esconderijo

Quando tudo é matéria e é sombra

Margarete MS

Eu tenho um coração um século atrasado.

H.A.R.R.Y. and The Addict

Uma das primeiras bandas brasileiras a diferenciar-se pelo estilo "Rock Noise".


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H.A.R.R.Y. and The Addict

Criada em 1985, na cidade de Santos/SP, a banda Harry era formada por Johnny Hansen nos vocais e na guitarra, Cesar Di Giacomo na bateria e Richard Johnsson no baixo.

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Harry

O primeiro trabalho gravado pela banda foi o EP "Caos", em 1986.

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Caos - Adeptos - Blood & Shame - Caos (Demo)

Em 1988 foi lançado o "Fairy Tales", com um som mais eletrônico.

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Sky Will Be Grey - Genebra - Joseph In The Mirror - Lycanthropia - The Beast Inside - Soldiers - The Last Birthday - Silent Telephone - Death

Em 1990 foi a vez de "Vessels' Town".

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Seaweed On A Rocky Shore - Saviour - Stories - Vessel's Town - Stephanie Jenssen - Question To A Good Man - Zombies - Morbid - Franco By The Wall - Warning - Wake Up - Bronco Brain - Emotional Spasms - Watching The Watchmen

A coletânea "Chemical Archives" foi lançada em 1994, com músicas dos dois primeiros discos da banda e algumas composições inéditas.

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Saint Peters - Vessels' Town - Seaweed on a Rocky Shore - Saviour - Jetlegged - The Beast Inside - Zombies - Wake Up - Genebra - Blood & Shame - Morbid - Sexorama - Phoenix - Fairy Tales - You Have Gone Wrong - Emotional Spasms - Sky Will Be Grey

Os primeiros integrantes voltaram a tocar juntos vinte anos depois e em 2005 lançaram o "Taxidermy - Boxing Harry" com versões remasterizadas e faixas extras de "Fairy Tales" e "Vessels' Town", além de um CD com raridades, remixes e algumas composições inéditas.

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Em conversa com o "Esconderijo" Johnny Hansen, que é uma das maiores figuras do rock santista, fala um pouco sobre a trajetória da banda, influências e a nova formação:

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Johnny Hansen

Esconderijo: Como vocês se conheceram?

Johnny Hansen: O núcleo sempre foi em volta de mim e do Johnsson. Eu sempre gostei de definir o som do Harry, como as músicas do Johnsson, com as minhas ideias em cima, e isso vale ainda hoje, já que grande parte do material ainda é dele, embora eu também componha. De qualquer forma, eu sempre fui uma espécie de catalisador na banda, quase todos os membros não se conheciam e era eu quem os apresentava uns aos outros. O Johnsson, eu conheci no colégio, ele estudou apenas um ano comigo, mas aí eu descobri que ele morava perto de casa e a gente manteve contato.

Esconderijo: Como a banda foi criada?

Johnny Hansen: Houveram muitas bandas antes do Harry. A maioria centrada em mim e no Johnsson: The Yardrats, TTF, Jean Cocteau, Self Destructor, Atmosphere. Adotamos o nome Harry and the Addicts em 1985. Na época éramos apenas um trio: eu, Johnsson e Cesar. Eu já estava interessado em som
eletrônico, mas ninguém tinha synths (instrumento eletrônico que produz uma grande variedade de sons) ainda. Como eu já vinha fazendo experiências com drogas, comecei a tentar reproduzir os sons que eu ouvia na minha cabeça colocando muito eco na guitarra e na voz. Como a repetição dos pedais de eco (delay) é exata, o som soava eletrônico.

Esconderijo: Qual é o tipo de som que vocês fazem?

Johnny Hansen: Acho que no início não tínhamos limites. Inclusive numa resenha de nossa coletânea: Chemical Archives um jornalista disse que não gostou porque cada faixa parecia uma banda diferente. Eu concordo com ele, mas não vejo isso como algo negativo. Você poderia dizer a mesma coisa sobre um disco dos Beatles ou do Queen. Fomos uma das primeiras bandas a fazer o mix entre rock e eletrônicos, mas os synths e drum machines foram ocupando cada vez mais espaço. Na formação atual, o leque se estreitou mais para o synth pop e darkwave, mas ao vivo, pelo menos, ainda temos guitarras bem pesadas.

Esconderijo: Vocês foram influenciados por quais artistas?

Johnny Hansen: Eu odiava disco music (com exceção do Giorgio Moroder, mas não enxerguei nele a conexão que eu enxergaria anos depois), estava mergulhado no punk rock, que foi a base dos nossos grupos anteriores. Mas como eu sempre toquei guitarra mais ou menos bem, eu enchia de solos, o que já dava um diferencial com as bandas punk tradicionais (talvez tenhamos sido os primeiros a fazer crossover), mas um dia ouvi um grupo australiano chamado Mi Sex, fazendo uma música chamada Computer Games e tinha uma veia punk, mas com uma base eletrônica, fiquei chapado com aquilo e também com o emergente technopop (o nome antigo do synthpop) do início dos anos 80. Como o New Order foi a banda mais famosa por aqui, sempre fomos comparados a eles, mas eu duvido que alguém me aponte uma única musica nossa que desse para confundir com algo deles, como faziam com o Kon Kan. Éramos mais influenciados até pelo Joy Division e por uma banda de São Francisco chamada Chrome, que estava anos a frente de qualquer
coisa já feita, mas filtramos essas influências o bastante para não nos parecermos com nenhum deles.

Esconderijo: Em algum momento houve mudança no tipo de som que vocês faziam?

Johnny Hansen: Eu não diria mudança, já que o nosso som sempre foi bastante abrangente, passeando entre o post punk, EBM e synth pop, mas o Vessel´s Town foi um álbum mais eletrônico em com menos guitarras.

Esconderijo: O término da banda

Johnny Hansen: Não sei pq nunca falaram sobre o término dos Sisters of Mercy, mesmo fazendo quase 20 anos que não lançam nada (risos). O Harry nunca terminou, teve apenas períodos de relativa inatividade. Houve uma separação geográfica quando eu fui morar no Ceará, o Johnsson no interior de São Paulo e o Verta no Rio de Janeiro. Em Fortaleza eu remontei a banda com o Paulo Eduardo e gravamos uma faixa do tributo ao New Order e tocamos no Eletrone (Recife) junto com Biopsy, Loop B, Self + Inhumanoids, Modem e Irmandade. Depois voltei para São Paulo para o lançamento do box e retomamos a formação original até 2009, embora tenhamos feito shows apenas até o final de 2006.

Esconderijo: A nova formação

Johnny Hansen: A nova formação, agora chamada: H.A.R.R.Y. and The Addict, é formada por mim e pelo Ricardo Santos (Downward Path). Eu participei com ele na gravação da versão em inglês de Caos (Liar) para o nosso tributo, e na mesma tarde, já saíram 3 músicas a mais. Considerando a inércia dos outros membros, cujas obrigações profissionais não permitiam que se dedicassem à banda, resolvi recomeçar de novo. Já temos várias gravações novas disponíveis na internet mas nenhum lançamento oficial ainda.

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H.A.R.R.Y. and The Addict

Fontes e contatos:
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10


Margarete MS

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