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O som do The Sound

Banda cult do post punk britânico, o The Sound nunca atingiu o estrelato mas marcou o movimento e, em menos de dez anos, criou uma obra que é relembrada até hoje pelos fãs de Adrian Borland.


The Sound

Como acontece frequentemente na música, a história do The Sound começa com outra banda: The Outsiders, grupo punk de Wimbledon em que Adrian Borland - vocalista, guitarrista e letrista - se apresentou nos palcos entre os anos de 1976 e 79.

Com dois discos lançados pela Raw Edge (selo que pertencia aos pais de Borland), a banda não conseguiu atrair boas críticas ou chamar a atenção; nessa época, disputar público e espaço nas revistas fazendo punk rock significava enfrentar The Clash, 999, The Adicts e, claro, os Sex Pistols - e tudo isso apenas na Inglaterra.

Sem conseguir estourar com o Outsiders, a banda se desfez - ainda que a NME considerasse que eles tivessem futuro - e Borland e o baixista Graham Bailey se juntaram a Mike Dudley e Benita Marshall no que seria o The Sound.

Que tal uma playlist do The Sound para ler o texto e conhecer o som da banda?

Em sua nova banda, Borland se afasta do som punk e traz elementos que não estavam presentes no movimento, como ambientação sonora, variações complexas, elementos eletrônicos, tensão, quebras no ritmo e no andamento das faixas; essa combinação, que trazia ainda influências do krautrock e do rock alternativo, ficou conhecida - adequadamente - como post punk.

E não era apenas o The Sound que estava interessado nessa nova sonoridade: nesta época, outras bandas inglesas como Magazine, Gang of Four, Killing Joke, The Cure, Bauhaus e o maior nome do movimento - o Joy Division - também estavam dando seus primeiros passos no post punk.

E é neste ponto que se percebe uma diferença da banda de Borland & companhia: Enquanto um ouvinte de gosto mediano do rock conhece uma parte ou todas essas outras bandas, a história não se repete com o The Sound, que viveu como banda queridinha de jornalistas e cultuada por alguns, mas que nunca estourou.

Em quase uma década de atividade, a banda lançou cinco discos de estúdio, dez singles e mais alguns EPs e discos ao vivo e, após a passagem por algumas gravadoras, se separou entre 1987 e 88 devido a problemas com a saúde de Borland, que sofria de Transtorno de Personalidade Esquizóide.

A curta duração da banda talvez tenha influenciado em sua entrada no altar cult do rock mas, ao mesmo tempo, impediu que muito mais pessoas tivessem contato com suas obras, que misturavam a voz característica de Borland - que não combinava tanto com as vozes mais graves do post punk - com utilizações e interpretações particulares dos elementos clássicos do movimento, em especial o baixo bastante marcado e o teclado menos escondido nas camadas de som.

Adrian Borland ainda teve uma carreira pós-The Sound produtiva, lançando cinco discos solo e mais dois discos com o projeto White Rose Transmission ao lado de Carlo van Putten, em que contaram com participações de Mark Burgess, do Chameleons, e de Amanda Palmer, do Dresden Dolls entre outros; mas, aos 41 anos, vítima da piora do seu estado de saúde por conta da TPE e por conta do abuso no consumo de álcool, acabou cometendo suicídio, algo que já havia tentado anteriormente.

Para celebrar o legado de Borland - e também apresentar seu trabalho a quem ainda não conhece - estava acontecendo um crowdfunding pela rede; ao que parece não arrecadou o necessário mas eu espero - do fundo do meu coração post punk - que esse filme saia.

E não posso perder a chance e pedir: Ouça The Sound.


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