esconderijo

Quando tudo é matéria e é sombra

H.A.R.R.Y. and The Addict

em música por em 26 de set de 2012 às 20:29 | 8 comentários

Uma das primeiras bandas brasileiras a diferenciar-se pelo estilo "Rock Noise".

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H.A.R.R.Y. and The Addict

Criada em 1985, na cidade de Santos/SP, a banda Harry era formada por Johnny Hansen nos vocais e na guitarra, Cesar Di Giacomo na bateria e Richard Johnsson no baixo.

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Harry

O primeiro trabalho gravado pela banda foi o EP "Caos", em 1986.

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Caos - Adeptos - Blood & Shame - Caos (Demo)

Em 1988 foi lançado o "Fairy Tales", com um som mais eletrônico.

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Sky Will Be Grey - Genebra - Joseph In The Mirror - Lycanthropia - The Beast Inside - Soldiers - The Last Birthday - Silent Telephone - Death

Em 1990 foi a vez de "Vessels' Town".

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Seaweed On A Rocky Shore - Saviour - Stories - Vessel's Town - Stephanie Jenssen - Question To A Good Man - Zombies - Morbid - Franco By The Wall - Warning - Wake Up - Bronco Brain - Emotional Spasms - Watching The Watchmen

A coletânea "Chemical Archives" foi lançada em 1994, com músicas dos dois primeiros discos da banda e algumas composições inéditas.

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Saint Peters - Vessels' Town - Seaweed on a Rocky Shore - Saviour - Jetlegged - The Beast Inside - Zombies - Wake Up - Genebra - Blood & Shame - Morbid - Sexorama - Phoenix - Fairy Tales - You Have Gone Wrong - Emotional Spasms - Sky Will Be Grey

Os primeiros integrantes voltaram a tocar juntos vinte anos depois e em 2005 lançaram o "Taxidermy - Boxing Harry" com versões remasterizadas e faixas extras de "Fairy Tales" e "Vessels' Town", além de um CD com raridades, remixes e algumas composições inéditas.

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Em conversa com o "Esconderijo" Johnny Hansen, que é uma das maiores figuras do rock santista, fala um pouco sobre a trajetória da banda, influências e a nova formação:

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Johnny Hansen

Esconderijo: Como vocês se conheceram?

Johnny Hansen: O núcleo sempre foi em volta de mim e do Johnsson. Eu sempre gostei de definir o som do Harry, como as músicas do Johnsson, com as minhas ideias em cima, e isso vale ainda hoje, já que grande parte do material ainda é dele, embora eu também componha. De qualquer forma, eu sempre fui uma espécie de catalisador na banda, quase todos os membros não se conheciam e era eu quem os apresentava uns aos outros. O Johnsson, eu conheci no colégio, ele estudou apenas um ano comigo, mas aí eu descobri que ele morava perto de casa e a gente manteve contato.

Esconderijo: Como a banda foi criada?

Johnny Hansen: Houveram muitas bandas antes do Harry. A maioria centrada em mim e no Johnsson: The Yardrats, TTF, Jean Cocteau, Self Destructor, Atmosphere. Adotamos o nome Harry and the Addicts em 1985. Na época éramos apenas um trio: eu, Johnsson e Cesar. Eu já estava interessado em som
eletrônico, mas ninguém tinha synths (instrumento eletrônico que produz uma grande variedade de sons) ainda. Como eu já vinha fazendo experiências com drogas, comecei a tentar reproduzir os sons que eu ouvia na minha cabeça colocando muito eco na guitarra e na voz. Como a repetição dos pedais de eco (delay) é exata, o som soava eletrônico.

Esconderijo: Qual é o tipo de som que vocês fazem?

Johnny Hansen: Acho que no início não tínhamos limites. Inclusive numa resenha de nossa coletânea: Chemical Archives um jornalista disse que não gostou porque cada faixa parecia uma banda diferente. Eu concordo com ele, mas não vejo isso como algo negativo. Você poderia dizer a mesma coisa sobre um disco dos Beatles ou do Queen. Fomos uma das primeiras bandas a fazer o mix entre rock e eletrônicos, mas os synths e drum machines foram ocupando cada vez mais espaço. Na formação atual, o leque se estreitou mais para o synth pop e darkwave, mas ao vivo, pelo menos, ainda temos guitarras bem pesadas.

Esconderijo: Vocês foram influenciados por quais artistas?

