esquina do Óbvio

Porque a genialidade está à esquina do óbvio

Gerson Avillez

Fotógrafo e homem da prática de letras nas horas vagas, teólogo e pedagogo por formação, filósofo autodidata e por vocação. Descendente direto do Tenente-General Jorge Avillez, portador da Síndrome de Aspeger, trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, tendo fotos publicadas em jornais do Rio de Janeiro. Posteriormente trabalhou na Rede Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI especialmente na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), tendo escrito artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, Primeiro Capítulo e é autor de destaque da Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tem 21 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Editora Multifoco).Convido-os a curtir minha página no facebook: www.facebook.com/Filoversismo

Conto: Terras do Amanhecer eterno

Quando um asteroide atinge a Terra, uma colônia lunar fica só por décadas até resolver retornar a seu antigo lar desfigurado, e onde a rotação parou criando zonas de crepúsculos onde os únicos sobreviventes são moradores de cavernas que acreditam que superman é um deus.


"Terá lugar uma grande translação, a tal ponto que todos pensarão que a Terra teria perdido seu movimento natural e estaria mergulhando nas trevas perpétuas. Antes disso, haverá sinais no ponto vernal. [...]" Michel Nostradamus

Colônia Lunar, Lunastar, Montes Haemus, Mar da Serenidade A terra parecia pacifica vista de cima, como se não fosse neste lugar de onde surgiu a raça humana, e nunca tivessem ocorridos guerras e holocaustos como o judeu. Mas por de baixo desta superfície pacífica silenciada pelo vácuo do espaço-sideral, serenidade confundia-se com algo do qual os habitantes da primeira - e única - colônia lunar veriam mudando por completo suas vidas. Mantinham-se por uma fonte de gelo encontrada próximo ao mar da serenidade onde muitos séculos atrás teria pousado a Apollo 15, que, porém, guardava momentos de apreensão por olhos fixados no redondo planeta azul. Foi quando um enorme clarão silencioso irrompeu, crescendo sob o planeta onde estes viram por um telescópio as nuvens serem arrastadas como se fosse mera poeira carregada pela espuma das ondas do mar. Pouco a pouco aquele mundo mudou de cor para um pálido e abiótico cinza, fazendo os olhos daqueles humanos presenciarem tal com os olhos brilhantes de tristeza. Um asteróide de grandes proporções Vindo do Complexo Taurid atingiu o pequeno mundo alvo de tantas guerras pelo próprio homem em sua mediocridade, provocando desta vez por algo maior, um hecatombe por meramente este pequeno planeta azul estar em seu caminho. “Desta vez somos nós os dinossauros”, retrucou um daqueles presentes numa grande sala coberta por um vitral que separava a atmosfera do vácuo da superfície da lua. De fato, mesmo que a autonomia deles fosse de dois anos por serem capazes de plantar, uma nave realizava periódicas viagens ao local para reparos e atualizações diversas mesmo que fossem capazes de produzir alimentos e alguns equipamentos mais simples para uso próprio, tal como a partir da exploração de um mineral mais comum por lá que na terra, e pesquisas avançadas sob baixa gravidade de elementos que supostamente dariam maior resistência a fontes diversas de radiação. Faziam quatro meses desde a última atracação interplanetária no local, de modo que começaram a se perguntar por quanto tempo sobreviveriam, pois segundo estimativas não poderiam retornar aquele mundo pelos próximos anos, isto é, se algo restou dele. Pois todo tipo de comunicação estabelecida com qualquer um que fosse se perdeu para sempre, creram eles... Foi então que nasceu o primeiro ser humano na lua. Nomeado pelos pais por Luan Hanus que cresceu sob o carinho de alguns, e remorso de outros que passaram o chamar pejorativamente de lunático. Mas as condições de gravidade baixas no local permitiram que o jovem crescesse mesmo que sem a mesma força muscular que os nativos da terra, o que fez ele destoar dos demais. Aconteceu então que eles tinham um transporte para duas pessoas, sem retorno para a Terra, e passando os longos anos, à colônia cada vez mais ficou enfraquecida em sua estrutura pendente de reparos e atualizações que não conseguiam mais suprir. Se perguntaram eles se não deveriam mandar um dos deles para a Terra a procura de sobreviventes, pois os demais haviam fugido pelo portal de Diamanti, o colossal anel construído para suportar a abertura estável de um wormhole natural descoberto por Leonnel Lennox próximo a terra. Não havia mais contato com nenhum terrestre, mas em observações registraram possíveis formas de vidas que surgiram duma cratera aberta pelo asteróide colossal, mesmo que não houvesse qualquer forma de vida neste por expedições realizadas antes de sua colisão. As perguntas que se criaram então, quando o longo e terrível inverno pós-hecatombe dispersou as espessas nuvens cinzas revelando cidades e cidades como deserto, e que a rotação do mundo simplesmente havia paralisado tornando uma face tal como da lua mergulhada nas mais profundas trevas enquanto outra num infernal e interminável dia sendo apenas sucedido após seis meses, graças à rotação do sol, tornando o dia num longo e interminável inferno, e as noites dum frio abiótico. Mas haviam construções subterrâneas que desciam