escritos da ansiedade

Ideias de alguém tentando não viver o futuro no presente

Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC

O Ódio Ao Próximo Pela Inveja Do Distante

As semelhanças e pontos em comum de ódios históricos e atuais.


Analisando minuciosamente a História humana, podemos claramente perceber um traço especifico em ações humanas relacionadas ao ódio de determinado grupo ou coletivo sobre outro. O ódio por vezes é estimulado por diversos fatores dentro da sociedade, motivado por interesses públicos, privados ou individuais. Calcado por manobras de cunho politico, econômico ou social, este ódio persiste quando antagonizados dicotomicamente, radicalizados num eterno 8 ou 80. Voltou à tona com uma força titânica nos últimos tempos, derivados provavelmente pelos problemas desencadeados pela crise econômica de 2008. A clássica fusão de desemprego, pobreza, corrupção e uma boa dose de propaganda com segundas intenções, fomenta o caldeirão para atos e pensamentos fascistas, reacionários.

Exemplos Históricos sobre este comportamento raivoso e de profunda ojeriza de um grupo pelo outro é o que não faltam. A ascensão do nazi-fascismo e toda a perseguição contra aqueles que fugiam das premissas de arianismo puro, acabavam sendo excluídos e após um tempo, entrando na lista de seres indesejados pelo estado nazista. O extermínio de grandes massas de ciganos, judeus, homossexuais e opositores do regime tornou-se politica de estado em escala industrial, como bem observada nos campos de concentração.

Nos Estados Unidos, sobretudo no Sul do país, o ódio racial tem seus extremos mais bem definidos e perceptíveis dentro da sociedade norte-americana. É nesta região onde a atuação de grupos xenofóbicos e racistas como a Ku-Klux-Klan fazem-se presentes e constantemente estendem seus tentáculos de influencia sobre alguns membros da comunidade, exercendo pressão, por exemplo, em casos de violência e atos segregacionistas contra negros e latinos, coagindo promotores, juízes e policiais a aliviarem o lado de criminosos racistas. Isso pode ser percebido nos últimos casos de violência policiais relatados, exemplificado no brutal tratamento violento e coercitivo de um policial branco contra uma aluna negra de apenas 12 anos na Carolina Do Sul em outubro de 2015. laborastótio de religião.jpg O Brasil tem seus ódios incrustados a fundo em todos os traços de sua sociedade. Tendo toda sua esfera social até o final do século XIX baseada na escravidão, num estado burocrático, patriarcal e classista, o preconceito e repressão contra o negro, o indígena, o pobre e a mulher serviram como alicerce para a manutenção do status quo social. Esquecidos durante anos pelo poder publico, postos à margem e sofrendo variados tipos de discriminação, o brasileiro dito médio reage com escárnio, descaso e em muitas situações, com um ódio fascistóide e de ares radicalmente belicosos para com estes grupos. Perceber isto é fácil por demais, basta ligar a TV, ler os comentários nas redes sociais da internet, ou simplesmente andar pela rua no dia-a-dia: o olhar ressabiado contra o negro achando que este é um bandido, na tomada de terras indígenas indiscriminadas realizadas pelo agronegócio, no preconceito cultural contra a população de baixa renda, e no machismo cotidiano que a mulher sofre.

Este ódio então é gerado pelo que especificamente, qual o gatilho gerador de toda essa raiva reprimida contra aqueles em condições de vulnerabilidade social? Como é possível odiar um grupo ou individuo simplesmente por em determinados pontos de estilo de vida divergir do nosso? A resposta talvez esteja na verdade, na questão dos pontos onde as semelhanças estejam presentes, e não nas diferenças. É no que se tem em comum que desencadeia de toda essa aparente revolta contra o outro, o diferente, vulgo desajustado e indesejado para a norma padrão da sociedade.

O dito cidadão de bem vai criando seu ódio subconscientemente, através de uma cultura de repressão, de uma mídia massacrante condicionando seu pensamento pela propaganda massiva e os governos de estado controlados por interesses econômicos e políticos contrários a uma equidade dentro da sociedade. O cidadão alemão médio odiou e se deixou influenciar pela ideologia nazista, pois esta jogava a culpa da crise econômica alemã no judeu; O branco sulista ataca o negro por este supostamente roubar seu emprego e oportunidade de melhoria de vida; A classe média brasileira quer a higienização social, pois não suporta pobres frequentando shoppings e outros ambientes públicos com eles. bandeira-do-brasil.gif Este ódio é originado então por que todos estes grupos são mais próximos no seu estilo de vida do que a alta classe, gerando uma frustração enorme no grupo agressor, pois ao perceber sua proximidade muito maior com a parte de baixo da pirâmide social do que com a parte de cima, o cidadão médio se sente inferior. É pela inveja que sente dos grupos dominantes é que toda sua raiva irracional imerge do subconsciente, buscando a culpa de seus fracassos e erros em quem está em situação mais vulnerável, afinal, bater em cachorro morto é mais fácil.

Atos de ódio coletivo contra uma minoria vulnerável sempre afloram em tempos de crise, onde se busca um bode-expiatório e vilão da situação ruim em que se encontra. Na Alemanha nazista fora o Judeu, no Sul racista dos EUA derrotado na guerra foi o negro, atualmente na Europa são os refugiados da guerra na Síria e hoje no Brasil (como em toda a História desde a chegada dos portugueses) a culpa recai sobre os ombros dos pobres. É o modus operandi eterno em que a corda sempre rompe no lado mais fraco, com os vencedores e vencidos de sempre.


Guilherme Lima

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