esquina do Óbvio

Porque a genialidade está à esquina do óbvio

Gerson Avillez

Fotógrafo e homem da prática de letras nas horas vagas, teólogo e pedagogo por formação, filósofo autodidata e por vocação. Descendente direto do Tenente-General Jorge Avillez, portador da Síndrome de Aspeger, trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, tendo fotos publicadas em jornais do Rio de Janeiro. Posteriormente trabalhou na Rede Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI especialmente na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), tendo escrito artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, Primeiro Capítulo e é autor de destaque da Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tem 21 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Editora Multifoco).Convido-os a curtir minha página no facebook: www.facebook.com/Filoversismo

Trecho de Adormecidos: O Despertar de Hipnos

O autor expõe um trecho não editado de seu livro O Despertar de Hipnos, continuação de Adormecidos


No fim da tarde quando o silêncio tomou o local. Ofir levantou-se para o exterior daquele porão e o que viu, ou conseguiu ver pela limitação das cinzas e fumaças, era desolador e enfadonho, seu sonho ao lado de Corinne havia sido destroçado irremediavelmente. Ofir caminhou entre carros destruídos ainda sujo por ter esforçado-se em meio aquela sujeira e cambaleando em prantos parou diante de seu carro a poucos metros de onde Corinne havia sido soterrada. Ali em meio à rua, sem qualquer movimento e tento por trilha apenas o ruído de algumas chamas persistentes de casas em destroços próximos fechou suas pernas as abraçando em si mesmo e assim permaneceu por alguns momentos. Nada tem o direito de roubar nossos sonhos, porém, alguns os tornam em pesadelo, e assim Ofir passou a fugir da vida como se quisesse morrer naquele momento e mesmo chutou uma arma ao chão disparando contra ele, mas sem atingi-lo e em seguida ao pegá-la colocou-a em punhos e apontando para si mesmo apertou o gatilho. Sem resultado, a bala falhou. Aquela situação terrível lhe perturbou ainda mais, mesmo que a tentativa covarde de fugir de suas angustias matando-se fosse em vão. A vida não lhe abandonou e antes parecia vãs tais tentativas. E aqueles dias foram compridos como as sombras que pareciam os trair por aqueles seres que utilizavam de sua tecnologia para nos escravizar. Foi quando num dos dias seguintes diante do carro, após tirar o corpo de sua amada, ele resolveu erguer sua cabeça e seguiu ao carro abrindo novamente a porta de seu carro. Procurou em meio a bagunça que encontrava-se aquele cartão quando o vendo amassado abriu-o diante de si vendo o número notado, daquele japonês esquisito. Não havia, porém, quaisquer telefones públicos ou mesmo de dentro das casas que funcionassem, porém, ao lado de um corpo viu um celular e o pegando e apontando para o alto notou que havia o esboço de sinal, mesmo que fraco. Ofir digitou lentamente os números presentes no cartão amassado e em seguida colocou ao ouvido, sendo seguido por longas chamadas até ser atendido num visível japonês. Ofir ignorando arriscou o inglês, até ser respondido de igual modo pelo sujeito, o mesmo que havia falado com ele pessoalmente no dia anterior.

- Meu nome é Ofir você ainda está na Austrália? - E vivo, devo dizer. – completou ele com certo louvor. – Onde você está?

Ofir não quis muito conversar e apenas seguiu ao local determinado por aquele japonês que curiosamente conhecia o nome de algum lugar, Hachiro Chiraru. Com muita dificuldade conseguiu pegar algum transporte ao local, em vista que os bombeiros não deram conta e se quer deram as caras naquele lugar, sendo apenas pego por um caminhão que carregava crianças aparentemente resgatadas pelos próprios moradores na caçamba do veículo. Quando encostou no estacionamento de um shopping havia uma pequena multidão de pessoas que pareciam indagar autoridades militares no local de modo frenético em procurar de respostas. Porém, logo ao lado Ofir notou Hachiro Chiraru parado com um casaco amarelo e quase esboçando um sorriso no rosto, mesmo mediante a tragédia. Ao aproximar-se estendeu a mão demonstrando enorme respeito apertando sua mão firmemente com os olhos brilhantes e disse.

- Eu disse que aconteceria Ofir! Agora você acredita em mim? – perguntou ele acenando com a cabeça ao completar a frase.