fundo abaixo da terra, tal como a possibilidade de alguns terem retornado. Deste modo vendo-se eles encurralados por temer morrerem naquele local lunar pela diminuição da fonte de gelo e o desgaste da própria colônia, resolveram selecionar eles dois homens para irem até a terra a procura de sobreviventes. A maioria das pessoas ou eram de idade por demais avançadas, ou muito novos, outros "lunáticos" que nasceram após Luan. Ai então que o jovem Luan se tornou escolha natural para retornar ao lugar de onde seus pais vieram, e que ele apenas conhecia por vídeos e fotos. Mas quando se preparava para o retorno, em suas constantes buscas por sinais de rádio ou qualquer outro que perpetuasse como sinal de que haviam sobreviventes, um homem recebeu uma mensagem de péssima qualidade como que uma gravação de emergência recém ligada. Tal falava de sobreviventes, mas que sofriam de um mal singular provocado pelo material extreterreno do asteróide tal como relatos de estranhos seres mutantes que teriam surgido da enorme cratera aberta. Com um sinal péssimo e rebuscado, a mensagem se repetia sendo interrompida bruscamente ao seu final, mas como esperança de alguém da terra tivesse suas preces ouvidas pelos que abandonaram o mundo natal. Junto ao sinal foi passado um arquivo com descrições da moléstia para poder determinar o tipo de assolação que sofriam por tal radiação, o que fez os moradores da lua terem fé de que poderiam oferecer uma cura a eles. Finalmente sorrisos retornaram aos seus rostos enquanto em laboratório a procura de informações que pudesse ser levadas a terra para auxilia-los, uma vez feitas num livro foi entregue a Luan tal como as mesmas informações foram codificadas em seus próprios genes caso perdesse tal livro. Os meses se passaram e finalmente o momento tinha chegado para a missão de retorno a terra. Luan ansioso em pisar em seu mundo natal, e com a possibilidade de encontrar novos habitantes nas coodernadas passadas das ditas zonas de amanhecer teve tudo acertado com hora adequadas para o lançamento de tal, junto a um outro jovem loiro chamado Christopher Luiz. A Porta foi selada a vácuo no pequeno módulo que se utilizava de pouca força de empuxo para poder decolar graças à baixa gravidade, e foi lançada levantando poeira lunar ao seu entorno enquanto os jovens completamente eufóricos proporcionalmente a ansiedades e medo que sentiam da aventura, observavam pela pequena janela a lua diminuir onde viram as crateras, que antes andavam por dentro, enquanto do outro lado o planeta de autrora azul, crescia fazendo com que suas formas redondas pouco a pouco se tornassem retas cinzentas com nuvens esparsas, repletas de gelo na face escura e desértica na face ensolarada, sem sinal de oceano se quer. Tão logo a vibração e trepidações da entrada na atmosfera fizeram sacolejar o pequeno módulo, os forçando fechar as janelas até que um sistema de incontáveis pequenas hélices se abrisse diminuindo à velocidade da queda quase como um helicóptero, mas similar ao interior de uma turbina. Voaram pela superfície então por umas três horas até acharem um local apropriado para o pouso próximo as coodernadas. As condições neste local eram minimamente adequadas mesmo que ao horizonte tempestades colossais constantemente ameaçassem o lugar, inclusive uma que foi observada por mais de um ano, e ainda perdurando no outro lado do anel de amanhecer que circundava a terra. O pouso foi tranqüilo, e o silêncio de dentro da nave fazia parte à imagem da tempestade externa a semelhança de um filme mudo. Mas a porta se abriu, fazendo rapidamente irromper um súbito e contrastante ruído de ventos e areia e pedras que se remexiam com o mesmo. Um vento sombrio e quente que soou sobre seus rostos enquanto numa outra ponta se via neve no topo das colossais montanhas que cresceram com a colisão do asteróide – e talvez por ter criado uma seqüência de terremotos em todo mundo despertando vulcões que forçavam ainda mais aquele terrível inverno infernal - e de outro, o brilho torcido de montanhas cujo brilho de tão intenso não permetia-se nem observar seus contornos, pressuposto um calor insondável. O vento aumentou enquanto Luan e Christopher caminhavam fazendo se ouvir diversos ruídos de pedras e areia que rolava de um lado a outro naquele inóspito lugar o que fez eles temerem, como se o solo ameaçasse seder. O lugar não parecia em nada com a terra que Luan via por fotos e vídeos e cujas músicas e filmes o encantavam. Era tudo tão melancólico e nostálgico que Luis disse até mesmo que não trazia a menor semelhança, onde pisavam, com o que um dia foi Portugal. Não havia nem mares para se contar histórias naquelas altas montanhas e se perder de vista e entrecortadas por vários pontos incandescentes de vulcões que levantavam colunas de fumaça. Mas eles tinham de prosseguir... Seguiram então eles se utilizando de leitores que buscassem interpretações, oscilações que indicassem alguma discrepância provocada por vida, seja qual fosse seu estado. Mas não demorou a notarem que o nível de entropia pareciam ir de um extremo a outro justificando o porque de tantas aberrações quânticas e mesmo alterando o tempo, onde no horizonte torcido pelo calor, por vezes Christopher parecia identificar formas como de cidades, mesmo que Luan se recusasse a crer nisto como bom cético, preferindo tal como sendo meras miragens.

