esquina do Óbvio

Porque a genialidade está à esquina do óbvio

Gerson Avillez

Fotógrafo e homem da prática de letras nas horas vagas, teólogo e pedagogo por formação, filósofo autodidata e por vocação. Descendente direto do Tenente-General Jorge Avillez, portador da Síndrome de Aspeger, trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, tendo fotos publicadas em jornais do Rio de Janeiro. Posteriormente trabalhou na Rede Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI especialmente na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), tendo escrito artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, Primeiro Capítulo e é autor de destaque da Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tem 21 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Editora Multifoco).Convido-os a curtir minha página no facebook: www.facebook.com/Filoversismo

Trecho de Síndrome Celestial

Trecho do livro de ficção cinetífica Síndrome Celestial, onde num futuro próximo um sinal fora descoberto codificado na estática dos televisores.


Estação Orbital, parte restante da nave Apocon Corredores e mais corredores confundiam-se o chão e o teto que por objetos flutuantes como papéis, ferramentas e mesmo pedaços de roupas vagarem de um lado a outro fazia parecer tal cena surreal sem encima ou embaixo algo de psicotécnico reprovável. Porém, alguém parecia se lançar propulsionando-se por barras de ferros naqueles corredores onde as luzes oscilavam sendo apenas mais fixa com a lanterna daquele astronauta que interrompendo o silêncio falou dizendo.

- Jiro, ativar o campo de gravidade artificial! - Acionando Ferdinando, porém, ainda não compreendo porque retornar a este local que deveria se tornar centro de treinamento ou museu orbital. – respondeu Jiro. - No momento tempos que conseguir encontrar aquele manual as leituras do portal com o ponto de fissura da espaçonave não batem. - A perícia já viu e reviu isto há anos atrás!

Ferdinando trajando-se de modo irreconhecível aquela roupa viu-se finalmente o peso a indicar alguma orientação de cima e baixo, porém, colocando seus pés sobre o teto enquanto peças caiam de todos os lados, do chão ao mesmo o fazendo exclamar.

- Jiro! Você ativou o campo de gravidade ao contrário! Se fosse um teste estaria reprovado! - Me perdoe senhor, estou refazendo.

O solavanco a seguir fez com que o mausoléu orbital oscilasse novamente as luzes o fazendo flutuar novamente e em seguida cair de cabeça, com seu capacete ao chão, ao menos era o chão mesmo. A respiração dele e um repentino bufar de desaponto o fez ajeitar a lanterna sobre o capacete e levantar-se procurando algum dano naquela roupa enquanto começou a caminhar por aquele lugar dominado apenas pelo silêncio funesto de um experimento interrompido. Alguns minutos se passaram com ele procurando algo no gabinete de comando quando achou uma pasta e num súbito instante o silêncio fora interrompido novamente pela voz do interlocutor em sua pulseira mostrando seu rosto, era Jiro.

- Recebemos chamado da Terra, senhor, disseram ser de extrema importância, querem que desça agora de órbita a sede científica global. - Como raios essa gente pode me ligar assim do nada! – respondeu Ferdinando quase deixando cair à pasta de suas mãos com o susto da mensagem.

Ao retornar para a estação, próxima a um grande anel que girava lentamente onde era o portal cujo funcionamento fora realizado pela última vez a trinta e seis anos, Ferdinando retirou o capacete e suado seguiu a passos nervosos pelo corredor de descompressão entre os demais cadetes e cientistas de modo determinado à sala de comando quando viu Jiro sentado no painel central cuja vista de um enorme vidro dava diretamente a terra formando o magnífico panorama do horizonte terreno como arco delimitado pela atmosfera azul e o negro do espaço abiótico.

- Quem fora o responsável pela mensagem? – perguntou Ferdinando a Jiro de modo severo. - Hebert Stoneset e Pietro Filodemo, disseram que o mega-projeto e-Quantic Cray descobriu algo que lhe coloca no jogo deles. - Como raios? Meu projeto é no espaço e não tenho tempo com latas metidas a telescópio metafísico. - O projeto é vital para todos nós senhor, as descrições quânticas por base no código quântico parece fazer total sentido se confirmando a todo o dia não sendo mera aleatória. - Ótimo, então você desce comigo. Antes tomarei banho. - Positivo senhor.

