escritos da ansiedade

Ideias de alguém tentando não viver o futuro no presente

Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC

A Lucidez Sobre O Jogo Político e seus Mandantes

A realidade da conjuntura política atual e os sentimentos gerados que podem(ou não)fazer com que a sociedade consiga modificar o retrógrado modo de se fazer política.


Nestas andanças inglórias que contornam a nossa conjuntura política atual, os indicativos parecem ser de uma completa consumação da vitória de um status quo fúnebre, floreado nos mais idílicos mausoléus de corrupção, patifarias e outras tantas vilanias que somente a política de nosso viciado sistema consegue contemplar. O ser humano em si é no seu cerne um animal político, o que lhe diferencia do restante de outros seres presentes neste pequeno globo azul que vaga no espaço sideral. A política é algo que em sua origem é fundamental para o desenvolvimento e constante transformação da sociedade, via em que a humanidade resolveria suas discordâncias sem apelar para o confronto físico e consequentemente, a guerra e destruição. No dicionário, o significado de política é: a ciência da governança de um Estado ou Nação e também uma arte de negociação para compatibilizar interesses. O termo tem origem no grego politiká, uma derivação de polis que designa aquilo que é público. O significado de política é muito abrangente e está, em geral, relacionado com aquilo que diz respeito ao espaço público. . Mas o que se faz hoje é Politicagem, que está descrita assim no mesmo dicionário:Política que tem por objetivo atender aos interesses pessoais ou trocar favores particulares em benefício próprio. Política reles e mesquinha de interesses pessoais .

A estrutura de nosso sistema político acabou convencionando o uso da maquina pública para fins escusos, disponibilizando o Estado e todo seu aparato para as segundas intenções dos interesses estritamente individualistas, modificando o publico em privado pelos meios mais torpes e tortos, onde a lista de métodos utilizados para tal objetivo é muito maior que o numero de gols que Pelé fez em sua carreira. Vicissitudes derivadas das relações de clientelismo, mandonismo, conchavos entre pares e iguais, alianças espúrias, tramas envolventes que fariam corar o roteirista de House Of Cards. Da colonização ao Império, passando pela 1ª república, ditadura militar e a redemocratização, a utilização da política cá neste território que se foi construindo o estado brasileiro, foi exposta as vilanias de mandatários responsáveis em tese pela representação dos interesses públicos da sociedade em sua totalidade, mas que utilizaram e ainda utilizam seus cargos públicos a fim de perpetuar-se tanto seu indivíduo quanto aqueles que os apoiam, a usando como vaca leiteira, mamando no nutritivo leite da legitimidade que em certos momentos era vontade divina como de nossos antigos Imperadores, e hoje está consagrado pelo voto da soberania popular democrática em nosso regime atual presidencialista, embora desde a redemocratização em 1985 já tivemos 3 presidentes que não foram eleitos através do voto. politica-politicagem.jpg

Estes governantes ao longo da história brasileira são de variados grupos com determinada influencia de poder, mas é possível perceber que estes se perpetuam e conseguem manter pequenos grupos ligados ao tripé de poder político-econômico-religioso. Poderíamos chamar estes de diversas formas: elite, classes dominantes, coronéis, etc..., mas talvez a alcunha de mandões, se encaixa melhor para os desmandos que estes acometeram e ainda acometem na política brasileira. No vai-e-vem de ideias, movimentos, regimes, governos, ideologias, acaba-se mantendo a exclusividade do poder a poucos. Seguimos a tendência de que quem Concentra Renda, também concentra enorme poder político em suas mãos. Guiando os meios de como o Estado age, estes donos do poder legitimam sua condição como tais através de subterfúgios legalistas, argumentações de falso moralismo impondo suas vontades e interesses mesquinhos, acobertando os mesmos no véu de leis, regimentos e regulamentos, dando caráter de uma pseudo-ética de aceitação jurídica e apoio popular para seus atos. Vai se passando anos e modelos de governo, e a forma e estrutura de se fazer a política permanece quase inalterada por estes, seguindo uma norma das pretensões do privado transformando o publico numa privada.

A arte de governar pelo interesse público assume caráter falacioso, um engodo transformado em ferramenta de persuasão política. Saber como funciona todo este pernicioso sistema, gera o infortúnio que a lucidez excessiva nos acomete: a noção de estar inserido numa espinhosa e decrepita estrutura, permeada por injustiças sociais, exclusão e massacre de minorias, alienação política, perpetuação da ignorância, descaso com tudo aquilo que é de interesse publico e majoritariamente da população. Isto é de caso pensado, pois o modelo que da base para o poder destes poucos é alienando e deixando a maioria na ignorância, adotando discursos e propagando inverdades através do senso comum, bem como dos mais variados métodos de convencimento por falas enfeitadas e bem rebuscadas, onde qualquer publicitário e marqueteiro político de meia pataca consegue elaborar, transformando discursos de palanques em um conto de fadas, que ao invés de começar com "era uma vez" é iniciado com "quando em for eleito prometo..." protestantes-ocupam-cobertura-do-congresso-na-noite-desta-segunda-feira-.jpg Em meio a toda estes disparates dos meandros do poder, midiatizados aos borbotões ( que também, precisamos deixar claro, é publicitado pelos veículos de comunicação a fim de manter ou defender interesses políticos e financeiros)é extremamente difícil manter alguma esperança ou noção de melhora. Esta situação então gera um dos mais perigosos sentimentos para um momento como este que é o conformismo. Somos envolvidos por toda a negatividade envolta em gigantescos escândalos políticos sucessivos, possibilitando uma certa depressão coletiva com a configuração política. Se é sobrepujado com a sensação de certa inutilidade em se indignar, lutar e buscar a melhora, pois o sistema é muito forte e que não se pode ir contra a maré, de que no final das contas, a dor é menor quando nos resignamos. Exatamente é isto que querem: evitar a revolta, o debate e a capacidade de indignação. De cidadãos com papel de agentes transformadores da realidade social, estamos sendo paulatinamente transformados em carne da indústria eleitoral pelo moedor da má-fé dos joguetes políticos e seus viciados dados. Atualmente se faz politicagem, e não política.

Não se deve demonizar a política, pois é exatamente isto que faz que aqueles que a utilizam de modo sujo se perpetuem no poder. Faz-se mais do que nunca, eu diria que urge o sentimento de revolta e acima de tudo, de mudança. Buscar uma conscientização e entendimento deste malévolo modelo político para modifica-lo, buscar alternativas e soluções para além das teorias tão belas no papel e fazer sua práxis, estas infelizmente existem apenas no floreado discurso acadêmico. Ao manter-se a ideia somente no discurso, se passa a impressão de que as vitimas do sistema se tornam somente objetos de estudo e estatísticas aplicadas sobre desigualdade social, números e histórias para algum livro ou tese de doutorado. Não existirá mudança se não houver resistência e embate, sobretudo de ideias, fazendo as pessoas perceberem que de fato, podem organizar-se e buscar transformar a sua realidade. Basta nos debruçarmos sobre a História, e ver que o exemplo da queda da Bastilha não foi feita por doutores e intelectuais num café a beira do Rio Sena em Paris, mas sim por aqueles que estavam indignados por não conseguirem ter como comprar o pão de cada dia.


Guilherme Lima

manias acompanhadas de TOC.
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