escritos da ansiedade

Ideias de alguém tentando não viver o futuro no presente

Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC

Somos crianças no primário da Democracia

Nos falta maturidade democrática para perceber o contexto e problemática do que realmente rege a politica nacional brasileira.


A democracia brasileira como bem se sabe, ainda da passos inseguros por demais em sua essência. Passamos um longo tempo em que o estado brasileiro bem como toda a sociedade estava atrelado a um regime ditatorial por 21 anos. Analisando os períodos históricos da cronologia politica brasileira, estamos somente agora conseguindo estabilidade e um pouco de desenvoltura para lidarmos com as nuances da democracia. Portanto estamos engatinhando na questão do debate sobre as instancias democráticas que envolvem a sociedade brasileira. Em suma: a democracia no Brasil é mimada como criança tomando mamadeira em seu berço.

Em 2013 o que a principio era uma manifestação pela alta do preço do transporte publico tornou-se um grande caldeirão de reivindicações populares por representatividade da população na vida politica do estado. A crise instaurada ai foi da falta de representatividade de diversos setores da sociedade que estão excluídos das decisões e projetos políticos planejados, desde o palácio do planalto, passando pelo congresso e senado e refletindo na prefeitura e câmara de vereadores daquela pequena cidade do interior dos grotões do Brasil. A questão da falta de representatividade converge na forma em que o sistema politico fora montado após o fim da ditadura militar em 1985. A constituição acabou sendo enjambrada visando favorecer os setores oligárquicos dominantes das diversas esferas de poder da sociedade. 12763-democracia.gif Os interesses de setores como o agronegócio, as grandes indústrias multinacionais, forças religiosas como a católica e a evangélica, os bancos e seu poderio financeiro: graças ao modo em que o sistema politico é regido no país, boa parte do congresso está sob influencia e quase controle absoluto visando defender os interesses destes grupos e de outros que dominam e acabam pautando as leis e debates dentro do congresso nacional. Temos por exemplo a bancada da bola que defende os interesses escusos e nada benfazejos ao futebol nacional orquestrada pelos dirigentes da CBF, e a bancada evangélica que constantemente entra em conflito barrando as pautas sobre os direitos humanos, femininos e do movimento LGBT. Atualmente, infelizmente temos um congresso loteado para aqueles com poderio econômico e influencia financeira para comprar os congressistas e garantir que seus interesses sejam mantidos e protegidos dentro da estrutura politica.

A maior parte da população por si obviamente, não é contemplada nos projetos hegemônicos destes grandes grupos. Um congressista que teve sua campanha financiada pelos grandes bancos, empreiteiras e donos das grandes fazendas de soja e de gado, nunca ira aprovar ou votar a favor de projetos e leis que atentem contra os interesses destes. A representatividade então dos anseios da população acaba ficando aparentemente somente nas urnas. O debate sobre as principais questões para um aprofundamento na resolução dos anseios e discussões de interesse do povo como a legalização das drogas e do aborto, os direitos das minorias, reforma agrária, mudanças na politica educacional e da saúde, são engessadas pelos representantes da macroestrutura do poder econômico que deriva no politico graças ao esdruxulo sistema de financiamento de campanha e lobby das empresas junto aos políticos. 6749934_AGuab.jpeg Isto fica claro quando vemos quais empresas financiaram, por exemplo, as campanhas dos candidatos a presidente em 2014. Os maiores bancos do país, muitas empreiteiras envolvidas na operação lava-jato, além de grandes fazendeiros e empresários. Todos de certa forma, doaram quantias consideráveis para todos os 3 grandes candidatos ( Aécio Neves, Marina Silva, Dilma Rousseff) visando que no futuro ambos olhassem com uma “atenção maior e carinho” suas opiniões e interesses. Opinião essa que também acaba sempre sendo defendida pelos grandes grupos de mídia no Brasil, pois estes também são financiados pelos grandes grupos econômicos dominantes do País, e com o controle e predomínio sobre a informação, convencer o publico de que os interesses destes grupos hegemônicos monetariamente são os seus, torna-se fácil. Do modo em que a base do sistema politico brasileiro está montada, o poderio econômico ira eternamente reinar em detrimento das reivindicações e necessidades da população em geral. Sem uma reforma politica coesa, que atenda as demandas dos mais diversos campos presentes em nossa sociedade, estamos fadados eternamente eleição após eleição, em mudar e um rei que reina, mas no fundo não governa.

Qualquer pessoa tem o direito de reclamar, exigir seus direitos, fazer “panelaço”, ou ir as ruas protestar contra o governo ou qualquer instituição que você crê que está ferindo seus interesses. Mas antes de tudo, pense em todo o contexto e estrutura envolvida na constituição da politica e sociedade brasileira para reivindicar e botar em pauta suas reclamações. Servir como instrumento e bode-expiatório para políticos que fazem o mesmo que aqueles que atualmente foram eleitos democraticamente através de golpismo e força de armas como muitos andam querendo, é praticamente seguir um tolo senso-comum perpetrado pelos mesmos valores daqueles que no fim das contas, manterão uma estrutura de controle e supressão ainda maior da vontade e soberania popular. A de se ter cuidado e dedos leves nesta situação, ser inocente útil parece ter virado tendência no Brasil em 2015.


Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC.
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