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"A Arte sine qua non de viver"

Giuliana Murakami Paixão

Vivendo e escrevendo...

Fugere urbem para o “Mal do Século”?

A fuga para um cotidiano desenfreado pode estar mais perto do que se imagina. E, com toda certeza, possui uma amplitude muito maior do que aparenta possuir, pois vai além de recursos financeiros e depende pura e simplesmente do próprio "eu".


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O desenvolvimento tecnológico, científico e econômico da humanidade sempre implicou em mudanças significativas na sociedade. Um estudo comportamental-psicológico feito por Augusto Cury comprova que, atualmente, não é a depressão ou tuberculose que assombra os pesadelos humanos e sim a ansiedade.

Ansiedade? Sim, uma palavra simplória que acarreta inúmeros efeitos no organismo humano. Efeitos esses que permeiam e configuram seu metabolismo, desfiguram seu psicológico e acarretam dolorosas acepções de seu próprio “eu”.

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A Revolução Técnico-Científica propiciou avanços no campo da ciência como jamais o ser humano pôde imaginar. Porém, a vida de constante estresse, emoções afloradas e condicionamento quase escravizado ao trabalho, levou o homem (no sentido lato da palavra) a um certo desespero interno. Para a maioria das pessoas, não há mais tempo para lazer e até mesmo o lazer deve ser produtivo para atividades laborativas. O convívio familiar perdeu sua importância, as amizades passaram a ser relacionamentos supérfluos e o dia-a-dia tornou-se uma rotina extenuante.

Esse cotidiano atabalhoado levou milhares de pessoas ao que Cury denomina de Síndrome do Pensamento Acelerado. O autor destaca: “A humanidade tomou o caminho errado; estamos nos estressando rápida, intensa e globalmente na era dos computadores e da internet”. Entretanto, deve-se perceber que a culpa não deve recair sobre a tecnologia em si e sim em como ela afetou as relações humanas, aumentando a carga de trabalho devido à facilidade da mesma e diminuindo o tempo para descanso mental.

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Deve-se então fugir para um espaço não-urbanizado? Encontrar o bucolismo simbólico das zonas rurais? A resposta varia de pessoa a pessoa, porém denota-se que o termo em latim, muito utilizado pelos poetas arcadistas do séc. XVIII, deixa prevalecer pura e simplesmente a ideia de afastamento do meio urbano, tão tipicamente conhecido pela sua complexidade e exorbitante exigência laboral.

Talvez as pessoas não precisem fugir fisicamente das cidades. Talvez haja uma possibilidade de reduzir essa ansiedade, esse nervosismo, apenas fechando os olhos e trazendo em voga a velha e boa yoga oriental. Talvez para se isolar basta um dia de sono voltado apenas para si mesmo, evitando qualquer tipo de pensamento problemático. Talvez a resolução desse conflito interno possa estar na casa de um amigo, numa loja de abrigos a animais, em uma instituição de caridade ou em uma reunião em família.

O ser humano pode tentar diminuir essa aceleração do pensamento utilizando-se do próprio pensamento. Transportando-se para esse ambiente bucólico que, metaforicamente, pode-se transformar em ambientes não necessariamente paradisíacos, mas que reconfortem essas mentes estressadas e sobrecarregadas. É uma chave...

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E assim as pessoas por si só podem tentar reverter esse quadro, possuir maior empatia para com os outros, maior noção de alteridade.

A humanidade precisa seguir um pouco o lema Fugere urbem, mas num sentido próximo a fugir do problema, porque a dificuldade não está concentrada na cidade propriamente dita ou na tecnologia e sim nas próprias mentes das pessoas.


Giuliana Murakami Paixão

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