Alguns minutos depois, Ferdinando encontrava-se no suttle de re-entrada, o mesmo modelo que trinta e seis anos atrás atravessou por último aquele portal numa viagem sem volta e deixando mais perguntas que respostas pela perda de dois dimensionautas importantes que nem ao menos responderam os chamados. Tratando-se de missão de suposto resgate da outra metade da nave Apocon este temeram lançar outro resgate do resgate arquivando por tempo indeterminado aquele projeto de cooperativa internacional. A nave desengatou mostrando seu fundo onde os números eram visíveis, 15-37-10. E acionando sua propulsão mergulhou em direção a terra dando as costas para a lua que algumas luzes pareciam denunciar as primeiras colônias naquele lugar. A reentrada como um tijolo caindo em queda livre rapidamente fez surgir aquele envolto como um ‘U’ em torno da carcaça da nave reforçada para aquele tipo de reentrada até que desacelerou e o fogo a seu reator cessou e a propulsão ativada de modo contrário fez com que a velocidade estabilizasse até se aproximar do local de pouso revelando grandiosa cidade entre o verde e o cinza metálico de construções cujos desenhos lembravam a estrela dos ventos por ser intercalados por viadutos que sobre as florestas cortavam como meio de transporte. A nave pousou com segurança e foram recebidos pelas formalidades comuns de segurança temendo-se piratas que conseguiram recentemente numa empreitada adquirir tal tecnologia e mesmo roubar um daqueles suttles. Os dois sem perder tempo seguiram a passos largos diante de uma imensa estrada com carros quase flutuantes quando Jiro disse com a pasta do relatório de terra em mãos.

- Ferdinando, nunca vimos nada parecido com isto, alguns temem que possa ser algum tipo precursor a invasão, ou seja, lá o que. – falou o auxiliar técnico Toshi Jiro em meio ao transporte ao colosso do e-Quantic. - Como cientistas sérios temos a missão de desvendar sem crendices tal. – respondeu de modo cético Ferdinando – o fato de demonstrar interações inteligentes destas leis perante este código “genético” não demonstra-se algo tão diferente do evolucionismo bio-quântico e conseqüentemente algum tipo de Deus. - Porém, não somente como esta máquina parece ter descoberto algo que sempre ansiamos como alguns chamam de destino, aqui variáveis são detectas e mesmo tal presente séculos e milhões de anos atrás como se fosse algum tipo de “plano”. – insistiu Toshi Jiro. - Nosso próprio corpo segue o plano genético de construção e não faz disto necessariamente fruto de alguma inteligência superior. O destino que se refere é apenas o disparate de construção ao próprio universo que por fazermos parte alguns referem-se por destino.

Ao chegarem no local as portas daquele comprido veículo que mais parecia algum tipo de trem sem rodas sob a rodovia elevada que se estendia sobre florestas por coexistência pacifica entre estes dois mundos, o natural e o altamente tecnológico quando finalmente chegaram ao prédio que ao lado de outro colosso, a sede de projeto similar a T.E.M.P.U.S. adentraram o maior complexo científico que o mundo jamais construiu naquele lugar, passaram pela segurança local sendo reconhecido pela tecnologia que pegava assinaturas de crepitação quântica sendo reconhecido pessoalmente pelo próprio e-Quantic Cray sob os olhares curiosos de todos presentes naquele lugar que cochichavam uns aos ouvidos de outros sobre Ferdinando e informações sobre ele ter surgido naquele código genético do universo. Caminharam por extensos corredores quando na sala central de conferências aguardavam diversos nomes dos mais poderosos quilates, entre eles Apocon Keystone e Hebert Stoneset fundadores da T.E.M.P.U.S. que lhe reconheceram com grande surpresa e curiosidade sobre este.

