escritos da ansiedade

Ideias de alguém tentando não viver o futuro no presente

Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC

Ariano Suassuna e a identidade do Brasil cultural

A ideia da cultura brasileira na obra de Ariano Suassuna


Ariano Suassuna foi um dos grandes escritores e dramaturgos contemporâneos brasileiros, graças ao seu talento peculiar de retratar os aspectos da vida e hábitos de um Brasil que muitos acabam por denotar como tosco e ignorante. Por realçar através de sua obra literária a beleza dos traços da cultura popular nordestina, Suassuna conseguiu quebrar com o estereótipo e preconceito dentro do seio de parte da academia literária brasileira e do grande público ao transformar suas histórias em filmes e dramaturgia televisiva, bastando lembrarmos no estrondoso sucesso do filme O Auto da Compadecida, que conta às desventuras dos personagens João Grilo e Chicó.

O genial escritor era homem de opiniões e ideais fortes. A critica social em sua obra era fortíssima, sendo inserido sempre nos enredos das tramas um denuncismo contra os abusos de poder dos coronéis e políticos no abandono e exploração da população, mesmo sendo filho do ex-governador da Paraíba João Urbano Suassuna. Declaradamente um esquerdista, foi varias vezes criticadas e perseguidas por suas inclinações politicas, sendo chamado de comunista “amestrado” pelo integralista e um dos ícones da extrema-direita brasileira, Plinio Salgado. Mas o que sempre Ariano Suassuna queria deixar claro em toda sua obra era a busca pela identidade nacional brasileira, a valorização da cultura nacional e toda sua rica diversidade.

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Bebendo das fontes da literatura de cordel, do espaço geográfico do cangaço e do homem do sertão, o finado Suassuna deixou um legado e herança a literatura nacional que se deve extrair toda sua vastidão do sincretismo cultural, social e histórico que nela esta posta. Assim, por toda sua vida Ariano foi defensor da cultura popular brasileira e visou sempre marcar com traços fortes a ideia de uma identidade nacional do Brasil, em meio a miscigenação étnico-cultural presente na sociedade nacional. Mas nunca deixou de lado em tudo isso, de mostrar em suas peças de teatro e textos, o preconceito e estereotipação da população mais carente, a criadora e propagadora da cultura nacional, que muitos ainda enxergam como lixo e mera distração do“populacho ignorante e burro (sic)”.

Ariano pertenceu à academia brasileira de letras, foi professor universitário e trabalhou como secretário de cultura do estado de Pernambuco. Porém na mesma medida que estava nesse circulo de intelectuais da alta classe, convivia muito nas rodas de cantadores, dos embates entre os repentistas de Cordéis nas praças, do bloco do galo da madrugada e dos bonecos de Olinda no carnaval de Recife. Não foi a toa que Suassuna foi um grande incentivador do Manguebeat e manteve uma relação de amizade com Chico Science da banda Nação Zumbi.

A alma de Ariano Suassuna, portanto, permanecerá viva enquanto perdurar o sincretismo e a eterna construção da identidade cultural brasileira. Esta nunca ficara com uma única cara, pois ela é camaleonicamente mutável, se adaptando e absorvendo novas ideias e concepções. O único aspecto que talvez seja imutável na cultura brasileira é algo que Ariano prezava e muito por toda sua vida: o fato dela ser eternamente Popular.


Guilherme Lima

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