escrever

"A Arte sine qua non de viver"

Giuliana Murakami Paixão

Vivendo e escrevendo...

Predestination: O Paradoxo Cíclico

Baseado em um conto de Robert A. Heinlein, “O Predestinado” (dirigido pelos irmãos Michael e Peter Spierig), foi um filme australiano lançado em 2014, cujo enredo centra-se na vida e missão, respectivamente, de Jane e o Agente Temporal e que, com certo assombro, o espectador percebe o quanto estão interligados.


pre-destination-bar.jpg

Sem oferecer muitos spoilers, é possível fazer uma análise minuciosa desta obra cinematográfica. Primeiramente, porém, é certo explicar o motivo pela escolha do título do artigo. “Paradoxo” é toda ideia contrária, um choque entre opostos o que, no filme, não se refere exatamente a dois opostos concretos e sim a uma mesma pessoa. “Cíclico” é uma ordem contínua de fatos, que interligam-se infindavelmente, do início ao fim.

Pois bem, quanto ao filme. A história é, aparentemente, focada no drama de uma mulher sofrida que desde a infância sente-se repelida pela sociedade por um motivo escuso. Neste ínterim, é possível verificar os aspectos psicológicos que transtornam a mente humana quando a pessoa não se identifica com absolutamente nada daquilo que vê. Sentir-se parte de um lugar é essencial para a vida humana, visto que somos feitos para viver em uma sociedade, seja qual for os valores que nela incutem. E a estigmatizada personagem Jane, desde cedo, pôde perceber que não encaixava-se em nenhum segmento comum. Toda sua história faz parte de uma narração proferida por ela mesma junto a um bartender, o notório Agente Temporal que a convence retornar ao passado e ajuda-lo a executar mais uma de suas missões.

images2.jpg

E é nessa volta ao tempo que, aparentemente, tudo é explicado... Até que o espectador é surpreendido novamente e se depara indagando a si mesmo: “o quê?”, exatamente com a miscelânea entre confusão e assombro, uma careta de fato cômica que, particularmente, pude presenciar com todos os membros da minha família. Nesta parte nos é permitido perceber que a vontade humana de encontrar a si mesmo e amar-se da maneira que é, parece ser muito mais apetitoso do que continuar fingindo ser o que os outros desejam.

No mais, a partir do momento em que tudo é explicado, o filme corre como se apressasse o derradeiro final que todos já passam a conhecer, embora continuem a refletir sobre o poder do outro em nossas vidas e a impotência humana perante um desígnio maior que sua própria existência e felicidade.

Predestination-2014.png

É um filme em que, ao mesmo tempo, a pessoa se questiona sobre inúmeras situações, seja no campo científico ou até mesmo metafísico. Sem dúvida, esta obra cinematográfica desafia as leis da física, da razão e da moral. Este último não pelo que nos é mostrado nas histórias periféricas do filme, mas pela consciência humana de que, mesmo quando sabemos que devemos mudar algo, independente se isto exija sacrifícios, aparentemente somos impotentes quanto ao nosso destino.

Lembrou-me muito, ao final, as obras gregas, principalmente a de Sófocles, que narrou as desventuras de Édipo, o Rei quando o pai deste peculiar personagem tentou driblar as intenções dos deuses e acabou apenas por concretizá-las.


Giuliana Murakami Paixão

Vivendo e escrevendo... .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/cinema// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Giuliana Murakami Paixão