- Boas-vindas caro Ferdinando e Toshi Jiro, temos vivido momentos muito emocionantes com tais descobertas que abrem precedentes para todos os projetos aqui realizados. – falou Apocon Keystone. - Sai de órbita terrestre espero que por bons motivos. – falou Ferdinando. - Certamente não haverá dúvidas quando isto. – falou Hebert Stoneset. – Porém, tanto o quanto dito aqui é classificado como confidencial mesmo que naturalmente seu nome já esteja percorrendo entre os chronologos da TEMPUS e a população, todos estamos curiosos, pois apenas nos levantou mais perguntas. Peço-lhe para que nos acompanhe até o mainframe do e-Quantic.

Os quatro seguiram por mais um corredor protegido por um segurança que tinha os braços metálicos articulações de exoesqueleto não como a recriação genética que Apocon passou para reconstruir seu braço parecendo nenhum pouco artificial, ao se abrir à porta revelou-se o colosso que se estendia pelo saguão com cerca de cinco andares de comprimento sendo reparado e monitorado constantemente por técnicos.

- Congratulações, vocês construíram a maior bola de cristal do mundo. – falou Toshi Jiro de modo sarcástico. - Não somente isto Toshi – completou Stoneset – Tal é muito mais que o primeiro ser senciente artificial do mundo e, porém descobrimos a essência do universo através do mesmo confirmando previsões estipuladas pelas missões da TEMPUS sobre o risco eminente do fim do mundo assim como de variações que por algum motivo não conseguimos tocar e do qual sabemos que Apocon faz parte. - O mundo acaba e não acaba? – perguntou Ferdinando - Está tudo presente nas informações desde entrelaçado quântico contra qualquer vã presunção banal dos ordinários em seu legado neandertal, de modo que nada simplesmente deixa de existir na linha temporal desde código. O que nos intriga, porém, é a presença de seu nome com parte disto, diretamente do centro do universo como se ecoasse lhe chamando ao destino. - Então como se fosse um mero manual tenho eu a obrigação de segui-lo? Como se fosse um roteiro previamente escrito? E se tal disser que simplesmente tenho que morrer? - Estamos aqui para decidirmos o que temos a fazer, porém, tal não congita-se deste modo, quando tal contradiz as demais leis comprova-se factualmente que no mínimo algo está errado. – completou Stoneset – ou nosso conhecimento ou simplesmente que tal afirmação está errada. Por este motivo não podemos perder tempo com crendices. - Estamos lidando com algo estritamente científico – interrompeu uma voz vindo do fundo, de trás de Ferdinando e se dirigindo a ele falou – satisfação, sou Pietro Filodemo, monitor-chefe do experimento aqui presente, mesmo que todo o maquinário seja completamente independente.

O homem magro e de cabelos grisalhos vindo até ao pescoço tinha o parecer bastante despojado para o local parecendo mais ser algum tipo de surfista aposentado que diante de Ferdinando o cumprimentando, afinal tal maquina o tirou de seu projeto por menciona-lo, era homem um pouco acima do peso e com o cabelo liso levemente caído sobre o rosto com sobrancelhas finas quase sem quaisquer fios e olhar severo como se fosse aqueles militares de campanha em plena guerra. Este o cumprimentou apertando-lhe a mão e seguindo o raciocínio de Stoneset que mesmo sendo o fundador da T.E.M.P.U.S. tal projeto era comum a este sendo como quase extensão e servindo imediatamente consulta as operações de campo.

