espacialidade

Geobiografia dos Lugares

Wallace Pantoja

Geobiógrafo dos lugares, os que existem e os que ainda não, morando no centro e vivendo nas bordas, sonhando com o entre.

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    Quem construiu a Tebas de sete portas?

    O cineasta Vladimir Carvalho apresenta o percurso entre realização de documentários, formação em cinema no DF e outras brasílias na ditadura civil-militar para além do ufanismo modernista da capital. O projeto Cartografia Poética do Cinema brasiliense apresenta os seus resultados. O projeto tem financiamento do Fundo de Apoio à Cultura do DF, produzido pelo Instituto Terceiro Setor (ITS) em parceria com o Centro de Cartografia e Informação Geográfica (CIGA-UnB).

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    CORONAVÍRUS, ORIENTAÇÃO GEOGRÁFICA E PUNIÇÃO DIVINA AOS GAYS

    Orientação geográfica no mundo é, antes de qualquer coisa, o direcionamento dos corpos sobre outros, não raro buscando colonizar os espaços por uma visão autocentrada de certo, bom e justo, criando inimigos comuns para ereção de projetos que vão remapear o possível e o subjetivo.

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    A FRATURA PANDÊMICA: ENTRE CONTROLE TOTAL E SAÚDE VITAL

    Desejosos dos usos da tecnologia disponível para impedir contaminações, atiramo-nos em soluções que podem ser a porta para combinação de controle corporal dos espaços e contatos íntimos, policiamento repressivo preconceituoso aceitável e o uso de símbolos como Pátria e Deus para matar os "indesejáveis" e, no limite, o próprio viver.

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    O terror autoritário pelo fim das certezas ideais

    Vivemos a conexão massiva dos desejosos pelas certezas ideais e paralisias autoritárias, ao ponto de provocarem mudanças políticas, sociais, familiares e pessoais que aterrorizam e, no limite, tentam matar todo aquele e todo o saber que aponta para o tempo indeterminado e o espaço mais caótico da existência, terreno da criatividade e abertura ao ser livre.

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    Os efeitos de um patriotismo (des)topográfico

    Quando reduzo o Brasil à imagem achatada e plana, aplacando meu desejo narcísico de controle dos afetos e comportamentos, produzo a mentira no ceio da verdade sobre o que é o bem, a família e a fé. E como a mentira da simplificação de um país complexo e plural me assola, escapo dela provocando a inexistência do real, num círculo patológico cuja solução redutiva é sintetizada no slogan: "Meu partido é o Brasil", sem perguntar de que Brasil sou partidário...

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    BRASÍLIA: UM PINÁCULO FRIO E MEDONHO SE ERGUE

    Deriva situacionista na paisagem referência de Brasília - o Congresso Nacional e as Esplanadas dos Ministérios - como imagem síntese de um não-futuro da nação que decidiu assumir-se como monolítica, na relação com o próprio território, cada vez mais fóbico, gélico e fechado.

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    A arte afro-amazônica de Nega Suh

    Ela faz da arte negra seu fundamento de ser. Grafita a face da mulher convidando ao diálogo sobre a experiência afro-amazônica na periferia da urbe belemense. Nega Suh é um atravessamento de referências não separáveis que contesta de seu lugar de fazer-arte nossas representações padrões sobre feminismo, negritude e cidades amazônicas.

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    O homem revoltado "pela vida de todas as mulheres" - o universalista desengajado

    Ele pode ser um amigo, eu ou você. Tem visão algo progressista, não se percebe como machista - bem ao contrário - é a favor da vida de todas as mulheres. Porém, não perde um minuto em usar a morte de uma contra a organização e engajamento de tantas outras, que lutam diariamente frente a violência pessoal, estrutural e ainda precisam lidar com machos que lançam na lama toda uma rede de auto-afirmação coletiva: o universalista desengajado.

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    Publicidade e Política

    Quando a publicidade se torna uma dimensão central de nossas vidas, a política não pode deixar de recorrer a mesma para revalidar seus partidos e candidatos já pré-escolhidos em perfis consumíveis para nós, confusos no mar de informações e decisões sociais e individuais.

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    Mapas imaginários reais e "não-reais" ou quando a inexistência é imposição da referência zero que confina o Outro

    Como a projeção em mapas que usamos na educação de crianças em vicinais/ramais na Transamazônica pode desmobilizar atos criativos de novas projeções que se articulam em projetos pessoais e coletivos de viver em campo.

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    A VISÃO ESSENCIALISTA (E CÍNICA) EM RELAÇÃO AOS POVOS INDÍGENAS

    Nossa visão sobre os povos indígenas brasileiros é politicamente estratégica: ao decretarmos o que é um índio verdadeiro - um tipo de duende da floresta paralisado no tempo - negamos que tais povos possam viver no espaço contemporâneo e, portanto, negamos a legitimidade das suas lutas por território, pelos seus lugares geossimbólicos e por um projeto de futuro sociodiverso realizável. Negamos também que possam utilizar todo o aparato técnico disponível na sua luta em um país que os empurra, com nossa conivência, ao abismo.

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    10 confissões de uma cartografia esquizoide

    A Cartografia - linguagem que traduz a realidade em mapas - vai ao confessionário. Linda, objetiva, racional; vomita dez confissões inconfessáveis para uma filha da moderna ciência de nossos tempos.

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    CARTAS SOBRE A AMAZÔNIA

    A Amazônia existe pelo que não é nas imagens geocartográficas produzidas pela ciência que se acredita descontaminada da vida que estuda. Em meu encontro com famílias no interior da amazônia paraense; e no encontro comigo mesmo como indígena, partilho uma reflexão sobre a inexistência como projeto de extermínio de povos amazônicos e a tomada de seu conhecimento vivo por pensadores do momento. Um pequeno convite à autocrítica e o efeito do aprendizado sobre nós e os outros. E o outro - em seu onde formativo - nos convida a sentir-mo-nos na diferença criativamente liberadora de saberes novos e autônomos.

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    AS PAREDES DE MAURÍCIO FRANCO - DE ESPAÇOS OUTROS

    A tela é o suporte para a pintura e, em galerias, as paredes são os suportes invisibilizados. O trabalho de Maurício Franco, artista visual de Belém do Pará, espraia na parede um desafio de encontro entre pintura e suporte, não como algo do "estar-sobre", mas do "estar-com", na medida em que os pedaços soltos do reboco, a sujeira cotidiana, as rachaduras e fraturas compõem o conjunto artístico despretensioso e, por isso mesmo, uma abertura marginal para outros mundos, outros espaços.

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    A MAGNÍFICA, E DELIMITANTE, DESCOBERTA DA FÍSICA

    O extraordinário feito dos físicos contemporâneos ao comprovar que Einstein estava certo sobre o "som do universo", explodiu nas redes do mundo inteiro, revelando uma tendência à fisicalizar nossas relações universais - mas até que ponto partilhamos, em nossos cotidianos, o sistema de compreensão do que deve ser o real erigido pelos físicos?