Porém, Ofir permaneceu quieto por visível desilusão e por estar provavelmente não menos em choque psicológico pelo que passou. Nisto Hachiro Chiraru colocou os braços diante dele em tentativa de conforto dizendo

- Você deve ter passado momentos terríveis eu sei, porém, temos uma equipe que aguarda ansiosamente por você no Japão. Mesmo que cruel são momentos importantes e cruciais para a humanidade.

Aquele homem parecia mesmo a despeito do tom despojado ter muitos recursos financeiros especialmente para sair daquele local mediante o caos instaurado e num jatinho em meio a mais uma multidão de pessoas desesperadas a sair do pais, saíram dali sem escalas ao Japão. Dentro da aeronave, o esquisitão do Hachiro Chiraru inclinou-se diante dele com os braços sobre as pernas, sentando e pegou uma pasta a mostrar diversos arquivos.

- Trabalhamos com grandes mentes, cujas sabotagens parecem apenas demonstrar a realidade que passamos, temos motivos para crer que no mínimo há traidores da humanidade em comum acordo com este ataque seja qual for à procedência. Cara, Toshio Yoshio, não consegue conter-se em conhece-lo quanto antes. – completou movendo a cabeça em súbita empolgação, porém, sem qualquer esboço de reação equivalente de Ofir que apenas respondeu. - Não consigo morrer. - Como? – perguntou Hachiro Chiraru surpreso com a afirmação do jovem Ofir. - Eu sonhei com isto, e com a morte de minha amada. Porque não consegui impedir? - Tenho motivos de que você é a prova viva de um contundente e cruel experimento chamado Onneirokronos, cuja primeira fase apenas começou, o Projeto Hipnos. O que você teve não fora um mero sonho por assim dizer, se não seu consciente fora movido ao passado, ou melhor, este tempo. - Por isso tudo tem de ocorrer como visto antes numa repetição vã? - O passado cristalizado, acreditamos que você é uma prova do que pode chamar-se por destino. Aqui é o passado cristalizado, paradoxalmente o universo temporal como a água tende a escorrer ao ralo, sempre tentará ligar você do ponto 'A' ao 'B' mediante a caótica, porque algo seu está preso ao futuro. O nome disto é destino. Ainda não sabemos o que lhe prende a declinar toda linha temporal a somente o mesmo destino, ou o que, porém, descobriremos. Pode ser algum objeto ou mesmo seu corpo no futuro. - Destino – respondeu ironicamente Ofir - Se sorte existisse não teria perdido seu amuleto – falou Ofir apontando para o japonês e suas mãos - e nem o coelho morreria por causa de seu pé. - O destino submete a sorte que nada mais é a operação deste mediante a caótica, ache sobrenatural ou não, me perdoe a supertição, porém, amuleto maior e você. Como disse é a prova disto. Você tentou se matar e não conseguiu? - Você é esquisito cara, não sei porque estou aqui, para mim é como um louco. – completou Ofir. - Interpreto como um não, tiros parecem não pegar em você, explosões parecem milagrosamente não atingi-lo, você tem escapado milagrosamente das situações mais inóspitas e dádiva ou não para ti tornou-se um peso. Porém, digo que não és o único. Existem outras vítimas do experimento, mesmo que seu caso seje singular. O que é sorte para você é azar para outro, lamento por sua namorada.

Ofir apenas olhou seriamente para Hachiro Chiraru em tom de reprovação por não compreender a dimensão da dor sentimental e emocional que sentia com a perda de sua amada. Entretanto mesmo que nega-se a confessar as afirmações daquele homem pareciam fazer pleno sentido para Ofir a lhe trazer mesmo algum fiapo de fé de que até mesmo poderia de algum modo recuperar sua amada Corinne.

- Muitos gostariam de ser você Ofir. O que o dinheiro compra, o destino? Jamais! O destino não pode ser subornado ou comprado por qualquer valor. Pode haver dinheiro para comprar mil tigres asiáticos, porém, não podem comprar-se quando há apenas 500, assim é o destino e o limitado poder humano. Porém, com os conhecimentos aqui presentes tudo pode mudar!