- Talvez simplesmente o campo eletromagnético telúrico da terra tenha se desfeito a justificar os altos índices de radiação – indagou Luan diante das leituras com sua voz entrecortada pelo constante ruído do vento – Sua abiose se tornou em semelhança a Marte, porém, algo mais, é como se bolhas de tempo estourassem com níveis de entropia criando falhas nesta. - Talvez algum material encontrado no Asteróide? – perguntou Christopher - Muito difícil saber, muito estranho ainda assim, mas pode ser também, a mera relação proporcionada pelo mero impacto sob os campos de energia que protegem o mundo.

Porém, antes que prosseguissem na discussão o monitor do leitor de Luan acusou uma leitura fixa vindo de um ponto acima, entre grandes rochas, que destoando das demais pareciam indicar terem vindo das profundezas de onde a terra foi remexida pelo impacto. Os dois apenas se entreolharam e em seguida foram ao lugar sem nada dizer. O ar estava de difícil respiração mesmo estando numa zona de crepúsculo entre o mórbido frio da quase perpetua noite e o extremo calor do infindável dia. Transpirando, porém, Luan parou diante da rocha e notou a diferença do terreno realizando leituras que o fez realmente crer se tratar de uma pedra que teria vindo de muito abaixo da superfície.

- Veja isto! Estamos a 4 mil metros de altitude e estas pedras parecem terem vindo de mais de 5 mil metros abaixo da superfície! – exclamou Luan aturdido com a leitura. - Somente um impacto colossal poderia mover de tal modo estas terras – respondeu impressionado Christopher. Porém, como pode haver vida nesta montanha que surgiu disto? - Migração, se alguém sobreviveu provalvemente devem ter se tornados nômades de acordo com a época do ano. Não obstante este solo parece ser quente o suficiente para manter-se vida durante a noite “eterna”. – falou Luan sem tirar os olhos do leitor, e seguiu adiante.

Logo, atrás da pedra eles viram uma abertura que dava no que se parecia com uma caverna incrustada naquele estranho solo pedregulhento. Os dois seguiram cautelosos quando um ruído vindo de dentro parecia destoar do externo os chamando atenção, e fazendo estes sacarem pequenas armas de plasma – um artefato que lançava tipos de projeteis que atravessa mesmo rochas – e continuaram a caminhar para dentro do estranho túnel quando novamente um ruído se ouviu, desta vez mais intenso e revelando por fim uma sombra. Os dois pararam e apontaram suas armas para o local quando um grunhido ecoou pela caverna como em direção a eles. Quando estes viram, logo após a virada das pedras, numa curva, se depararam com uma enorme boca repleta de dentes que tomava as extremidades das cavernas de ponta a ponta. Dentro desta, areia e pedaços de rochas caiam como se o monstro esfomeado devorasse rochas. Os dois ao verem aquilo quase mudaram de cor dando tempo apenas de recuarem temendo eles que atirarem no ser fizesse desabar a caverna a sua volta os prendendo. Os dois correram procurando a saída pelos agora escuros corredores de pedra apenas utilizando-se da luz de seus leitores para seguirem até a saída, mas se perdendo mais. O ser a medida que avançava por sua vez parecia fazer o lugar balançar fazendo com que pedaços de rocha caíssem do teto por onde os dois corriam, quando repentinamente viram-se num beco sem saída diante a sombra crescente do monstro sobre eles, quando um tiro luminoso veio de uma direção acima deles dum ponto que não enxergavam, mas apenas ouviram uma voz os chamando. Sem pensar duas vezes os dois correram em direção de onde tinha vindo o tiro e viram um homem maltrapilha vestindo restos do que um dia poderia se chamar de terno. Os homens os empurraram para dentro da caverna enquanto o ser gritava como um troço sem forma definida e outros homens estavam carregando tochas de fogo mesmo que com pequenos aparelhos com monitores não muito diferente dos deles mesmo, mas visivelmente empoeirados e arranhados. Então, um homem os parou com uma mão enquanto outros lhe apontavam armas similares a rifles.

- Quem são vocês? – indagou este olhando severamente – Não se preocupem, pois o stoneworm não atravessa estas pedras, apenas se alimenta de microorganismos de pedras das profundezas de sedimentos mais leves, são eles quem constroem estas cavernas. Apenas agradecemos o serviço deles dando-lhes apenas tiros de efeito moral. - Muito grato por terem nos salvado. – respondeu Luan ofegante. – Viemos da Lua, Colônia de Lunastar, Montes Haemus. Procuramos sobreviventes. - O que parece que tivemos sucesso – prosseguiu com um sorriso, Christopher.

Mas ao ouvirem isto, o grupo de humanos tiveram inesperadas reações, um riu sarcasticamente e outro ficou sério, enquanto o sujeito que os haviam parado ficou desconcertado e apenas perguntou – por décadas perdemos contato com a Lua, é o que dizem meus pais!

- Perfeitamente como nós com a terra. – indagou Luan – Graças a tecnologia sobrevivemos por longo periodo, mesmo que com sinceras dificuldades. - Você não tem idade para ter vindo da lua! – indagou perniciosamente um homem apontando a arma para Luan. - Luan, nasceu na Lua, o primeiro humano concebido, nascido e criado por lá. – respondeu Christopher. - Impressionante! Alex ficará muito feliz com esta descoberta – exclamou empolgado o sujeito que os receberam enquanto o sujeito de terno maltrapilha se aproximou deles perguntando como estavam.

