escritos da ansiedade

Ideias de alguém tentando não viver o futuro no presente

Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC

Heil Voto!

A herança maldita no formato e design publicitário do nazifascismo nas campanhas eleitorais atuais.


"Uma mentira repetida mil vezes acaba se tornando uma verdade", Era o que afirmava o ministro da propaganda do partido nazista alemão Joseph Goebbels, enfatizando assim todo o perfil maniqueísta e sinistro dos ideais do nacional-socialismo alemão ditados em Mein Kampf, a bíblia do nazismo escrito por Adolf Hitler. Martelar uma ideia ou pensamento tantas vezes através da repetição, cansaço ou de uma certa hipnose por discursos belos e com floreios de tal modo,visando sensibilizar e comover o espectador. Esta era a tática nazista foi eficaz para ascensão ao poder de uma ideologia pérfida e devastadora, que acabou por levar a humanidade ao seu maior conflito armado e morticínio desde o inicio de sua História.

Noções de uma raça superior, da pureza racial ariana, de como o povo alemão seria melhor que o restante da humanidade, além dos preconceitos difundidos na publicidade nazista contra outras etnias, estavam na cartilha idealizada por Joseph Goebbels. Esta retórica de preconceito exacerbado não é enfatizado nas propagandas eleitorais atuais, porém todos os alicerces de boa parte do uso demagógico da publicidade, e os conceitos de um formato artístico e design bem produzido para uma propaganda politica eficaz, na ideia dos publicitários do mundo politico atual, parece beber da fonte venenosa de conceitos fascistas afim de convencer as grandes massas, e a medida em que a disputa sob seu tom na disputa pelos votos do eleitor, um visceral ideal de engrandecer o candidato acaba evidenciando-se.

Propagandas denotando as características pessoais de cada candidato, de como este é bondoso, inteligente, uma positiva liderança, que salvará a nação dos males que a afligem, que derrotara um inimigo externo ou interno, além de discursos em publico que tocam o coração daqueles que votam, tudo isso é criação ou foi utilizado e incrementado durante o período da ascensão do nazi-fascismo durante as décadas de 20 e 30 do século XX.

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O culto a personalidade de grande líder acabou se tornando senso-comum na forma em que se dá o formato propagandístico de qualquer candidato a um cargo publico no Brasil. Não importando partido, ideologia ou região do país, a estrutura da campanha é a mesma: repetir o quanto Fulano de tal é perfeito, mesmo que este tenha de perfeito mesmo sua propensão a corrupção e crimes de colarinho branco.

Jingles repetitivos que fixam-se na cabeça como cola no papel, indiretas aos adversários da campanha utilizando táticas de denegrir a imagem pessoal deste, afirmando que tal candidato é isto ou aquilo, para usar o preconceito da própria população como arma e trunfo eleitoral. Já é praxe esta conduta, e nas eleições de 4 em 4 anos o ciclo vicioso renasce como zumbi saindo de sua cova em busca de cérebros desavisados e de sangue que vai esvaindo-se em votos. É uma grande piada histórica e um paradoxo absurdo, perceber como partidos de um regime politico democrático adotam táticas de uma ideologia justamente contrária a eleições, debate livre de pensamentos, concepções de mundo e convivência, de modos de vida divergentes daqueles que o nazismo tentou impor e ainda tenta fazer virar via de regra.

Não é fazer terra arrasada ou concluir em definitivo que as eleições e o voto são ferramentas inúteis para uma mudança e melhoria da administração publica do país, seria muita pretensão. Entretanto é impossível não perceber a hipocrisia (termo tão popular que acaba se tornando adjetivo para boa parte da politicagem brasileira) reinante entre os candidatos e seus modelos de campanha, que adotam instrumentos de convencimento nada benéficos as aspirações da população brasileira e do estado. Se Perante a constituição temos a liberdade e o direito do livre pensamento, como seremos livres se passamos por uma lavagem cerebral massificada de 4 em 4 anos?


Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC.
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