espacialidade

Geobiografia dos Lugares

Wallace Pantoja

Geobiógrafo dos lugares, os que existem e os que ainda não, morando no centro e vivendo nas bordas, sonhando com o entre.

Mapas imaginários reais e "não-reais" ou quando a inexistência é imposição da referência zero que confina o Outro

Como a projeção em mapas que usamos na educação de crianças em vicinais/ramais na Transamazônica pode desmobilizar atos criativos de novas projeções que se articulam em projetos pessoais e coletivos de viver em campo.


filhos de seu francisco.jpg Imagem retidada das filmagens do documentário À Beira da Faixa (2013)

Desafio quem suponha que a projeção cartográfica tristemente repetida nas produções que alimentam difusamente a fundante concepção de Amazônia Poligonal como escala-signo que mediatiza/nivela/inexiste/dilui/hipersisibiliza por estereótipo as outras, seja mais “mais real” (aspas é para fingir que não a tomamos assim) que os mapas mentais e corporais “tensíveis” de pregnância situada, evocando símbolos vicinais historicamente agregados e, ao mesmo tempo emocionalmente mobilizados para configurar um mundo que na sua impossibilidade em termos de conteúdos e alternativas ao futuro dos/as assentados/as se refaz com repertório geohistórico próprio, em direção à variação e ao novo, são desenhos infantis que presentificam relacionalidade com a vicinal, entrelugar da miséria, da luta, da criação, do cultivo e do lúdico no ato de aprender pessoal e coletivamente a si e ao mundo, sem um fechamento desta relação ou sua rigidez projetivamente formal.

Antes de aprender a projeção de Mercator, Cilíndrica, Azimutal ou outra que co-forma nossa expressividade cartográfica, seria central abrir a projeção ao que ela é em contexto vicinal educativo: ligadura situada (e, às vezes, em situação-limite) entre concepção e grafismo, assim, um dos fundamentos mais importantes da feitura e leitura dos mapas deixaria de ser o verticalismo aceito como "imaginativamente mais real" e deixaria, já está deixando em iniciativas agregadoras, vazar variabilidade projetiva que, não raro, pregna-se (ou pode exercer pregnância) em projetos novos no refletir, criar interpretabilidade e agir na conexão lugar-corpo-mundo.

seu francisco.jpg Arte: Mikhail Mxzyptlk Alan, a partir das filmagens do documentário À Beira da Faixa

Seu Francisco, fazendo o mundo circundante confinado - seu lugar como impossibilidade projetiva - por fazendeiros e com 5 filhos para criar. "Não posso ir pra li, nem pra li, nem pra li, oh! Então tem que ser aqui - olhar cansado e mãos juntando-se como que apertando seu corpo - eu não sei o que vou fazer para dar de comer pros meus filhos". Enquanto isso as crianças (imagem inicial) saem para e escola, livro de geografia no braço para aprender a fazer mapas "certos" com Mercator e Euclides.


Wallace Pantoja

Geobiógrafo dos lugares, os que existem e os que ainda não, morando no centro e vivendo nas bordas, sonhando com o entre..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/sociedade// //Wallace Pantoja