espaço cósmico

Ligeiras matutagens sobre tudo e mais um pouco

Cosme Rogério

Filósofo, sociólogo, ator, poeta, cantador e produtor cultural.

Bem vindo, McFly!

Nos trinta anos da trilogia "De volta para o futuro", toda “previsão furada” a respeito de como seria o mundo em 2015 deve ser perdoada. Afinal, como disse o sábio Doc Brown no encerramento da Parte 3, “o futuro ainda não está escrito!”.


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Trinta anos. Esperei a vida inteira por este momento, que finalmente chegou: 21 de outubro de 2015 - a data em que Marty McFly, sua namorada Jennifer Parker e o seu mentor, Dr. Emmett Brown, fizeram uma visita ao seu futuro, vindos direto do ano de 1985 (eu ainda iria completar três anos de idade...). Desta vez, depois de viajar para o ano de 1955, conhecer seus pais na juventude, alterar o andamento das coisas e, por causa disso, ter de fazê-los se apaixonarem (caso contrário, sua existência estaria ameaçada), McFly precisou ir (ou vir?) até o ano de 2015 com a missão de evitar que seus filhos fossem presos por um crime que não cometeram (ou não cometeriam?). Assim começava a segunda parte de uma das mais aclamadas trilogias cinematográficas de todos os tempos (perdoe o trocadilho).

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De volta para o futuro” (1985) completa três décadas em meio a celebrações espalhadas por todo o mundo. Nerds e oitentistas têm se articulado em torno do tema; cinemas e cineclubes prepararam maratonas de exibição; artigos se multiplicam com as mais variadas análises, desde as que discutem os princípios de física aplicados aos experimentos científicos do filme até as mais profundas questões sócio-filosóficas que emergem da trama.

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O ponto comum em todas essas discussões é acerca das previsões “furadas” acerca de como seria o futuro, trinta anos depois dos eventos vividos em 1985. O filme acertou em imaginar televisores de tela plana exibindo mais de um canal simultaneamente, tablets e óculos de realidade virtual. Mas ainda não são realidade os carros voadores, o uso de lixo na produção de energia veicular e, talvez o elemento mais icônico da série: o hoverboard, ou, simplesmente, o “skate voador”, embora haja algumas tentativas ensaiadas como a Slide e a Hendo Hover, ambas flutuantes por levitação magnética.

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Se os protagonistas da série cinematográfica tiveram problemas com o tempo, foi justamente o tempo, a época da produção e do lançamento, o motivo maior do seu sucesso definitivo, não tendo interessado (especialmente ao roteirista Bob Gale) a proposta de nova versão. Segundo o historiador de cultura pop estadunidense Caseen Gaines, em depoimento para O Globo, “um reboot de ‘De volta para o futuro’ seria um fracasso completo, e a razão é que os filmes foram feitos na época certa. Se fosse hoje, Marty voltaria no tempo e veria Madonna, Tartarugas Ninjas, diversas bandas e seriados que ainda existem, como os Rolling Stones… Não seria muito diferente. A cultura americana mudou muito mais entre 1955 e 1985 do que entre 1985 e 2015”. Para o vlogger Pablo Peixoto, do canal “Qu4tro coisas” no YouTube, “Nos anos 1980, a visão que a ficção tinha do futuro era sombria, opressiva, cyberpunk, como podemos ver em ‘Blade Runner, o caçador de androides’ (1982). Já em ‘De volta...’, o futuro era colorido, com coisas legais acontecendo. É uma fábula futurista divertida”.

Toda “previsão furada” a respeito de como seria o mundo em 2015 deve ser perdoada. Afinal, como disse o sábio Doc Brown no encerramento de “De volta para o futuro – Parte 3”, quando a aventura se desenrola no Velho Oeste, “o futuro ainda não está escrito!”.


Cosme Rogério

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