espaço cósmico

Ligeiras matutagens sobre tudo e mais um pouco

Cosme Rogério

Filósofo, sociólogo, ator, poeta, cantador e produtor cultural.

Literatura histérica

Há quase três anos, o fotógrafo Clayton Cubbit desenvolveu um projeto para mostrar mulheres sendo, aparentemente, estimuladas sexualmente para atingir o orgasmo durante a leitura de um livro. O resultado foi uma série de vídeos sugestivamente batizada de "Hysterical Literature" ("Literatura Histérica", em português), que, ao explorar o dualismo mente/corpo, acaba também por ajudar a refletir sobre o contraste entre cultura e sexualidade.


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Meados da segunda década do século XXI. Ainda é difícil falar de orgasmo. Do gozo feminino, então... Em algumas sociedades e religiões, isso não é apenas tabu, mas praticamente um crime. Que o diga o regime do Talibã!

Diante dessa realidade, e pretendendo expor o contraste entre cultura e sexualidade, o conceituado fotógrafo estadunidense Clayton Cubbit concebeu o projeto chamado “Hysterical Literature” (Literatura Histérica), no qual ele filmou oito mulheres durante o prazer da leitura (literalmente) de clássicos diversos. Lançado em agosto de 2012, a série de vídeos alcançou enorme sucesso em todo o mundo.

Em suas “sessões histéricas” (referência aos tratamentos da “histeria” típicos do século XIX, nos quais os médicos “massageavam” as pacientes manualmente ou com o auxílio de instrumentos, até elas alcançarem o “alívio”), as leitoras foram sexualmente estimuladas durante a gravação da atividade intelectual até atingirem o orgasmo.

“Há algum tempo eu ando interessado no conceito de controle e autenticidade em retratos, principalmente nesses tempos modernos de ‘personal branding’, autorretratos no Facebook e autodocumentação incessante no Instagram. O que sobra para o retratista revelar? Como podemos chegar a algo verdadeiramente real?”, questiona Cubbit. Daí a busca, em seus retratados, por esse “real não-dissimulado”. “São tentativas de ver algo que eles não estão tentando me mostrar”, acrescenta o fotógrafo.

Para Stoya, primeira convidada do projeto, “as partes mais importantes do sexo estão nas insinuações daquilo que não podemos ver”, exatamente como propõem os vídeos, já que só podemos conferir o resultado dos estímulos ocultos sob a mesa de leitura, isto é, o excitante gozo das leitoras.

Clique nos links abaixo para assistir aos vídeos. Ou, se preferir, leia um livro!

Sessão 1 – Stoya lendo “Necrophilie Variations”, de Supervert

Sessão 2 – Alicia lendo “Leaves of Grass”, de Walt Whitman

Sessão 3 – Danielle lendo “Still Life With Woodpecker”, de Tom Robbins

Sessão 4 – Stormy lendo “American Psycho”, de Bret Easton Ellis

Sessão 5 – Teresa lendo “Sexing the Cherry”, de Jeanette Winterson

Sessão 6 – Solé lendo “Beloved”, de Toni Morrison

Sessão 7 – Amanda lendo “A Clockwork Orange”, de Anthony Burgess

Sessão 8 – Margaret lendo “Sleeping Beauty”, de A. N. Roquelare


Cosme Rogério

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