Ofir ainda estava visivelmente apático e desanimado por aquela situação amargurosa para ele quando o avião finalmente aterrissou no aeroporto do Tóquio, não sem antes observarem que a destruição lá também atingira por espessas fumaças de inúmeros incêndios e prédios caídos. E a cena repetiu-se mais uma vez, multidões de pessoas acumulavam-se as portas dos aeroportos clamando por socorro e saírem daquele lugar. Porém correrem para onde? Procuravam o Destino? Hachiro Chiraru acreditava que ele atendia pelo nome de Hedi Ofir Armin Xanthus, aquele homem que mostrava sua identidade na caótica alfândega japonesa como sendo qualquer homem ocidental. Tão logo percebeu-se, porém, que mesmo em meio aos prantos outro sorridente japonês aguardava por eles no aeroporto vindo cumprimentar Hachiro Chiraru e em seguida o próprio Ofir identificando-se por Solano Tatius, com receptiva cordialidade a orientar-los em meio à multidão para fora daquele lugar temeroso. O carro saiu do aeroporto em meio a enormes prédios caídos ao chão e japoneses que aqueciam-se em fogueiras realizadas ao meio das ruas, em barris e mesmo montes de entulhos. Passou por tanta súbita miséria criada até chegar a sacada de um prédio menor, porém, firme e seguro ao contrário dos colossos que não sustentaram seu próprio tamanho e vieram abaixo. O sistema de segurança parecia funcionar normalmente mesmo diante das quedas de energia e comunicação. Passaram eles pelo sagão principal orientando-se rumo a segurança que resmungou algo a Solano Tatius, pedindo por sua família como se aquele prédio simples fosse algum tipo de arca de Noé. Solano, porém, acenou com as mãos como algum tipo de recusa desapropriada e contrariada a própria vontade deles. Foram porém, de escadas até o quarto andar onde a porta aberta por identificação demonstrava alguns sinais do caos exterior, objetos caídos e vidros rachados.

- Os responsáveis por toda esta miséria estão com muito ódio de nós, porque querem roubar nossas descobertas e simplesmente nos aniquilar como a maioria das pessoas que estes consideram indesejadas meramente por eles não terem qualquer empatia com a humanidade. – comentou Solano Tatius. – Deve doer neles ver que todos os fatos nos são favoráveis, porém, fazer o que, são eles os vilões. - O que vocês fizeram? – indagou Ofir – destruiu a corporação de alguém poderoso. - Apenas descobrimos grandes teorias e conceituais tecnológicas e como pessoas vis são anti-sociais o suficiente para serem incapazes de ser sócios. Não precisamos, na verdade, termos feito nada, se não existir, a falta de empatia com os homens é o “motivo” bastante para considerarmos cães, mesmo que sejam eles os cainitas. São bárbaros danados, invadiram aqui dias antes de tudo isto, porém, não levaram o fundamental, provas de que estes desgraçados traidores da humanidade não criaram e nem descobriram grandes coisas. Inveja. - Traduzindo. Boas vindas ao caldeirão do mundo. Somos a resistência.Somos a Morpheu Inc – replicou Hachiro Chiraru com certo louvor – E garanto estão lhe procurando também Ofir, porém, para eles você não passa de um coelho de laboratório. Querem seu pezinho. - Relatos de saques e genocídios tem pipocado por todo o mundo, o momento oportuno para esta gente fazer qualquer ato cruelmente criminoso. Porém, os próprios estão definhando pelo mal quântico. Eles não têm alma Hachiro Chiraru. – completou ironicamente Solano.

O interior daquele sagão, vários computadores pareciam trabalhar incessantemente sobre códigos recebidos dos sinais daquele artefato, O Hexágono espacial, do qual identificaram definitivamente até mesmo sinais do futuro, músicas e quando não comunicações de telefone e rádio.

- Senhor Ofir, estes por fim são Jolene, Takashi Riki, Toshio Yoshio, as mentes mais brilhantes que conheço mesmo mediante a desvalorização dos torcidos antifactuais. Em cinco anos de trabalhos produzimos mais do que todos estes diabólicos juntos em décadas, entende o porque da inveja e ódio desmedido? Querem provar que não descobrimos nada e nada somos, afinal matar ninguém não é crime. - Estamos a todo vapor. – exclamou Toshio Yoshio. – aguardávamos ansiosamente por ti Ofir, estamos muito orgulhosos de tê-lo conosco. - Observem o que descobrimos. Aparentemente a aparição deste Artefato afetou o campo Schumann em suas variáveis de 7,83. – falou Jolene ignorando-os ao olhar para a tela. - O que notamos é que 450 MHz é a freqüência para a janela da consciência humana as mesmas utilizadas pela HAARP, 435 MHz a de aparições de OVNIS. Traduzivelmente, na realidade perfeitamente os OVNIS podem ser algum tipo de camuflagem visual criada diretamente em nossa mente, por projeção. – replicou a Ofir o que ocorria naquele lugar.