- Como nota-se mesmo a vida quando interrompida abruptamente em sua linha temporal provoca flutuações atingindo a razão quântica como se atingisse o livre-arbítrio sendo entre tais responsáveis pelas flutuações a justificar os Seth tão presentes na TEMPUS. No seu caso o que percebemos é quase que como algum tipo de convocação a ativar o Projeto do Portal Orbital por dados detalhados como instruções ao mesmo. Naturalmente com se pode perceber a incidência das mensagens codificadas são aparentemente invariáveis não como meras ressoantes tendo sinais quânticamente similares ao dos Seth. - Porém, não sou Seth! – retrucou Ferdinando. – Só porque um computador metido a deus diz que decodificou sinais deste genoma intergaláctico não faz dele dono da verdade. Ainda é Inteligência artificial por redes neurais que por mais que use RNA humano apenas reproduz o funcionamento da mente. - Na verdade podemos afirmar que tal é consciente. – falou Stoneset. - Não somente apresenta poder criativo e evolutivo no quesito inteligente consciente, não por menos criando especificações representativas que torna próximos ao proposto demônio de Damocles quanto tanto o funcionamento corroba o status do consciente especulado por Gerson Avillez, o aspecto reflexivo do qual todo parâmetro no universo trabalha comprova a relação das harmonias e simetrias. – Pietro fez curta pausa acenando com as mãos para o grande maquinário e continuou – no universo tudo é comunicação, trocas de informações do qual as leis primárias de ação e reação são concausas e a mente do ser humano é não mais que isto. Onde não há comunicação não há lei, não há universo e é justamente isto que a anomia representa similarmente ao buraco negro por não apresentar aparente devolução correspondente e proporção. - Creio que não viemos aqui para discutir aspectos filosóficos. – falou Ferdinando. – Sobre correspondências de informações sabemos o que o universo representa mesmo nas disciplinas creio que todos aqui somos cientistas sérios e pertinentes ao sentido moral... - Este computador é apenas a reprodução em menor escala do universo, que não obstante todo este tamanho advém dos resfriadores e dos micros colisores a seu redor para reproduzir em escala bóson de higgs, quando mesmo o livre-arbítrio são reproduções escalares da reflexão binária mediante o conhecimento passado e previsões de probabilidades futuras que pelo quântico entrelaçamento consegue neste aspecto ser superior a nossa própria mente. – respondeu de modo imponente Pietro com grande orgulho do que construiu. – Siga-nos lhe mostraremos o que temos.

Eles caminharam pelo corredor ainda de uma pequena ponte sobre as grandes cápsulas de resfriamento que aquele maquinário exigia para impedir o aquecimento enquanto pessoas de jaleco constantemente monitoravam a procura de problemas, falhas, defeitos e qualquer outro tipo de perturbação que atrapalhasse o funcionamento, naquele computador bugs simplesmente não eram cogitação primária.

- Percebemos desde o começo que tal poderia nos fornecer mapas detalhados da própria anomia que vara as dimensões conhecidas como se as devorassem. Porém todos nós ficamos ansiosos quando simplesmente tal sinal fora decifrado com todo imenso código quadridimensional como se pudéssemos ao decifra-lo saber de qualquer variação acima das incertezas de Heinsenberg e qualquer variável, como se estivéssemos literalmente lendo a mente de Deus. – abriu-se a porta de outra sala revelando Pietro grandes monitores translúcidos e interligados - Por isso tal relação é feita deste modo, não por acreditarmos ser algum templo, é que partindo-se destes estudos notamos que simplesmente as leis que resultaram em nossa inteligência igualmente resultando o cosmos que em sua extensão entrelaçada é inteligente, podemos afirmar deste modo que assim Deus é deste jeito à personificação de tal inteligência por manifestar-se de modo como consciente sobre todo o cosmos.

Todos presentes pararam diante de o monitor central quando se abaixando Pietro e apertando alguns botões acionou a tela que teve gráficos alterados e então levantando-se novamente deu comandos por voz.

- Arquivos Vox Ad Tempus. Carregar... – falou Pietro

A tela abriu gráficos incompreensíveis a qualquer leigo, mas que por legendas nos gráficos demonstravam o que cada cor e formas significavam.

