escrever

"A Arte sine qua non de viver"

Giuliana Murakami Paixão

Vivendo e escrevendo...

A Nova Roupagem dos Contos de Fadas

Derivados de histórias populares e fábulas diversas, os contos de fadas eram, e continuam sendo, atração de milhares de crianças beneficiadas com a imaginação típica da idade. Porém, a ideia de que os contos de fadas pertencem somente ao mundo infantil está sendo cada vez mais modificada com as recentes obras lançadas que retratam o assunto.


Contos-de-Fadas.jpg

As origens dos contos de fadas são remotas e antecedem a Era Arthuriana, apesar de nesta ter sido publicada a primeira obra escrita com a presença das fantásticas criaturas de asas translúcidas e varinha de condão.

Desde os Irmãos Grimm até Charles Perrault, as maravilhosas histórias de superação, magia e felicidade encantavam crianças do mundo inteiro. As mais conhecidas foram projetas em animação por muitas produtoras como Walt Disney e DreamWorks Pictures, a exemplo de Cinderella, Branca de Neve e o carismático ogro bonzinho Shrek.

Entretanto, como num “passe de mágica” o cinema foi preenchido por filmes e livros também ligados ao mundo das fadas, mas com uma roupagem completamente diferente. Uma visão artística sobre os inúmeros contos infantis que distorce a imagem de inocência que os clássicos apresentavam.

Tim Burton, um diretor e produtor de filmes mundialmente conhecido por sua criatividade, deu à Alice de Lewis Carroll uma vida jovem, preocupada com assuntos maduros e disposta a ser uma heroína extremamente meticulosa e, como sua idade prevê, desconfiada.

Alice.jpg

Além de “Alice no País das Maravilhas”, outro clássico da literatura infantil ganhou uma nova roupagem e, indubitavelmente, muito mais sombria. A “Chapeuzinho Vermelho” de Perrault virou “A Garota da Capa Vermelha” de Catherine Hardwick. Em uma maneira sensual e dramática, Amanda Seyfried deu vida à jovem Valerie, moradora de um vilarejo assombrado por um lobisomem. Não há tanta diferença entre a menininha e a jovem quando se baseia na sinopse do filme, mas ao longo do enredo percebe-se que a inocência deu lugar a uma moça destinada a enfrentar tudo o que for possível para encontrar o temido homem-lobo. Além dessa figura heroica, nota-se o apelo ao romance juvenil, com cenas densas entre a protagonista e o amigo de infância, mas nada que possa traumatizar uma mente infantil. Talvez o que mais assuste os despreparados seja o cenário medieval, rústico e sombrio que demarca a situação de horror do povoado em que mora o Lobo Mau.

Garota da capa vermelha.jpg

Outro filme baseado em contos de fadas foi “A Branca de Neve e o Caçador” de Rupert Sanders. É uma obra interessante, com chocantes cenas de ação e um romance incomum entre a Branca de Neve e o Caçador. Obviamente, esperava-se um príncipe encantado como a Disney costumava expor, mas a relação entre a protagonista e seu herói não foi de modo algum prejudicada, posto que se tornou intrigante devido ao companheirismo do casal e, principalmente, a uma certa visão feminista dada à Branca de Neve.

branca.jpg

É óbvio que a distorção dos contos maravilhosos não é novidade, pelo menos, não totalmente. Muitos livros e séries como “Dragões de Éter” (Raphael Draccon) e “O Fantástico Mistério de Feiurinha” (Pedro Bandeira) caracterizaram um mundo divergente das princesas, heróis e criaturas mágicas. Essas adaptações criaram diversos conceitos e análises acerca da essência dos contos de fadas.

As mudanças que ocorrem nas historinhas acompanham o público social que, acostumados a obras que retratam mundos mais complexos e com enredos nebulosos, ficam interessados nos amoldamentos feitos por esses artistas. Afinal, já é de praxe saber que Chapeuzinho Vermelho ou vira comida de Lobo Mau ou é salva por um caçador. Ter uma história diferente daquela que se tornou extremamente repetitiva traz à tona uma nova noção de mundo: uma ideia de que o próprio leitor ou espectador pode tirar suas próprias conclusões sem ter uma base de referência para se apoiar.

O mundo do cinema e dos livros foi invadido pelos contos de fadas que, por sua vez, foram transformados em diferentes pontos de vista. Para a nova era, o que há não é o simplório “Era uma vez...” e nem “E eles viveram felizes para sempre” e sim novas descobertas, idealizações e finais imprevisíveis.


Giuliana Murakami Paixão

Vivendo e escrevendo... .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/// //Giuliana Murakami Paixão