Ofir, não gostava dos assuntos relativos a HAARP, via como crendice religiosamente aceita por conspirológos, porém, com todo aqueles aparatos e conhecimentos evidentemente detalhados e técnicos mesmo em seu íntimo disto também tinha dúvidas, aqueles homens pareciam Truthers mesmo que aliados a hackers como os Anonnymitas, não tão anônimos por ter celebridades entre eles, os herdeiros naturais dos Anonnymous. Porém, o conhecimento não tem discriminação, mas sim a ignorância, a lei não ter cor, mas sim o crime.

- Algum tipo de hipnose em massa? – indagou Ofir - Não por menos coincide com o mito de Hipnos, o deus do sono grego, e nome do Projeto Hipnos que faz a HAARP parecer uma harpa de criança. O problema é que estes chegaram ao conhecimento de viagens oníricas que transcende o tempo, e a correção temporal deles vindo do futuro que acabou sendo responsável pelo próprio erro. Brincar de Deus não é muito prudente. – falou Toshio Yoshio sob os olhares de orgulho de Hachiro Chiraru. - Estes por meio disto não somente colhem informações do passado como as plantam, roubam descobertas conceituais, o próprio Leonardo Da Vinci, teria o sido, de onde acham que vieram seus conhecimentos? Por que acha que quando trabalhava com culinária todos os chef de cozinha morreram envenenados? – falou Jolene – não era ele próprio. - Pode parece absurdo, porém, não é, temos captado sinais não somente de rádio de outros tempos, se não de assinaturas mentais, e bioquânticas, temos motivos para crer que este artefato fora deliberadamente colocado como transistor de pensamentos atemporais. Algo engenhoso e que temos motivos para crer ser a síntese de conhecimentos humanos roubados. Afinal recentemente o descobridor dos conceitos de leitura de sonhos fora morto misteriosamente após dizer ter sofrido ameaças de pessoas esquisitas. - Não tenho dúvidas de que são os diabólicos. Na mesma semana Frank Mark Elvin de Havard morreu, após fazer declarações sobre o uso nocivo de tais conhecimentos e técnicas sem conceituais morais. Alguns vêm chamado por sucessor do NOMFET, Nanoparticle Organic Memory Field-Effect Transistor e mesmo sob aprendizados da Síndrome da Guerra do golfo. Porém, deixemos a parte especulativa de lado. – falou Hachiro Chiraru indo em direção a um equipamento estranho que a despeito do tamanho parecia ter enorme valor para eles. – Esta gracinha aqui, é nosso medidor de quanticometria. - A quanticometria é disciplina inteiramente nova que criamos, originalmente concebida para nossos estudos da concepção da psique humana, naturalmente que nos atacaram por ódio e tentaram secar nossas verbas, porém, o trabalho aqui é vital. Este equipamento mede as variações quânticas, e a relação das 'moléculas de sonhos' em relação a partículas, ou melhor, a relação de interação entre um e outro além de identificar padrões comuns entre estes. – respondeu Jolene para Ofir ainda sentada em sua estação de trabalho. – esta mede as variáveis mediante o princípio da incerteza de Heinsenberg, com digamos, certa certeza, mesmo que naturalmente não exista revelação científica, porém, é fundamental para compreender a razão do porque aparentemente a caótica parece estar a seu favor. Não pode ser mera sorte.

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Ofir pegou o equipamento amarelo nas mãos e o manipulou vendo a baixo de seu pequeno monitor de cristal líquido números aparentemente serial, 107-46-15-37-10. E gráficos oscilocópicos assim como estatísticos junto a seu potente processador e sensores de leituras.