- Este pequeno ponto ao canto direito abaixo é nosso mundo. Estas oscilações que parecem advir dele são as variáveis em rastros temporais por oscilações de ressonâncias que quanto mais longe do centro do universo mais variável é a entropia resultante. - E aquela mancha verde acima à esquerda? Parece mudar de forma a todo tempo. - As cores são meramente ilustrativas, porém, esta é a representação da anomia, notem como ela atinge as variações do mundo provocando feedback temporal literalmente engolindo em anulação alguns mundos ressoantes como um buraco negro temporal quântico. Agora acima notamos o círculo maior... - O centro do universo. – falou Apocon - Exatamente. – respondeu entusiasmado Pietro. – observe que a variação é muita menor e por este motivo muito mais preciso. - Elemento de física básica. É como simplesmente quanto mais longe, a exemplo, da luz, mais tremule e oscilante fica. – falou Ferdinando. - É daqui que vem a mensagem para ti. – falou Pietro empolgado quase rindo de felicidade. - E o que tem no centro do universo? - Aparentemtne saídas para qualquer canto do espaço e tempo, enquanto a anomia literalmente interrompe o considerado continuo-espaço tempo, aqui parece ser a fonte dos paradoxos a crepitar saltos de energias por todos os cantos do mundo, por isso chamamos carinhosamente de Deus. Como se fosse o coração do mundo. - Não espere que vá fazer uma oração para este gráfico. – falou Ferdinando sarcasticamente, mas tendo por resposta o tom severo de Apocon. - Abrir mensagem Ferdinando A107. – falou Pietro para o computador revelando milhares de números e gráficos estatísticos. – Legal? Aqui temos – falou ele apontando para o número da tela – a correspondência do sinal bio-quântico de Ferdinando, ao lado a leitura de sua mente frequencialmente falando e abaixo especificações de coodernadas’ demonstrando inicialmente o Projeto Portal e os ajustes no mesmo. - Legal, temos um evento cósmico que sabe das coisas, mas não significa nada pra min. – respondeu Ferdinando cético.- é mais fácil descobrirem a razão de origem de outras espécies inteligentes. - Temos informações de todos aqui, basta-se pesquisar a fundo, o que não temos são designações futuras não de seu destino, mas como instruções do que tem de fazer, naturalmente como algum tipo de chamado. Porém, o mais interessante são estas mensagens abaixo, áudio por algum tipo de voz chuviscada por vir naturalmente junto com a estática primordial do tempo. E-Quantic, rodar mensagem Ferdinando A107.

Estation.jpg

A tela mudou os gráficos mostrando leituras das modulações de áudio com reprodução gráfica daquilo e ao se limpar o áudio da estática reconhecendo o gráfico de áudio tal fora reproduzido naquilo, mesmo que bastante pipocado, algo descoberto por simplesmente advir da fonte de onde todas as demais freqüências sua fonte vinham.

- Ferdinando... engraçado isso... A missão é necessária... Espécies. Procurar suttle... Daniel Machado aqui apenas... Algo singular, a revelação final... Seguir dados....

A gravação fora interrompida e quando começou a reproduzir novamente o áudio fora tirado fazendo Ferdinando se perguntar.