Brevemente os dois se dirigiram mais alguns metros ao interior da caverna quando viram um grande vão iluminado por tochas de fogo e alguns equipamentos precários que pareciam extrair energia térmica do solo. As paredes do local estavam completamente pintadas com desenhos semelhantes a grafites tendo um enorme desenho do Super-homem com os punhos cerrados em sua cintura, desenhos muito mais elaboradas que os ruprestes dos tempos pré-históricos enquanto algumas mulheres – dentre outras estavam armadas – caminhavam normalmente entre plantas estranhamente diferentes. Rapidamente porém, os dois viajantes chamaram atenção dentro os demais que passaram a observa-los atentamente e comentando uns com os outros enquanto o homem de terno parecia apontar-lhes enquanto falava com os moradores, os deixando ainda mais curiosos. Mas sem pensarem muito logo subiram uma sacada de pedras aonde chegaram a uma sala incrustada na rocha, onde três homens estavam sentados mexendo diante de um monitor translúcido com diversas leituras enquanto outros homens pareciam monitorados enquanto carregavam pedras estranhas do qual uma desta sob uma prateleira chamando atenção de Luan.

- Incrível! – exclamou o homem se levantando e já sabendo as últimas. – temos ainda vivos na Lua! Temos tentando entrar em contato fora da terra por longos anos, mas todos os sinais impedidos por interferências extremas! Esperamos por longos anos por isto! - Nos também... - falou Luan. - A propósito meu nome é Alex Rudoph, temos muito o que conversar e colocar em dia!

A despeito das apresentações e anseios sociais deles, como se fossem na realidade grandes e velhos amigos que há muito tempo não se viam, logo Luan viu que a situação deles eram dramáticas naquele agora mundo alienígena. Onde o governo não mais existia e a dificuldade de contato com outros grupos de possíveis sobreviventes dificultava sua reunião, apenas possível pelas zonas de crepúsculo nos períodos adequados.

- Infelizmente vivemos uma era de pós-história – lamentou Alex – Nada mais acontece como “história” se não pequenos diários de sobrevivência, e algumas coisas que restaram daquele que autrora foi uma formidável civilização, como se diz, não temos batatas fritas, mas produzimos muitos alimentos neste lugar, enquanto aguardamos o retorno de uma equipa de reconhecimento. Quem diria aqui já foi terra dos lusitanos, diziam nossos pais! - Lamentamos muito vossa situação, porém a nossa não é tão diferente, mas como vocês conseguem água? – finalizou Christopher - Umidade, o ar é muito úmido mesmo que por vezes contaminado, dizem ser por causa dos oceanos. Mas temos fontes de energias como estas estranhas pedras que surgiram após a colisão do asteróide, como diz aquela revistinha do homem alado, deve ser kriptonita! São os únicos artigos históricos que temos!

Neste momento Luan olhou para Christopher assustado ao notar um gibi do Superman sob a mesa dos homens, os pobres coitados acreditavam que tais eram livros históricos!

- Sempre esperando que Superman retornasse para nos salvar, mas a kriptonita deve tê-lo matado com o impacto! – retrucou um jovem descabelado ao seu lado, quando um sino tocou. - Hora de prestarmos nossas pereces ao Super-homem! – completou o outro - Cremos que para onde quer que ele tenha ido, Ele olha por nós.

Os dois viajantes ficaram aturdidos com tal revelação, os homens daquele lugar como nerds acreditavam que a cultura de ficção secular era na realidade a história, não estória, provavelmente abandonados a longos anos sem os país passaram a crer na mentira como verdade, e a verem Super-homem como um deus a ser adorado num tipo de religião, uma religião de “nerds”. Os dois caminharam quando da sacada viram as pessoas se reunirem colocando as mãos sob o peito e olharem para o teto da caverna enquanto Alex surgiu segurando uma pedra verde nas mãos e todos se aquietaram diante dele em reverência.

- Por anos procuramos nosso redentor Clark Kent, nosso deus, mas Superman atua de modo diferente, de modo que não compreendemos. Superman nos enviou homens da lua!

Neste momento todos levantaram as mãos e começaram a gritar de felicidade como se as suas súplicas tivessem sido ouvidas!

- Louvemos ao Superman! Pois sempre cremos que muitos de nossos ainda lutam contra o Império dos homens de espada luminosa!

Luan e Christopher ficaram sem entender nada, diante da cena que viam sob seus olhos enquanto as pessoas acenavam para eles como pintos de chocadeira crentes em sua carência, que aqueles vieram para salva-los. Notaram eles, porém, que dentro a pequena multidão não haviam anciãos, sendo em sua maioria jovens o que deixou eles perturbados. Tão logo, um garoto que não conseguia tirar o sorriso do rosto os orientaram para um pequeno quarto quando simplesmente ao sair não resistiu a tentação e perguntou – Vocês conheceram mesmo o Superman? Como ele é? Sem muito o que responder, Luan apenas olhou para Christopher e acenando com a mão, disse que não tiveram a oportunidade, quando repentinamente Alex entrou no local, pedindo para que o garoto saísse. Neste momento Luan perguntou a ele porque não haviam velhos no lugar, e com a maior ingenuidade respondeu.

- Vejam, aqui não envelhecemos disto que relata alguns escritos do Superman, mas sabemos que seus pais adotivos eram como se diz, “velhos”. - Porque? – Perguntou Luan – Quanto anos vocês vivem? - Bom, aqui segundo os tricordes vivemos cerca de 30, de acordo com o último homem mais velho entre nós. Porque?

