espacialidade

Geobiografia dos Lugares

Wallace Pantoja

Geobiógrafo dos lugares, os que existem e os que ainda não, morando no centro e vivendo nas bordas, sonhando com o entre.

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    A VISÃO ESSENCIALISTA (E CÍNICA) EM RELAÇÃO AOS POVOS INDÍGENAS

    Nossa visão sobre os povos indígenas brasileiros é politicamente estratégica: ao decretarmos o que é um índio verdadeiro - um tipo de duende da floresta paralisado no tempo - negamos que tais povos possam viver no espaço contemporâneo e, portanto, negamos a legitimidade das suas lutas por território, pelos seus lugares geossimbólicos e por um projeto de futuro sociodiverso realizável. Negamos também que possam utilizar todo o aparato técnico disponível na sua luta em um país que os empurra, com nossa conivência, ao abismo.

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    10 confissões de uma cartografia esquizoide

    A Cartografia - linguagem que traduz a realidade em mapas - vai ao confessionário. Linda, objetiva, racional; vomita dez confissões inconfessáveis para uma filha da moderna ciência de nossos tempos.

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    CARTAS SOBRE A AMAZÔNIA

    A Amazônia existe pelo que não é nas imagens geocartográficas produzidas pela ciência que se acredita descontaminada da vida que estuda. Em meu encontro com famílias no interior da amazônia paraense; e no encontro comigo mesmo como indígena, partilho uma reflexão sobre a inexistência como projeto de extermínio de povos amazônicos e a tomada de seu conhecimento vivo por pensadores do momento. Um pequeno convite à autocrítica e o efeito do aprendizado sobre nós e os outros. E o outro - em seu onde formativo - nos convida a sentir-mo-nos na diferença criativamente liberadora de saberes novos e autônomos.

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    AS PAREDES DE MAURÍCIO FRANCO - DE ESPAÇOS OUTROS

    A tela é o suporte para a pintura e, em galerias, as paredes são os suportes invisibilizados. O trabalho de Maurício Franco, artista visual de Belém do Pará, espraia na parede um desafio de encontro entre pintura e suporte, não como algo do "estar-sobre", mas do "estar-com", na medida em que os pedaços soltos do reboco, a sujeira cotidiana, as rachaduras e fraturas compõem o conjunto artístico despretensioso e, por isso mesmo, uma abertura marginal para outros mundos, outros espaços.

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    A MAGNÍFICA, E DELIMITANTE, DESCOBERTA DA FÍSICA

    O extraordinário feito dos físicos contemporâneos ao comprovar que Einstein estava certo sobre o "som do universo", explodiu nas redes do mundo inteiro, revelando uma tendência à fisicalizar nossas relações universais - mas até que ponto partilhamos, em nossos cotidianos, o sistema de compreensão do que deve ser o real erigido pelos físicos?

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    A EXAUSTÃO DA JUVENTUDE

    Vivemos em uma sociedade que se parece mais com a academia fitness que com um presídio, não é o estranho a principal doença, mas nós mesmos pela saturação do ter-que-ser, o que leva ao infarto da alma nesta geografia entupida de estímulos e positividade. Na condição atual a juventude se exaure em nome do "eu posso", pretendendo o altíssimo desempenho multitarefado, acaba caindo pelo caminho do excesso de si.

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    DE LUGARES QUE JÁ FORAM - REFLEXOS DA AUSÊNCIA

    A ordem do dia é conservar o patrimônio, para gerações futuras os destroços de nosso passado comum. Contra esta ditadura da visibilidade, a performer e atriz Rosilene Cordeiro, com fotografias de Denis Bezerra e Elma Totty, criam uma fenda temporal em corpo-presente na "Performance a São Marçal", realizada em Icoaraci, distrito industrial de Belém do Pará (Brasil). Per-formar o que não entra nas listas tombadoras locais ou globais; usando o báculo do santo, afronta nosso narcisismo ao presentificar o óbvio soterrado: temos lugar(es) próprio(s) e nossa posição repercute o que vemos, lembramos, somos e esquecemos.

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    BRASÍLIA - ILUSÕES DA VIDA CAPITAL

    A capital do Brasil, reconhecida por sua monumentalidade banhada em luz profissional, se apresenta como movimento, água e pilhas de livros. Anônimos que, no centro, criam para si uma ilusão quente, sem a qual, talvez, nenhum brasileiros se reconheceria como membro da nação. O que temos aqui é um exercício de tensões vividas no "nervo motor" dessa comunidade concretamente imaginária.

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    TRANSAMAZÔNICA - IMAGENS DA VIDA ENTRE LUGARES

    Estradas se projetam como conexões de um ponto ao outro. O que esquecemos é que há vidas neste espaço entre pontos. A Transamazônica é um exemplo de "eliminação", na consciência coletiva, da vida à beira da estrada - e toda a sua poética existencial - sobrevivente no mundo urbano que privilegia o olhar de quem atravessa e não de quem vive no caminho.

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