, inabilidades monstruosas para o convívio social e cortes de barba estranhos servem de pano de fundo para o que realmente importa na obra: contar a história de quem leva ao extremo a vontade de fazer algo único, caprichado, que saí da cabeça dos criadores e não de dezenas de focus groups e análises estatísticas que garantam seu sucesso de vendas.

E desses mais de 90 minutos, apenas os primeiros 15 ou 20 já são mais do que suficientes prá levar nós, da geração 78/80/84 mais ou menos – de volta a nossa infância, com nossos próprios jogos e nos fazer enxergar um pouco dessa nossa criança na determinação (realmente quase infantil) desses criadores que estão, em resumo, criando algo que brinque com a criança interior que eles não deixaram morrer tão fácil.

Se por um lado o documentário vai por caminhos que tentam nos fazer ver esses artistas como gênios da programação e do design, artistas incompreendidos, mentes inquietas muito a frente do nosso tempo (nota-se que é, sim, um filme sobre games, feito por gamers, para gamers), em vários momentos - se sua cabeça também fizer essas comparações - o processo criativo, a busca ou não por aprovação e a simples necessidade de ganhar dinheiro para sobreviver guardam, de fato, paralelos com processos criativos no cinema, nas artes plásticas, na música

Criados à partir de interpretações pessoais de cada um desses game designers, os três jogos – não sei se era essa a intenção – escancaram certa predileção pelo joguinho (diminutivo afetivo e não por sua importância), aquele software que não precisa de uma rede mundial de jogadores para ter graça, não requer direção, pistola, tapetes ou algo similar.

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E sejamos sinceros - ou apenas olhemos esse negócio todo pelo meu ponto de vista: Essas três personagens acima, para quem cresceu com o poder gráfico de um Master System , um Super Nintendo ou um N64 falam muito mais àquela criança que vive dentro da sua cabeça do que determinados hiper-realismos gráficos em tiroteios, ações de guerrilha urbana com carros ou algo do gênero.

O documentário venceu a categoria Edição do Sundance, participou do SxSW e está na lista de recomendados de todas aquelas publicações bacanas que você conhece: NY Times, RollingStone, Wired, NME, Paste... E se isso tudo despertar seu interesse, o trailer está aqui e o filme pode ser comprado em DVD ou Bluray e até assistido online, de forma legal e acessível aqui.

Assista. E vida longa aos underdogs.


@gotardi

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