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Rapidamente Christopher fez leituras sob Alex que ficou olhando curioso para o equipamento deles.

- Seu equipamento tem luzes verdes como das pedras! São coloridos como os nossos não são. Podemos ver? - Receio que talvez algo que vocês estejam utilizando esteja reduzindo seu periodo de existência neste mundo – interrompeu Christopher sem responder ao jovem Alex. - Sabemos que a criptonita pode matar, assim como o Superman, mas algumas variações são benéficas, um avô meu descobriu um modo de tirar energia tipo daqueles reatores que tem uma cruz arredondada de três lados. Mas aquela é má e venenosa, Lex Luthor utilizava de tal contra o Superman.

Neste momento outro homem entrou no quarto, um jovem que se identificou por Hans Solo. Um companheiro de Alex Rudoph como braço direito da liderança daquele grupo.

- Disseram que vocês têm arquivos históricos mais detalhados, verdade? – perguntou ele. - Temos, porém, são digamos bastantes diferentes dos seus.

Os dois jovens então se olharam curiosos e depois pediram para que lhes contassem. Mas sinceramente embaraçados diante da situação apenas ficaram ali pedindo para que no “dia” seguinte lhes chamassem para pesquisar sobre as misteriosas pedras. Foi então que eles dormiram e ao acordarem com uma jovem olhando fixamente para eles dormindo fez com quem Christopher se assustasse, quando ela soltou um riso tímido de ingenuidade.

- Finalmente encontramos o povo das estrelas! – disse ela olhando fixamente para eles acordarem ainda sem entender – Ficamos pensando que desde quando vocês moraram na Lua que parece encolher, vocês nos abandonaram. - Achamos o mesmo da humanidade – respondeu Chritopher meio mal humorado por ter sido acordado de súbito. – Mas cá estamos.

O tom de salvadores daquele grupo de jovens pareceu ter contagiado a todos no lugar, mesmo que na realidade pouco eles poderiam fazer de efetivo dada as condições daquele mundo pós-histórico. Mal sabiam de história, e pouco sobre a antiga geografia, não sabiam quem foi o último presidente ou do suposto incidente envolvendo um dos seus ancestrais chamados Apocon. Deste modo pelo nível de vida que levavam dado algum tipo de contaminação as poucas décadas desde o derradeiro fim, permitiu que se criasse uma sociedade subterrânea que desconhecida à ciência e história em seus plenos valores, provavelmente por seus pais terem morrido quando ainda eram jovens demais e sem condições adequadas de aprendizado. Ao se arrumarem, os dois se juntaram aos lideres do grupo numa modesta mesa que mantinha em boa parte um desjejum vegetal que não era de tão boa qualidade como os jardins lunares. Mas tão logo ao desenrolar da mesa, Alex começou a lhes dizer sobre as condições do local e de seus que sofriam de uma estranha moléstia. Sem pestanejar, e utilizando-se dos conhecimentos mesmo que não específicos de Luan, os dois seguiram a um local onde estes permaneciam. O local tinha um ar abafado, pois os sistemas de circulação de ar da superfície constantemente ficavam avariados e pela dificuldade de mão de obra especializada – aqueles habitantes basicamente sabiam fazer apenas o básico – tornava o lugar claramente precário sob todos aspectos. Mas tão logo, Luan viu um jovem estendido numa espécie de maca rufando transpirante como se estivesse num forno, sob tensão.

- Ilusões. Eles tem ilusões – respondeu Alex – alguns relatam não somente visões dos tempos que nosso mundo era azul, como desorientação espacial e temporal. O mais incrível é que realmente o mesmo ocorrem com nossos expedicionários chegando retornar em alguns casos muito mais velhos do que quando saíram. Quando retornam.

Sem responder, Luan fez leituras com seu palm sob o olhar atento de Christopher observado com igual curiosidade o jovem na maca.

- Mas e seus equipamentos? – perguntou Christopher interrompendo o silêncio somente cortado pela respiração do jovem. - Alguns casos apresentam desajustes de fuso, desde quando saíram, mas nosso equipamento como se percebe é bastante velho. - Não somente isto – falou Luan – Mas aparentemente desde quando este asteróide caiu leituras demonstram que não somente desfizeram a telúrica terrena como criou enormes interferências de taquions. - Não faço idéia do que você quer dizer com isto. Mas deve ser muito ruim – demonstrou Alex com espantosa sinceridade. - Para onde foi a equipe atual? – Perguntou Christopher - Para o sul da montanha Apocon, um local pouco visitado pelos remanescentes, mas que alguns dizem haver após as colinas traços de civilização. - Seria perto de um dos pontos de impacto? - Correto. Dizem que os deuses atacaram em partes, mas Superman não impediu.

Christopher só não riu daquilo pois sabiam da precariedade da situação, o jovem naquele local sofria, e sabendo da ingenuidade deles ambos respeitaram a condição destes. Apenas sendo interrompido em seriedade por Luan que disse.

- Na verdade, todos os esforços foram para desviar o asteróide do impacto, mas pelo jeito apenas o dividiu em partes menores. Mas quem você crê ser Superman, Apocon? – finalizou Luan com a cética pergunta como se tivesse igual credulidade no que diziam.

