escritos da ansiedade

Ideias de alguém tentando não viver o futuro no presente

Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC

O DISCURSO DE QUEM EXIGE SEU PRIVILÉGIO AO ÓDIO

Os recentes casos dos proferidos discursos rançosos e lamentáveis de ódio ressaltam o sujo pensamento do "cidadão de bem"


Com a redemocratização do Brasil durante a década de 1980, aqueles que sempre estiveram a margens dos processos de decisões do jogo politico, econômico e social no Brasil começaram a lutar por uma igualdade e uma equidade nos seus direitos constitucionais e de liberdade individual de cada ser enquanto cidadão. Movimentos como da consciência negra, a luta das comunidades indígenas pela preservação de seu modo de vida, o movimento LGBT, os sem-terra e sua busca pela reforma agrária, sindicatos de trabalhadores, enfim, todos aqueles que antes estavam sendo silenciados durante um longo período da história nacional agora expõem os problemas e opressões, reivindicando seus direitos que estavam sendo suprimidos por tanto tempo. liberdade-4251166@2x.jpg Entretanto, estas disputas e encarniçadas lutas na busca de leis que concretizem o respeito as diferenças e que acarrete numa igualitária justiça gera a ojeriza, medo, rancor e o mais profundo ódio das forças conservadoras de uma classe e grupo contrária a equidade do espaço publico, da democracia e acima de tudo, do direito de cada ser decidir para si o que é mais adequado a seu modo de vida, ideias e pensamento. Este grupo, ao qual podemos jocosamente dar a alcunha de “cidadãos de bem”, reforça para si toda uma tentativa de manter um status quo baseado num repressivo aparato social, econômico e cultural que acaba por marginalizar boa parte da sociedade, pois ignorantemente acredita ser maioria, o que é uma das grandes falácias que o senso-comum destes leva como verdade absoluta justificando seus escusos preconceitos.

O “cidadão de bem” dorme em berço esplendido da hipocrisia: se diz cumpridor das leis, contra as drogas, sem preconceitos, fiel a esposa e família. Mas na surdina infringe uma série de leis no transito, consome algumas gramas “inofensivas” de maconha e cocaína na madrugada enquanto procura alguma garota ou garoto de programa nas sinaleiras, e ai de seus filhos se acabaram namorando um negro ou se declararem gays, seriam “deserdados por destruírem a honra da família”. Porém no contexto atual, percebeu-se que muitos com este pensamento retrógrado e agressivo aos poucos estão perdendo a vergonha, e evidenciando publicamente este lado sinistro de suas ideias nada aprazíveis. discurso.jpg Acuados e perdendo seus privilégios que por grande e longa duração de tempo mantiveram para disseminar uma falaciosa supremacia e superioridade enquanto indivíduos perante outros grupos sociais, o “cidadão de bem” perdeu a vergonha que nunca teve e agora destila seu discurso de ódio e violência publicamente. Facilitado pela rápida e fácil disseminação de ideias através da internet e suas redes sociais, além da conivência de uma mídia ainda pautada na busca irracional pela audiência, que segue diretrizes que convergem com os interesses defendidos dentro deste discurso de Ódio.

Na democracia o “cidadão de bem” pode ter este direito de possuir ideias nada benfazejas a uma convivência na sociedade mais equilibrada, coesa e justa. Vivemos em um país com um estado democrático, que acaba partindo desta prerrogativa de liberdade de pensamento que até mesmo é possivel e garantido por lei adotar um discurso contra a democracia e seus tramites para as decisões acerca do que é melhor para a nação como um todo. Mas neste contexto, é um tanto cômico nos depararmos em pessoas exigindo a volta de um regime totalitário numa democracia ser algo perfeitamente possível e sem nenhuma repressão, quando bem sabemos que fazer justamente o contrário sem que haja derramamento de sangue é ensinado pela história como uma utopia.


Guilherme Lima

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