Johnny Hansen: Eu odiava disco music (com exceção do Giorgio Moroder, mas não enxerguei nele a conexão que eu enxergaria anos depois), estava mergulhado no punk rock, que foi a base dos nossos grupos anteriores. Mas como eu sempre toquei guitarra mais ou menos bem, eu enchia de solos, o que já dava um diferencial com as bandas punk tradicionais (talvez tenhamos sido os primeiros a fazer crossover), mas um dia ouvi um grupo australiano chamado Mi Sex, fazendo uma música chamada Computer Games e tinha uma veia punk, mas com uma base eletrônica, fiquei chapado com aquilo e também com o emergente technopop (o nome antigo do synthpop) do início dos anos 80. Como o New Order foi a banda mais famosa por aqui, sempre fomos comparados a eles, mas eu duvido que alguém me aponte uma única musica nossa que desse para confundir com algo deles, como faziam com o Kon Kan. Éramos mais influenciados até pelo Joy Division e por uma banda de São Francisco chamada Chrome, que estava anos a frente de qualquer
coisa já feita, mas filtramos essas influências o bastante para não nos parecermos com nenhum deles.

Esconderijo: Em algum momento houve mudança no tipo de som que vocês faziam?

Johnny Hansen: Eu não diria mudança, já que o nosso som sempre foi bastante abrangente, passeando entre o post punk, EBM e synth pop, mas o Vessel´s Town foi um álbum mais eletrônico em com menos guitarras.

Esconderijo: O término da banda

Johnny Hansen: Não sei pq nunca falaram sobre o término dos Sisters of Mercy, mesmo fazendo quase 20 anos que não lançam nada (risos). O Harry nunca terminou, teve apenas períodos de relativa inatividade. Houve uma separação geográfica quando eu fui morar no Ceará, o Johnsson no interior de São Paulo e o Verta no Rio de Janeiro. Em Fortaleza eu remontei a banda com o Paulo Eduardo e gravamos uma faixa do tributo ao New Order e tocamos no Eletrone (Recife) junto com Biopsy, Loop B, Self + Inhumanoids, Modem e Irmandade. Depois voltei para São Paulo para o lançamento do box e retomamos a formação original até 2009, embora tenhamos feito shows apenas até o final de 2006.

Esconderijo: A nova formação

Johnny Hansen: A nova formação, agora chamada: H.A.R.R.Y. and The Addict, é formada por mim e pelo Ricardo Santos (Downward Path). Eu participei com ele na gravação da versão em inglês de Caos (Liar) para o nosso tributo, e na mesma tarde, já saíram 3 músicas a mais. Considerando a inércia dos outros membros, cujas obrigações profissionais não permitiam que se dedicassem à banda, resolvi recomeçar de novo. Já temos várias gravações novas disponíveis na internet mas nenhum lançamento oficial ainda.

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H.A.R.R.Y. and The Addict

Fontes e contatos:
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10

 

Artigo da autoria de Margarete MS.
Eu tenho um coração um século atrasado..
Saiba como fazer parte da obvious.

Comentários

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Alexandre

Sensacional essa banda !! Foi amor a primeira vista quando soube do Harry e ouvi a primeira vez,ainda me lembro do dia que ouvi Genebra...Não vejo a hora de ouvir umas inéditas!!

Também me apaixonei assim que ouvi "You Have Gone Wrong". Obrigada pelo feed Alexandre :)

Valeu pela entrevista. As musicas novas podem ser ouvidas e baixadas aqui:

http://harryandtheaddict.tnb.art.br/

Foi uma honra incomensurável conversar com você, Hansen. Sou fã incondicional de vocês. Muito obrigada!

Margarete você está de "PARABÉNS", seus artigos são ótimos....e Harry é incrível!!

http://www.facebook.com/greenlanternscorps

é noise!

quem sabe com esse tipo de exposição algum organizador apareça interessado em shows hehe

Giovanni Ribeiro

Sensacional entrevista com um membro de não menos sensacional banda. Assim que eles lançaram Fairy Tales eu me tornei um fã incondicional, influenciando muito o som de uma banda em que eu tocava na época. Foi um tempo de muitos shows bem divertidos, pois o público acostumado com bandas garageiras ficava chapado quando via o mix de guitarra distorcida+bateria eletrônica+synths e samplers ( isso entre 1989 e 1992)

It's really great that poelpe are sharing this information.

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