Um jovem que tomava conta dos doentes, como um enfermeiro pegou um gibi do mesmo e lhes mostrou com o papel amassado e sujo da capa onde dizia no título ‘Batman & Superman’. Balançou o dedo sobre a capa com muito orgulho e com um sorriso no rosto como se considerasse eles desinformados falou. - Vocês nunca ouviram falar do Sr.Superman? - Na verdade sim, mas não do modo como vocês. Talvez vocês a tenham como se fosse uma bíblia por aqui, noto. – respondeu Christopher, mas como resposta o jeito dos presentes na sala foram de desconhecimento total. - O que é uma bíblia?

Ao saírem de lá, Luan resolveu que deveriam procurar a equipe que segundo as estimativas de Alex já teriam lá chegado. - Saíram, na realidade, apenas há alguns dias, e já deveriam ter retornando – falou ele – mas se quisermos formaremos uma outra equipe, desde que possa ir junto. - Façamos assim. – respondeu Luan Saíram então eles em meio ao pequeno povo sob seus olhares esperançosos de fé depositada como se fossem descobrir um grande segredo que os tirassem de lá e torna-se a vida na superfície novamente possível. Na verdade num breve momento, Luan demonstrou sua preocupação com estes por terem tão visão. Aquele mundo a muito se tornou um lugar hostil de se viver, mas o brilho de fé irradiava persistentemente pelos olhos daqueles jovens maltrapilhos irmãos tão espirituosos como poucas vezes a humanidade, ainda na superfície, tinham. Passaram então eles pelos corredores dos wormstones e caminhando lentamente chegaram a superfície sob a intensa luz do sol. As pedras remexendo com a intensidade do vento que havia aumentado desde quando desceram sob a aridez que permitia que a poeira se levantasse os obrigando usar óculos especiais para se proteger. Fizeram eles prosseguir quase se perdendo no denso nevoeiro do alto da montanha Apocon. Após longas horas silenciosas de caminhada, sob a dificuldade do ar de difícil respiração e pelo barulho intenso, eles chegaram ao outro lado da montanha, este na sombra e dando uma vista contrária a do outro lado, uma noite perpetua se estendia revelando gradualmente o céu estrelado e dando lugar do calor ao frio que fizeram Luan e Christopher levantar suas roupas de astronautas, enquanto rumavam a uma planície.

- Vocês sabem quem é Apocon? – perguntou Christopher interrompendo o silêncio da caminhada. - O que sabemos é que deveria ser parente do Lex Luthor, um gênio que teve parcela de culpa no impacto do asteróide. – respondeu Alex ao lado de um jovem negro. - O que sabemos nós, da Lua, foi que na verdade não foi provocado por ele. – respondeu Luan pegando uma garrafa de água e bebendo-a. - Mas qual deus foi? Brainiac? – perguntou Alex Neste momento Christopher pediu para que estes fizessem uma pausa e então sob uma pedra pararam para beber água e repousarem um pouco quando este prosseguiu, retirando de sua bagagem um livro pequeno em direção ao jovem e disse. - Este livro, você conhece? - Não. - Esta é a Bíblia sagrada. Conta à história do que conhecemos por Deus, similar a outros livros como Alcorão.

Alex sorriu inicialmente com um descrédito e depois tentando demonstrar simpatia pegando o livro enquanto o negro e um outro companheiro deles pararam diante ao livro para verem.

- Nossos registros históricos são melhores! Tenha desenhos que revelam sobre nosso mundo. – respondeu Alex. – Mas certamente nossa gente vai gostar de saber destas histórias aqui contidas. - Pode ficar com este exemplar. – respondeu Christopher - Quanta generosidade! – falou o negro abaixando a cabeça em respeito – certamente nosso Alex vos recompensará, visitantes do céu!

Neste momento porém, um abalo sísmico trepidou todo local fazendo os pequenos pedregulhos sob a pedra maior que eles estavam dançar ritmadamente. Rapidamente Luan pegou seu leitor sem nada perceber e Christopher perguntou – o que é isto?

- Podem ser wormstones. Existem algumas espécies estranhas que vagam na superfície que estes se alimentam.

Neste momento a pedra onde estavam rachou os fazendo descer desta por estar se dividindo em fragmentos e diante um monte de terra parecia se mover em sua direção tendo cerca uns 15 metros de comprimento a uns cinco de largura. Luan neste momento olhou para uma colina onde pedras maiores se amontoavam parecendo ser muito mais firme que a pedra de onde estavam e então disse. – Vamos correr para lá! Sem pensar Alex como experiente, apesar da idade, já havia sacado sua arma e atirando em direção ao monte de terra, começaram a correr. O tremor se intensificou ao constatarem vir mais outro daqueles montes de um outro lado, mais próximo à colina. Lua pegou sua arma de plasma e atirou em direção ao monte que imediatamente parou de se mover. Porém, o primeiro estava se aproximando rapidamente forçando Luan parar para atirar novamente, desta vez a este primeiro ‘verme-pedra’. O monte parou também, e num quase alívio continuou a seguir enquanto os demais estavam a alguns metros à frente de Luan, mas repentinamente o monstro próximo à colina se ergueu do pó da terra revelando sua enorme boca repleta de dentes pontudos em todas as direções, e estas em direção a Luan.