- Este é Daniel Machado desaparecido há trinta e seis anos? - As ondulações são inconclusivas para se determinar à identificação do dono da voz, porém, apenas podemos supor ser ele. – falou Pietro sorridente. - Ou simplesmente é o próprio Ferdinando em tal lugar - sugeriu Apocon. - Esse paradoxo é inconcebível. E se eu não quiser ir? - Talvez comprove que você tenha que ir. – respondeu Stoneset - Sendo o que for, apenas este é o recado naturalmente que pelo tempo muito se perdeu se não o suficiente para conseguirmos identificar leituras semelhantes nas mediações de Orion, onde este computador parece detectar movimentação do que acreditamos ser formas de vida inteligente. – respondeu Pietro. – Não obstante algo parece reforçar a necessidade de você ir a este lugar. A anomia. - O que tem ela? - Observe estes gráficos. – falou Pietro mudando a tela para o gráfico de cronografia quadridimensional anterior – notamos que esta reage a tal sinal desviando-se o que mediante cálculos estipulados pelo e-Quantic parece denotar justamente que seu ato tem no mínimo grande influência sobre a anomia. - Na realidade tais cálculos revelaram não obstante a especificação de outros mundos ressoantes mesmo que com leituras vagas pela interferência da anomia como se fosse a ruptura racional do cosmos simplesmente partindo uma destas variáveis criando um verdadeiro buraco temporal de lapso no tempo cronológico deles, que resumidamente nos leva a crer que a origem da anomia resulta igualmente de algum conflito no espaço tempo no mesmo ponto zero o universo a varar a terra. - Algum tipo de entidade cujo poder transcende o conhecido? – perguntou Ferdinando. - Não descartamos a possibilidade. – completou Stoneset. – O que queremos aqui, é que cremos que tal relação parece abster-se exatamente como provável responsável por destruir este mundo num futuro próximo que não é revelado mediante o sigilo científico do protocolo 37, mas que simplesmente desvio a missão original da TEMPUS ao propósito de investigar-se tal. - Doutor Ferdinando, o senhor tem dois dias pare decidir o que temos a fazer, caso aceite a tripulação contingente será escolhida a dedo pelo senhor assim como todo suporte necessário para cumprir as metas.

Ferdinando realmente ficou confuso com todas aquelas descobertas, quanto mais tratando-se de tal tecnologia que lhe levou a perguntar-se de que se alguém em outro mundo tivesse similar engenho quântico pudesse observa-los com olhos prenteciosos e usurpadores a ser responsável a criar toda aquela situação por implicações da então considerada lei – por algum tempo em meados do século XX – lei de Heinsenberg pela plena amoralização prática destes observadores que comumente conhecidos por bugmans eram como as chagas nas legislações querem fossem do governo, natural ou do universo conhecido. A idéia de realizar a missão para atravessar o universo, quer fosse em algum sistema em Orion ou no dito centro do universo o deixou completamente perturbado entre a curiosidade, medo e a recusa mediante as conseqüências. Todavia aproveitando-se daquela oportunidade de retornar a terra após longo periodo em órbita da terra – aproximadamente 107 dias que mesmo sob a gravidade artificial não se aproximava à gravidade terrena - resolveu visitar sua então família que desde a morte de sua filha por uma doença bio-quântica cujo fator de infecção não poderia ser contido separaram-se a manterem o relacionamento vazio e frio perante a perda do fruto do relacionamento deles, Lavinia Taylor. A mulher, Tiffany Taylor era morena com cabelos lisos, porém notável por seus olhos azuis que praticamente hipnotizavam quaisquer um que topasse com ela a justificar o porque daquele homem ter casado-se com ela.

- Fiquei sabendo da descoberta do e-Quantic Cray – falou tiffany. – Não atravesse aquele portal Ferdinando, é amaldiçoado. - Não diga tal! – falou Ferdinando tirando o casaco e colocando sobre uma cadeira – Pessoas como eu não se pode dar ao luxo de tais supertições, Deus é apenas uma ilusão recorrente de tais legislações é a miragem no deserto. - Não fale assim, desde quando perdeu nossa filha perdeu junto à fé, também não compreendo o porque, mas tal fato não signifique que não se tenha algum. – falou ela colocando a mão sobre seu ombro. – café geneticamente modificado? - Não, chá daquela planta do passado que Stoneset cultiva por aqui.

Os dois foram para a cozinha e a luz acendeu-se com a presença dos dois tocando uma música clássica e ressoante pelos cômodos da casa para que eles relaxassem, porém, não agradando nenhum pouco Ferdinando.

- Não pode mudar o gênero musical para algo mais inspirativa? - Você não mora mais aqui lembra? – respondeu ela com um sorriso em contraposto ao quase fora indireto.

Em seguida ela falou algo ao computador e o vapor de água saiu de uma pequena máquina que cuspiu o líquido numa xícara e em seguida ela lhe deu em mãos, cruzando o braço em seguida.

- 46 graus como o você gosta.

Porém, Ferdinando pouco se importou com o que ela disse olhando para uma foto holográfica num porta-retratos a pegando nas mãos e vendo o sorriso de sua então filha, Lavinia Taylor Pires.