- O mais curioso ao fazer leituras de você quando entrou aqui é que demonstrou padrões singulares com o artefato, assinaturas descritas no mesmo. – cortinou Jolene. - Este aparelho é imprescritível para a natureza de nosso experimento aqui realizado, sobre a psique humana em estado de sono. Onde o trabalho coincidiu com o Projeto Hipnos, porém, tendo algo que eles não tem e como competidores subversismos não aceitam o progresso científico por vias morais. Eles na verdade vem tentando criar todo tipo de desentendimento para nos atrapalhar mesmo na eminência de descobrir algo que pode descrer a essência do que seria a alma humana. - Hachiro Chiraru. - O problema é que usamos alguns tipos de drogas não licenciadas para o uso aqui no Japão, mesmo que em caráter científico. Aparentemente estes vem tentando nos prender ou simplesmente destruir nossos esforços a qualquer custo. – seguiu Jolene. – E mesmo vem tentando roubar as patentes de nossos projetos, por fraudes, além de negar todo o tipo de suporte negativo contra nós, sabotagens, ciladas, atentados, tudo para ainda se dizerem donos do aqui criado. Muito justo não? – desabafou Jolene.

Morfeu, em seu original vindo do grego era o responsável pelos sonhos filho de Hipnos, ou Somnus, sendo literalmente irmão de Tânato, ou morte, a justificar o porque de dizerem que o sono são pequenas fatias de morte. Seus irmãos Oneiroi, como eram chamados eram Icelus (Phobetor) e Phantasos, não por menos raiz etimológica do termo fantasia. O significado do nome de Hipnos, por sua vez, é algo como "aquele que molda, ou forma" pelo fato de ser capaz de tomar hipoteticamente qualquer forma humanóide e mesmo de pessoas conhecidas em sonhos alheios, por isso mencionado em Metamorphoses de Ovídio como um deus que residia numa caverna escura sobre uma cama de ébano tomando todas as medidas para que não acordassem seu pai, Hipnos. Aquilo parecia ser descrito literalmente com o que viviam, aos que passavam aqueles cientistas quase marginais mediante não somente as descobertas como estarem agora diante do Projeto Hipnos que parecia colocar em risco todo o mundo, dando completo sentido mesmo que não externamente reconhecido do nome do lugar ser Morpheus Inc. Sendo para os mais, pouco mais que traficantes de Placebos, mesmo que os presentes soubessem o contrário. Ofir fora direcionado após aqueles breves diálogos a se acomodar mesmo que sem luxo de modo confortável, numa beliche aos fundos do laboratório do quarto andar, onde sem carregar grandes propriedades se não sua documentação, tudo que tinha de valor era si próprio. Entretanto em grande cordialidade, Solano lhe ofereceu laptop ao jovem Ofir ainda recuperando-se de suas amarguras plenamente justificáveis. Aqueles homens na realidade eram o que se intitulavam como os primeiros Sleepners. E Morpheus era o que inconscientemente os pioneiros Onirikers japoneses procuravam. No mundo real, tido por lógico, o regido é pelas leis quer humanas ou naturais como o chão que pisamos, porém, nos sonhos as leis são os instintos. O Sentido não é verdade, nem mentira, mas uma realidade própria como a dos sonhos. O exemplo são os paradoxos, os visuais não são lógicos, pois apresentam apenas sentido que dependem estritamente dos sentidos de percepção do observador como parte do mesmo, o que não ocorre com os paradoxos lógicos em seus diversos níveis. O que nutre semelhanças com os sonhos assim como o tempo, sentidos alinhados, ou mesmo destino, e Ofir era a chave restante aquele experimento. O local, onde Ofir encontrava-se, entretanto, tinha aparatos visivelmente de leituras e sob a condição de Ofir concordar seu sono seria monitorado por aqueles homens por eletrodos. E assim que deitou-se na primeira noite, notaram aqueles homens que Ofir estranhamente parecia ter apresentado uma condição diferenciada do estágio de sono REM, por simplesmente não expressar os típicos movimentos oculares, se não a ausência de leituras se quer de movimentações de memórias condizentes com a formação de sonhos que traduzivelmente levou a conclusão de que simplesmente Ofir não sonhou com absolutamente nada naquela primeira noite, o que era perturbador para qualquer cientista sobre o estudo de perturbações de sono, assim como o sonambulismo.

- Você tem se sentido cansado facilmente durante o dia? – perguntou Jolene diante de Ofir ao despertar ainda deitado sobre os eletrodos – falta de reflexos, emoções desequilibradas como irritabilidade? - Não.

