entretido

doses homeopáticas de observações pop

@gotardi

não existem razões para causar problemas desnecessários.
mas tenha a certeza de causar problemas sempre que forem necessários.

O mundo, a cultura, as pessoas e os franceses

Religião, educação, política: tudo serve para destacar a importância da cultura como a melhor - talvez única - forma de salvar o mundo.


Cultura

Como é que essa coisa que é tão fundamental e, seguidamente, tão mal trada como a cultura pode ajudar a salvar essa coisa que é tão fundamental e, seguidamente, tão mal trada que é o nosso mundo?

(Frase longa, não?)

Talvez seja o fato de tentar responder uma questão tão “simples” como essa que, no final das contas, deixe A cultura-mundo: Resposta a uma sociedade desorientada um pouco (quem sabe?) desorientado?

(Okey, talvez desorientado não seja o melhor termo; os autores tem sim uma “orientação” geral nas ideias que apresentam… meio afobados, meio atropelados talvez.)

Então quem sabe a ideia de abraçar algo tão gigantesco como a cultura em umas poucas duzentas páginas é que deixe a coisa toda um pouco estranha.

Independente do que quer que possa ter entrado no caminho dos autores, nenhuma digressão, insistência temática ou repetição invalida a obra; escrito com um fôlego compatível com a voracidade e interesse de quem não é estudioso do assunto ou está apenas começando no tema, o que o livro apresenta em forma de questões prá sua cabeça é mais do que bem vindo.

Ainda que, com texto original de 2008 (e tradução de 2011) algumas passagens pareçam um tanto distantes e datadas – Second Life, no caso da “datação” mais gritante – o tempo é pequeno o suficiente para não deixar o material inutilizado; ainda assim, como trata muito de tecnologia como meio da transmissão e da resolução de muitos dos problemas da tal cultura-mundo, é prá ler e ir atualizando mentalmente muito do que está escrito.

Indo de uma conceituação básica do que seria a cultura-mundo para chegar a nosso momento de embasbacamento com o excesso informações, passando pela incapacidade de absorver todos os dados e o desespero que isso pode gerar – o tal FOMO -, passando pelos excessos de tecnologia, de consumismo, de de individualidade e quetais, indo para sugestões políticas, comportamentais e organizacionais não é nenhum exagero dizer – resumidamente – que: é coisa prá diabo prá eles relatarem e para o público absorver.

(Lógico que uma pretensa resenha de um livro que já um micro resumo de algo tão enorme não poderia ser exatamente concisa, precisa ou muito útil; ao menos não quando é produzida por este que vos escreve.)

Religiosidade, políticas comerciais e culturais, educação… Tudo tem lá suas páginas na obra; a educação, inclusive, é onde se percebe – lá no fim do livro – a excessiva geolocalização francesa da obra; por mais que certas observações, conceitos e sugestões sempre seja adaptáveis, é perceptível que a visão é de educadores franceses que trabalham no sistema escolar francês e tiram dele os problemas e as sugestões.

Mas também, esse não é um livro para educação e educadores mundo afora; não é o foco dos autores criar um manual mundial para professores.

Bem colocado como exemplar na categoria complicar-não-explicar, o melhor lado do livro – como devia ser com todo bom livro e com todo bom mestre – é te passar uma belíssima sequencia de encrencas planetárias e sugerir recursos para seu pensamento solucionar os problemas.

Melhor assim.

Verdades definitivas, soluções pré-fabricadas, mágicas pré-moldadas e afins não ajudam em nada além de conseguir manter o cérebro lá, intacto e preguiçoso esperando que os outros pensem por você.

Vale. Leia.

(Mas quem sou eu prá te falar o que ler né? Isso aí! Gostei de ver…)

E curiosidades suas a respeito do livro – ao menos até a página 37 – podem ser remediadas com esse tira-gosto do livro que a Cia. das Letras deixa no site.


@gotardi

não existem razões para causar problemas desnecessários. mas tenha a certeza de causar problemas sempre que forem necessários..
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