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"A Arte sine qua non de viver"

Giuliana Murakami Paixão

Vivendo e escrevendo...

Desligamento do mundo real

O ingresso do ser humano ao magnífico e extensivo mundo digital ocasionou consequências que afetam não somente sua vida cibernética como também a realidade por trás dos teclados.


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Não é raro observar nos tempos atuais que as pessoas passaram a ter um humor excessivamente mutável e a razão disto vai muito além da taxa hormonal de seus organismos.

Vidrados em realidades alternativas onde, aparentemente, tudo flui na mais perfeita harmonia, as pessoas ingressaram ao mundo digital com um mergulho em alto-mar. Mal pensavam que atingiriam uma pedra em vez de água.

A expressão “pedra” foi escolhida propositalmente. O que seria pedra? Um pedaço de fragmento rochoso duro e sólido segundo o dicionário Michaelis. Não foge muito ao que o ser humano se tornou: um ser ou algo existente completamente fascinado pelas redes sociais, intertextualidade cibernética, acesso imediato a informações mundiais e outras grandes (dês)vantagens que a tecnologia atual fornece.

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Entretanto, apesar de seus aspectos notoriamente positivos, pode-se observar uma robotização nas relações humanas. Os homens passaram a olhar o mundo tecnológico como um escape para o estresse e, simultaneamente, uma maneira nem um pouco agradável de se afastar dos seus semelhantes com a falsa ideia de que está perto.

Não há, atualmente, um único ser dotado de razão que já não tenha passado pela seguinte situação: “Parado em frente à roda de amigos de infância, o rapaz resolveu abrir a discussão sobre um assunto qualquer. No início, todos participaram eufóricos e agitados, porém alguns segundos depois, mexiam apaixonadamente em seus aparelhos tecnológicos”.

Dificilmente, uma pessoa pergunta a outra sobre um local, pois ela prefere usar o famoso GPS; dificilmente uma pessoa pergunta ao colega desconhecido como conseguir um material de um assunto escolar, pois prefere pesquisar por si mesmo apostilas digitais; dificilmente consegue afastar-se de seus apetrechos cibernéticos dormindo utilizando-os e já acordando utilizando-os sem sequer dar um cumprimento às pessoas ao redor.

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Essas situações são tão frequentes quanto respirar. O mundo sempre foi suscetível a mudanças, porém, será que essa é tão boa assim? Obviamente, a tecnologia oferece ao homem inúmeras vantagens, entretanto, qual o sentido de viver em uma sociedade se não há ânimo para usufruir desta? Não faz sentido estar ao lado de uma pessoa sem comunicar-se com ela pessoalmente. Não há mais o calor humano nas conversas. Não há mais risos em rodas de conversa, apenas pequenos sorrisos durante a leitura de uma mensagem. Não há mais animação em expor uma tese, apenas uma monótona digitação da mesma. Não há mais interação!

O que será do mundo, então?


Giuliana Murakami Paixão

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