espantalho lírico

serviçal do inutilitarismo e do inecessário

ronaldo coelho teixeira

...porque o sabre sabe
que sangrar
é a parte que me cabe...


Escritor e jornalista, mas acredita que o jornalismo tem sido a moeda de troca mais barata depois da poesia.

Competições e comparações

Fomos feitos para ser diferentes. A grande ironia é que o próprio desenvolvimento do Homem já está, de antemão, comprometido. Pois, por mais competente que ele possa ser, vai ter de se conformar com os padrões sociais já pré-estabelecidos. A redenção só acontece mesmo quando alguém chega ao ponto de realmente aceitar que é diferente.


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Fomos feitos para ser diferentes. Apesar da sua correria diária, num certo dia, em algum momento da sua vida você também já chegou a essa conclusão. Mas, porque quando olhamos à nossa volta chegamos apenas a essa indagação: não parecemos tão iguais? Eternos competidores e comparadores entre si desse sistema social.

Esse processo tem início bem cedo. Começa em casa, quando os pais (a maioria) inconscientemente já adotam esses dois verbos, tornando-os ações entre os seus filhos nas mais diversas tarefas diárias. Ou você nunca viu (ou viveu!) um pai ou uma mãe reclamar para um filho que ele, no ato de realizar um serviço, não o está fazendo igual ao seu irmão, seja em rapidez ou qualidade?

Na escola, tudo acontece da mesma forma. Quem já não ouviu ou também viveu a situação em que um professor ou uma professora chama a atenção de um determinado aluno, cobrando dele o mesmo desempenho de um outro, sem conhecer sequer a história pessoal de cada um deles?

O circo dos horrores continua e tem o seu ápice no mundo dito adulto e civilizado. É só atentarmos para as ferramentas utilizadas constantemente, nas empresas em especial. Um caso emblemático é o do “Vendedor do Mês”. Sempre vai ter um funcionário que nunca chegará a obter essa ‘glória’, simplesmente porque ele não nasceu para tal propósito. Está ali por um acaso (a exceção), ou uma necessidade (a regra).

A paranóia chega a tanto que acabamos sentindo-nos culpados se em algum momento não estamos fazendo nada. Parece até que há uma voz interior dizendo sempre: - Você precisa se mexer, porque se não o fizer, alguém o fará em seu lugar!

E a grande ironia desse sistema competitivo é que o próprio desenvolvimento do Homem já está, de antemão, comprometido. Pois, por mais competente que ele possa ser, vai ter de se conformar com os padrões sociais, padrões esses já pré-estabelecidos.

Esquecendo que é totalidade e não perfeição o que realmente cada um deve esperar do outro, como disse Jung, seguimos pagando o alto preço que é carregar essa dor de saber que fomos feitos para ser diferentes, mas no fim, parecemos todos tão iguais.

A redenção só acontece mesmo quando alguém chega ao ponto de realmente aceitar que é diferente. Aí sim, a partir desse instante, para essa pessoa não vai mais haver nem competições, nem comparações.


ronaldo coelho teixeira

...porque o sabre sabe que sangrar é a parte que me cabe... Escritor e jornalista, mas acredita que o jornalismo tem sido a moeda de troca mais barata depois da poesia..
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