escritos da ansiedade

Ideias de alguém tentando não viver o futuro no presente

Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC

As Noticias para o mercado

O documentário Mercado de Noticias e o retrato do Jornalismo, sujeito à mercantilização da notícia e a força politica do 4ª Poder na sociedade: a informação.


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O jornalismo como profissão trabalha em cima dos eventos acontecidos do cotidiano, visando sempre buscar a melhor maneira de repassar perante o publico o que aconteceu, de maneira mais verídica possível os fatos reais. Porém condicionados por rumores envolvendo determinado acontecimento acaba por distorcer e até maquiar as verdades e interpretações acerca, e é neste ponto que o jornalista( ao menos o bom) acaba tratando, refinando e garimpando a ordem real dos acontecimentos, noticiando condizentemente com a veracidade factual. Nesta toada é que segue o documentário Mercado de Noticias, discutindo a atualidade e problemáticas do jornalismo atual, bem como seus traços e alicerces, além de grandes polêmicas da história da imprensa brasileira.

Dando novos ares ao formato deste documentário, o diretor Jorge Furtado acaba por optar de fazer este com uma bela sacada, fugindo do mais do mesmo que perambula pelo território dos documentários, onde as coisas acabam por andar na letargia de meras entrevistas e falas de um narrador com belas imagens ao fundo da tela.

Numa série de entrevistas com grandes cânones do jornalismo nacional, toda esta discussão é levantada a partir da interpretação da peça teatral do dramaturgo inglês Ben Jonson, “The staple of news”, criada em 1625, que acaba satirizando o jornalismo recém criado naquela época em Londres. Brilhantemente, Ben Jonson acabou por prever todo o contexto que viria a tomar conta da estrutura jornalistica até os dias de hoje: seu papel e influência nas esferas de poder.

Discutindo o papel da imprensa, do jornalista, da posição politica e os interesses econômicos dos grandes meios de comunicação, em suas posições escondidas e subentendidas por editorias que supostamente afirmam e pregam uma imparcialidade e não possuírem nenhuma ideologia. A verdade entretanto, é que tudo isto caminha em direção contrária na maior parte da mídia nacional. Basta voltarmos um pouco ao passado recente das eleições de 2010, no estardalhaço criado pelos grandes veículos de comunicação ao "atentado da bolinha de papel", arremessada contra José Serra, ou na edição do debate a presidente no Jornal Nacional da rede globo em 1989, claramente favorecendo o candidato Fernando Collor de Mello, que após eleito, tornaria-se o primeiro presidente brasileiro a sofrer um processo de impeachment.

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Por trás de todo o interesse politico vem a questão monetária, seja carregando com dados econômicos as páginas dos jornais, seguindo a lógica da bolsa de valores e seus tubarões, que nadam em largas braçadas nas especulações financeiras, ou então a merce das propagandas publicitarias, amarrando o próprio compromisso que supostamente o jornal e o jornalista tem com a realidade dos fatos, com os interesses das empresas que financiam e bancam os departamentos publicitários das redações. Também é abordado pelo documentário como o jornalista e os jornais estão se adaptando as novas ferramentas de comunicação, como as redes sociais e sua rápida disseminação de informação em tempo real, de forma que isto está por minguar o clássico jornal de papel das bancas.

Com uma abordagem direta, bem humorada e do lirismo que uma peça teatral denota a uma história, Mercado de Noticias explicita as grandes contradições da mídia nacional e acaba deixando claro acima de tudo, que é sempre necessário fazer poréns e questionar o que se lê, ainda mais num mundo onde qualquer opinião e pensamento gera emoções antagônicas em apenas 144 caracteres.

Trailer de Mercado de Noticias


Guilherme Lima

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