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"A Arte sine qua non de viver"

Giuliana Murakami Paixão

Vivendo e escrevendo...

Vertentes de uma Saga Futebolística

Não é novidade que a Copa do Mundo de 2014 possui um currículo paradoxal e, de certa forma surreal, para a sociedade brasileira. Porém, o que se segue antes do evento, durante o evento e após a derrota do país é uma gama de pensamentos... O que segrega as opiniões alheias em várias vertentes.


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O Brasil foi escolhido como a sede para a Copa do Mundo de 2014. A notícia agradou a poucos tornando-se, juntamente com o aumento da taxa de transporte público, o estopim para inúmeras manifestações políticas que há anos não ocorriam no país. Entretanto, essa luta pelos direitos acabou “esfriando” com o apelo de conservadores (e não digo, somente, conservadores políticos) e da própria mídia.

Nos jogos, parecia que todos reencarnavam o velho espírito nacional. Torciam, gritavam, sacudiam estádios, apartamentos e ruas. A recepção aos estrangeiros foi a melhor possível (excetuando alguns vendedores)... E, ao mesmo tempo, encarnavam um paradoxal espírito manifestante nas redes sociais. Em meio a tantas mensagens, as pessoas que eram contra e a favor da Copa transmitiam forças aos jogadores e também chacotas.

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Alguns justificavam os próprios atos: “Ora, sou brasileiro não sou? Então, temos de rir da própria desgraça”. Porém, a pior desgraça ainda não havia ocorrido.

Com a derrota do Brasil por 7x1 da Alemanha, houve uma chuva de sangue não somente na internet como em qualquer esquina. O espírito patriota ficou apático, por vezes risonho, todavia revoltado. Parecia que, em menos de trinta minutos, uma alma política enveredou nas mentes das pessoas. Uma das blogueiras mais famosas do campo literário alegou em seu Twitter: “O que vai chover de discurso político depois disso...”. De fato, ela não estava errada. A questão é: a derrota da Seleção Brasileira veio para fazer sofrer ou despertar?

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E duas vertentes de pensamento foram criadas ao longo desse embate caloroso. Alguns defendem a ideia de que futebol e política são algo completamente divergentes, que não devem ser confundidos... Geralmente, esses teóricos garantem o esporte como uma ação profissional, parecendo visar os jogadores em si. Outros alegam que futebol É política e discussão encerrada.

Afinal, o que seria então o futebol? Um esporte-político ou um político-esporte? Independente do que seja, tenho uma certeza: a Copa de 2014 foi a Copa das Copas. Mas não pela derrota “histórica” e sim por todo um contexto em torno dela, talvez um amadurecimento por parte das pessoas, ou um apetrecho mais explícito de como se pode usar algo aparentemente inocente para manipular pessoas, ou simplesmente por ter sido uma Copa no País de Futebol... Ou pelo Circo ter deixado, enfim, as lonas caírem.


Giuliana Murakami Paixão

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