- Venha Luan, seu lunático! – Gritou Christopher

Mas ao invés disto, Luan parou diante do monstro quase petrificado e apontou sua arma para sua boca, atravessando o já ferido animal e o fazendo cair em metros de comprimento suspensos como um enorme saco de batatas, batatas que aqueles nativos jamais provaram. Luan aproveitou o momento e correndo por entre o animal finalmente chegaram a colina onde subiram as pedras à altura suficiente para que num momento contemplasse se haviam mais wormstones naquele horizonte árido e frio.

- Alex, talvez devêssemos pegar um pouco de sua carne. – indagou o negro ao seu lado. - Espere, Kaique. – respondeu de volta Alex observando algo. – Estas planícies, os vermes da pedra costumam atacar por ter uma espécie venenosa de pássaro. Mas não vejo algum. - E...? – perguntou Luan - Só considero estranho. Mas vamos estamos nós já perto de uma das crateras.

Seja lá o que significa-se aquilo, mesmo naquele mundo aparentemente completamente estranho quando alguém acostumado com sua ‘estranhez’ fala de algo ‘estranho’ deve-se prestar atenção. Mas eles caminharam até que não se houvesse mais qualquer luz se não a de seu equipamento e uma fina e avermelhada linha sobre a montanha Apocon, assim batizada, por algum sobrevivente do hecatombe. Saíram eles dos limites da Zona de Crepúsculo sob um enorme e sempre crescente frio. Haviam se passado dois dias desde que saíram da pequena cidade crepuscular dos subterrâneos, e o frio perturbou muito Luan que em diversos momentos disse ter visto luzes andar em meio a um nevoeiro que se formava sob eles.

- Devemos subir um pouco, sob algumas altitudes, um tipo de gás se forma com num pântano – lembrou Christopher. - Creio que não, ao oeste temos grandes espinhos de pedra. – falou Kaique - O eu seria isto? Estalagmites? - Tal nome desconheço, mas por lá tem seres que as utilizam como armadilhas. Muitos dos nossos já morreram lá.

Assim seguiram então eles temerosos quando numa noite dentro da noite, enquanto repousavam sob a guarda, mesmo que todos os sinais fossem de abiose. Luan, em vez de fazer sua guarda notou um borrão luminoso vagar pela nevoa sob o constante frio. Ignorou ele uma vez por considerar ser resultado do cansaço e das horas de caminhada sob uma gravidade pouco acostumado. Mas o borrão mais uma vez surgiu, desta vez mais próximo e intenso. Luan então apertou os olhos, pegou seu leitor e apontou em direção ao local, ao perceber um sutil movimento. Foi quando repentinamente novamente tal surgiu de seu outro lado, desta vez ainda mais intenso de modo que se podia ver melhor seus contornos. Algo com pernas, mas não muito humano. Luan então cutucou Christopher o acordando e disse – olhe que estranho. Christopher se levantou sonolento e embrulhado num tecido térmico como se fosse um pacote exalando apenas seus olhos e com um lento e grave ‘o que’ lhe respondeu. - Algum tipo de ser espreita nos seguindo desde quando saímos da zona de crepúsculo. Mas não faço idéia do que seja. - Alucinação? – perguntou sarcasticamente querendo voltar a deitar-se Mas neste momento um rápido clarão surgiu diante deles revelando desta vez não somente pernas, mas olhos num azul que de tão belo que tinha, tinha de sinistro. Sem pensar duas vezes, Christopher acordou Alex o cutucando com força e recebendo um ponta pé de volta, meramente inconsciente. Persistiu ele mais uma vez e finalmente levantou-se.

- Que ser estranho é este que vaga pelas trevas com luz própria? Que tipo de ser pós-histórico é? – perguntou-o - Pode ser um lumionideo como meu avô chamava, surgiu depois da queda do asteróide, algum tipo de mutação adaptativa a escuridão. Porém, são raros e pouco sabemos sobre eles.

Um rápido ruído engraçado soou como de um pássaro, mas seguindo um padrão muito mais fino. Ambos se calaram e ficaram observando quando viram um contorno se formar diante deles. Um ser esquisito com cores luminosas oscilantes pelo corpo similar a uma medusa marinha surgiu diante deles com uma afeição apesar de tudo amistosa e seus olhos luminosos lhes olharam fixamente por um tempo e depois um outro borrão de luz no nevoeiro surgiu e produzindo um ruído como se lhe chamasse este saiu retornando a escuridão.

- São como golfinhos de terras escuras, como dizia meu pai. Uns bichos engraçados que existiam quando havia mar.

No dia seguinte, acordaram eles vendo que tais serem eram indefesos – ao menos até onde se sabia – e seguiram pelas trevas perpetuas da quase infinita noite do lado mais sombrio da terra pós-história. Mas tão logo viram eles pequenos pontos de luzes cada vez maiores surgirem com a dispersão da nevoa e dando lugar ao vácuo pleno de luz que havia naquele lugar. Haviam chegado ele no ponto de impacto de um dos fragmentos do asteróide.

- São a kriptonita! Colha as esbranquiçadas, pois são raras – falou Alex.

Mas nisto fazendo as leituras do local que logo se tornou destoantemente claro revelando uma enorme clareira ao horizonte, notou a enorme intensidade de taquions no local interferindo nos equipamentos e provocando oscilações temporais.

- Sugiro que não as pegue! Pode ser um dos responsáveis pela contaminação e moléstias de seu povo – retrucou então Luan. - Mas destas conseguimos extrair energia.

