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"A Arte sine qua non de viver"

Giuliana Murakami Paixão

Vivendo e escrevendo...

Ciúme: o agente opressor das relações

Histórias de mitologia, novelas, filmes e romances sempre trazem em voga esse sentimento imanente ao ser humano, em diferentes graus de complexidade. O que é, afinal, o ciúme? Ele é consequência da baixa autoestima ou precursor desta?


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O ciúme se define como um conjunto de reações de uma determinada pessoa à outra, baseada em um sentimento de possessividade, medo e desconfiança. Da mitologia egípcia à Idade Moderna, o ciúme vem sendo explicado por alegorias, fábulas e experimentos científicos. O ciúme, segundo grande parte dos psicólogos, se define como um complexo sentimento arraigado pelo receio da perda de algo ou alguém. Esse sentimento possui diferentes graus e pode ser motivo de muitos crimes hediondos, situações parentais e conflitos nas relações em geral.

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O ciúme pode ser consequência da baixa autoestima, isto é, no caso de um namoro quando a pessoa se vê numa situação inferior ao seu parceiro – seja por motivos financeiros, estéticos, etc. – e por isso tem medo de perder o objeto de paixão. Ou pode ser ocasionado pela aparente ideia de superioridade e autoridade, no caso de um pai de família ao ver sua prole e esposa mantendo contato com outro homem, o que não foge muito ao bando leonino da natureza.

Portanto, o ciúme é natural e comum a toda espécie, seja do nível mais baixo como o taxado “Ciúme positivo”, que gera apenas desembaraço e divertimento por parte dos envolvidos ou o “Ciúme negativo”, que prejudica um ou mais envolvidos.

Muitas vezes, o ciúme evolui para um grau de obsessão exacerbada, que é a mais perigosa das etapas do ciúme, podendo gerar consequência prejudiciais para todo um grupo de relações. Há inúmeros casos desse tipo de ciúme, algoz de tantas atrocidades. É a última etapa do “Ciúme negativo” em que o agente ciumento procura evidências de uma traição inexistente – ou existente.

O ciúme também está ligado ao orgulho, como na mitologia grega muito bem expressa por Ares, deus grego da guerra que vive a disputar a atenção do pai com Athena, deusa da guerra justa. Há nesse caso mitológico, uma relação ciumenta por parte do deus, quase sempre julgado inferior devido este fato e outras incapacidades pessoais. Esta breve história está presente em muitas famílias e, se o ciúme na infância não for bem tratado da forma necessária, a criança pode tornar-se uma pessoa obsessiva ao extremo, ambiciosamente inconsequente ou até mesmo com um distúrbio de complexo de inferioridade.

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Algumas vezes, ciúme é confundido com inveja. São sentimentos análogos, mas não iguais. Ciúme é o receio de perder algo que não necessariamente lhe pertence, mas que a pessoa julga como seu, seja no seu próprio pensamento ou por alguma afeição, ou porque deseja, fervorosamente, que seja seu. Inveja é a vontade de querer algo que, definitivamente, não lhe pertence, o que não chega a ser longe do conceito de ciúme, entretanto, a inveja não é imanente à natureza humana. A inveja é provocada pelos fatores comerciais da sociedade que definem um objeto como tendo um dado valor que é o vigente naquela época. A estética vigente no século XXI, por exemplo, é fonte de grandes invejas, devido ao culto a um corpo definido pelo mercado global e ao luxo da moda.

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Infelizmente, o ciúme é a causa de muitos términos de relacionamentos. Como já citado, um ciúme saudável é bom, mas em excesso, mesmo a nível baixo, leva à exaustão, ao tédio e à falta de dinamicidade da relação. Em casos extremos, a violência é o recurso procurado.

Os chamados “ataques de ciúme” são procedidos, geralmente, por gritos, tapas, xingamentos, choros, pragas e depressão.

Além dos envolvidos, as pessoas ao redor inquietam-se com a situação, afinal é como se a pessoa estivesse retrocedendo ao estado de natureza, de barbárie, apesar da evolução humana nas relações sociais.

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Das psicanálises traumáticas de Freud às ideias metafísicas e empíricas de Augusto Cury, o ciúme vem sendo explicado de maneiras distintas. Entretanto, existe a conformidade de que ele é essencial para as relações humanas, posto que faz parte da natureza do homem. E, obviamente, é precursor do que se chama de matrimônio ou relação estável, pois é a partir da superação deste que um relacionamento torna-se concreto, seja ele das mais diversas esferas.


Giuliana Murakami Paixão

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