Jolene riu ao ver a resposta direta e objetiva de Ofir sobre aquilo, que ao olhar para Solano a seu lado este tomou a frente se seguiu.

- Não que não tenhamos ficado felizes em saber que não vem sofrido quaisquer revés físico ou psicológico, mas sim pelo precursor que o justifica. Simplesmente nunca vimos qualquer pessoa que anteriormente não tenha apresentado estágio de sono REM, é simplesmente implausível, sem qualquer caso anterior registrados, estamos tentando entender o porque.

Ofir levantou-se ageitando suas roupas sentido-se ligeiramente desconfortável pela situação de invasão de privacidade compelida a ele tendo em vista os olhares não somente dos dois pesquisadores se não Takashi Riki e Toshio Yoshio que cochichavam o olhando com curiosidade.

- Se não importar-se após o café, faremos alguns testes contigo, reflexão, eletrocefalograma e passar pela nossa Quanticometria. – falou Jolene colocando a mão sobre seu ombro e agora lhe olhando dentro de seus olhos de modo diferente.

Ofir, mesmo a despeito do dito anteriormente sentia-se como uma cobaia de laboratório enquanto ao sair daquele quarto ouviu o son dos televisores ligados no noticiário sobre os supostos ataques alienígenas. Nisto dirigiu-se em sua direção, Takashi Riki que lhe falou.

- Sr.Ofir. Impressionado como és caixa de surpresa para nós. Tenho uma teoria para tal sintomática se assim importar-se. - De modo algum. – seguiu Ofir tentando demonstra simpatia mesmo que ainda sonolento. - Talvez o senhor não esteja sonhando porque seu consciente pode estar prese de algum modo no futuro, na realidade é seu corpo, se lá estiver, estará em coma, esteja apresentando tais características, ou seja. Se tal for confirmado temos prova de algo sem precedentes aqui!

Mesmo a despeito da empolgação do jovem japonês com cabelos compridos com seu jaleco branco, Ofir não parecia muito animado com tudo que lá ocorria. E segui caminhando pelo corredor até a cafeteira de onde tirou uma caneca sob os olhares atento de Hachiro Chiraru.

- Nos perdoe se alguns dos nossos lhe assustam, este camarada é um Anonnymita. – falou este – temos grandes preocupações com o verdadeiro bom estar de nossos pacientes e clientes, mesmo que digam que é mesmo por alguma relação subjetiva com o fato da droga morfina para aliviar a dor ser derivada do nome Morpheu. Para alguns sem dúvidas o sono é um escapismo a uma realidade cuja dor não tem qualquer sentido. Por isso acreditamos que em parte e doses homeopáticas o hedonismo é questão de bom senso seu oposto a doença. Afinal não existe ‘remédio’ feito para criar dor, pois o mesmo somente é fruto de doenças. - Traficantes heim? – tentou brincar Ofir, porém, visivelmente sem grandes resultados. - ... de placebo assim preferimos, tão logo saberás porque.

Mesmo sendo um laboratório, Ofir tinha de reconhecer que o local tinha calor humano, eram pessoas cordiais e que pareciam realmente trabalhar a procura da verdade, não destruí-la como faziam aqueles que estes comentavam como seus algozes. Aquilo dava certo teor caseiro ao realizado naquele lugar mesmo que no bom sentido da palavra, não era algo duro, frio e inflexível, mesmo que a ciência por lá praticada assim a fosse, plenamente empírica. Jolene chamou Ofir a sala de testes que, porém, mais parecia algum tipo de sala de interrogatório. Toda branca e com somente uma mesa, igualmente branca tinha um espelho a frente que era para as observações e no fundo uma cama. O local se escureceu e a seguir imagens apareceram de modo a tentar testar a visão e reflexos do mesmo, sem quaisquer problemas adicionais, deixando os cientistas perplexos e perdidos em algum lugar entre a decepção e a empolgação. Perplexos e empolgados porque tal poderia levar a descobertas sem precedentes, decepcionados porque não tinha descoberto nada.

Trecho de 'Adormecidos: O Despertar de Hipnos" de Gerson Machado de Avillez – 2012 ® Sigam-me no Twitter www.twitter.com/GersonAvillez e visitem http://gersonavillez.blogspot.com

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