escritos da ansiedade

Ideias de alguém tentando não viver o futuro no presente

Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC

Flashes de uma Barbárie condicionada

A fotografia aproximando e induzindo os olhos do publico nas tragédias humanas


A fotografia tolda e define muito de nossas noções estéticas e da visão por assim dizer. Mas não se restringem a este primeira ideia que temos sobre elas, vai muito mais além o uso e desuso de uma imagem na foto servindo a objetivos pessoais ou coletivos, de criação ou destruição, empolgar ou desanimar, amar ou odiar. Mais do que uma representação direta,uma imagem não é apenas um retrato paisagístico ou mera decoração de sala de estar, temos sempre a indicação por ela de uma ideia ou pensamento, tanto de quem produziu esta imagem (um pintor ou fotógrafo) seja de quem a olha (a visão do espectador sobre).

Nada melhor para exemplificar essa noção sobre uma imagem do que o dialogo célebre entre um oficial Nazista e Pablo Picasso sobre o quadro Guernica, uma representação dada do bombardeio de uma pequena cidade na guerra civil espanhola feita pela força aérea alemã. Ao ver uma reprodução da tela, o oficial perguntou a Picasso: "Foi o senhor quem fez isso?" A resposta foi curta e grossa: "Não, foi o senhor", assim definiu o artista espanhol, numa indireta sensacional que para sua sorte, o ignorante militar alemão não percebeu. É da observação e das próprias experiências, pontos de vista, ideais ideológicos e pensamentos do imaginário de quem fez o retrato e do olhar de quem observa a imagem, que será construída a representação exposta.

567_by_ebeninnali-d56slia.jpg

Logo a fotografia acabou tornando em certa medida, a veracidade de determinado acontecimento fotografado e estreitando um pouco mais a visão da realidade para um grande publico, sobretudo nos grandes acontecimentos das tragédias humanas. A fotografia, a partir da primeira guerra, principalmente, expôs de forma real, factual e palpável ao sentido da visão humana os horrores criados e experimentados por homens e mulheres nas zonas da guerra. Com isso o publico consumiu e tragou a força por vezes, o massacre feito pelos moedores de homens que eram as trincheiras da 1ª Grande Guerra.

As fotos também servem é claro, para fins de propaganda na construção dos mitos sobre vilões e heróis. O retrato de pilhas de soldados britânicos mortos por um ataque de gás do exército imperial alemão, como primeira pagina de um jornal, causava uma comoção enorme do grande publico e por fim conseguia canalizar uma ideia de que o inimigo alemão era um cruel e degenerado flagelo humano, que deveria ser destruído a qualquer custo. Um dos resultados percebidos com o advento do retrato fotográfico foi diminuir e muito a ideia e visão de quem acaba fazendo o retrato, aproximou a imagem e o olhar do observador, em tese, a veracidade dos fatos.

É por esta representação dos acontecimentos sem teoricamente, uma intervenção do imaginário humano sobre a imagem, que faz a fotografia acabar sendo mais direta e condizente com certa “verdade isenta” da realidade do acontecido. Porém é utopia crer que fotografias são parciais e fieis em sua totalidade ao que ocorreu, sendo eternamente manipuláveis, moldáveis e suscetíveis aos pensamentos e ideias de seu criador e idealizador, que assim tenta comover e trazer para sua causa o olhar do observador e espectador da foto.


Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/fotografia// //Guilherme Lima