Nisto, Luan segurou a mão de Kaique e jogando a pedra as demais fez um rastro no ar com a mão como se tivesse ocorrido uma defasagem temporal.

- Não sei que tipo de material é este, mas talvez por algum incidente pode provocar pequenos lapsos temporais, ou mesmo mais que isto. - Pode explicar a aparentemente rápida evolução mutativa destes seres. – completou Christopher. - Incluindo os homens-mariposa que vem da grande cratera? – indagou Alex. - Homens-mariposa? - Sim, seres alados com olhos alaranjadas que vagam como sombras especialmente do outro lado. Costumam “secar” os nossos a deixar apenas ossos.

Uma pequena sobrecarga de informação neste local. Pensou Luan consigo mesmo, mas não somente o mesmo ocorria literalmente com a transmissão de partículas que aparentemente surgiam do nada. Poderiam ser do futuro e um vestígio de viagens temporais? Um embaralhamento temporal não somente do futuro, mas do passado a justificar as visões daqueles jovens que atravessavam o lugar? As perguntas eram muitas e poucas as certezas para se responder com convicção, e se tratando de ciência Luan não poderia simplesmente falar meramente de modo especulativo, ao acaso, como se estivessem literalmente atirando no escuro. Mas aquilo os faziam crer que uma lendária agência temporal relatada apenas por seus pais existisse de fato. A T.E.M.PU.S. Mas seguiram eles sob o olhar preocupado de Luan com os possíveis danos provocados por tal evento de singularidade. Desceram eles então até ver luzes que formavam padrões de construções, por mais um dia à frente. Como se fosse uma pequena cidade ganhou forma gradual até que se foi possível ver edificações suficientemente altas para serem notadas a distância. Uma cidade como nos filmes e fotos! Pensou Christopher consigo. Porém, Luan que parecia estranhamente introspectivo notou estranha semelhança com as visões tidas ao inicio da viagem, mesmo que anteriormente notou algum como se tivesse edificações douradas. Mas repentinamente tropeçaram eles em algo. E gritando Kaique por Alex, quando se aproximou ele viram um dos corpos da equipe por eles mandada, mas como se tivessem há meses no local jaziam apodrecidos quase exposto ao osso revelando seu uniforme rasgado e usado, e tendo uma comprida barba.

- Como você pode ver, Luan, assim ocorrem com muitos dos nossos! – falou Alex vendo o corpo. - Mas este era barbudo? - Não, mas aqui as coisas envelhecem mais rápido. - Não considera estranho?

À medida que se aproximaram da cidade, após abandonar o corpo no caminho, começaram eles e ouvir vozes de crianças e pessoas como se fossem assombrações, a luminosidade agora parecia fantasmagórica sobre eles onde os prédios que pensavam existir não estavam lá. Mas seguiram eles, e seguiram, até quanto numa ruína verdadeiramente tocável chegaram e por uma entrada passaram mediante grande ferrugem da porta emperrada entreaberta. O lugar era uma construção. Passaram eles por mesas que pareciam quase incrustadas com pedra, equipamentos e cadeiras, quando repentinamente pararam diante de um grande visor como um vidro que saltava imagens holográficas repetidas na tela. Um homem falando algo em loop. Neste momento, parou Luan diante do pequeno painel e tirando poeira notou que ainda era funcional revelando as inscrições: Sede T.E.M.P.U.S.. Mexendo naquilo, um vídeo começou a rodar, com um homem, e este homem era Apocon Keystone.

- Desde o incidente com o portal orbital algo pareceu seguir ao sentido errado do especulado. Apesar de mandarmos uma equipe para procura-los permanecemos na terra apenas a perceber que meus temores se comprovaram. Alguns se utilizando desta tecnologia passaram a conspirar não somente contra mim, mas através dos tempos criando uma flutuação tão grande que aparentemente dividiu-se numa dimensão paralela similar a uma bolha (um ruído se fez tornando difícil se ouvir o que dizia)... Que eu fui peça fundamental nisto, por isso matar-me significa (...) Mas agora com o asteróide que trás assinaturas singulares em compartimento com a própria Terra parecem indicar uma fusão de dimensões colisivas (...) bolha que estourou, e seus ecos (...) como fantasmas pelo tempo vagam a despertar e libertar os mothmans da vil dimensão... – um suspiro deu aquele homem de certa idade e prosseguiu – Lamento profundamente pela humanidade, mas nos entregamos aos ecos da fantasmagoria nostalgia temporal.

Ao concluir o vídeo o silêncio tomou a sala, e mesmo Alex e os seus que pouco sabiam, perceberam que algo de grave havia ocorrido dimensionalmente, por algum poder corruptor temporal.

- Como nos gibis – falou Christopher ironicamente – Para onde vamos agora? - Agora? – respondeu com outra pergunta, Luan.

Gerson Machado de Avillez – 2012 ®

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Gerson Avillez

Fotógrafo e homem da prática de letras nas horas vagas, teólogo e pedagogo por formação, filósofo autodidata e por vocação. Descendente direto do Tenente-General Jorge Avillez, portador da Síndrome de Aspeger, trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, tendo fotos publicadas em jornais do Rio de Janeiro. Posteriormente trabalhou na Rede Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI especialmente na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), tendo escrito artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, Primeiro Capítulo e é autor de destaque da Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tem 21 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Editora Multifoco).Convido-os a curtir minha página no facebook: www.facebook.com/Filoversismo.
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