- Talvez você procure as respostas e o porque na ciência – falou Tiffany ao vê-lo pegar a foto – Todos sabemos que mesmo podendo Stoneset não a deveria trazer de volta, aquela doença bio-quântica... - Tudo se resume ao porque – interrompeu ela falando. - Não há porque de ter este desprezo mesmo por Stoneset não é culpado se quer da anomia e a ciência sem ética moral poderia até traze-la de volta, mas o custo é imprescindível a alimentar o que mesmo a matou.

Ferdinando permaneceu em silêncio com a xícara nas mãos olhando a foto fixamente.

- Não deixe que ela leve junto parte de sua alma Ferdinando. Ela existe no passado e em nossos corações. E com tais descobertas sabemos mais o que pode haver em tal centro do universo, dizem ser o centro de singularidade imprescritível. - No entanto o portal é amaldiçoado, e já que crer não é o bastante o que sugere, fazer uma oração? - Não estou certa de que mesmo se alcançasse tal você poderia tirar as respostas dos braços de Deus. - Deus? – falou ele rufando sarcasticamente. - Duvido muito que seja a matéria escura ou a associação anomia desta, os exemplos da matéria espelhada, porém comprova a magnitude de tal universo.

Ferdinando largou a foto de Lavinia e a colocando de volta na mesa a menina continuava a sorrir como se estivesse ali com eles mesmo com seus olhos aparentemente os acompanhando como parte do programa por mais bizarro que soasse como aqueles quadros de mansões mal assombradas.

- Fiquei sabendo que ficou reprovada no teste de admissão na TEMPUS, me pergunto se o que procurava lá não seria o mesmo que dizes que procuro fora da terra. - Como poderia responder? Infelizmente o passado nos forja conscientemente ou não.

Os dois passaram longas horas naquele lugar e por alguns momentos riram juntos como nos bons momentos em que compartilharam seu casamento memórias felizes e histórias como passeios quer fosse em órbita da terra ou mesmo no tour temporal como cordialidade de Ferdinando fazer parte do consórcio científico global, algo que estudam abrir ao público com pacotes tempo-turísitcos a pessoas requintadas e abastadas de dons e talentos como típico na sociedade perfeita daquele mundo brilhante de gênios. Quando Ferdinando saiu do local a noite já caia sobre aquele lugar revelando a iluminação daquela casa e este olhou para as estrelas cujo firmamento sobressaia grandemente naquele lugar ao lado da lua enquanto numa grande Tv ao pegar o veículo mostravam comerciais sobre documentários da TEMPUS filmados em tempo de origem em associação com a National Geographic.

- Esta semana a incrível viagem às fundações do Vaticano. Nossos chronologos revelarão aspectos antes desconhecidos sobre a origem do Vaticano e de Constantino com cenas dos bastidores do concílio que deu origem a então maior religião do mundo. Não perca nesta sexta no Documento Temporal do NatGeo.

As imagens mostravam cenas reais dos próprios personagens em questão discutindo com seus trajes “engraçados” do periodo com pergaminhos em mãos enquanto pequenas janelas temporais e sondas monitoravam eles grande parte sem saber e abrindo discussões sobre a ética daquelas observações e mesmo alguns protestos de ativistas pró-Heinseberg que criam que o mero ato de observar poderiam criar oscilações temporais mesmo com todo respaldo técnico de isolamento quântico da T.E.M.P.U.S. No local de desembargue Jiro o aguardava com uma prancheta em mãos que na realidade era a revista Time Science da semana, publicação sobre as descobertas realizadas por aquele megacomputador que era o e-Quantic Cray exibindo na tela super final o slogan: “O computador que descobriu Deus”.

- Não gosto que leia tais publicações sensacionalistas Jiro, não se contamine com a crendice que somente interfere em nosso trabalho. - Não é crendice, o próprio computador é um milagre pelo que vi hoje senhor, fiquei lá e mesmo pude conversar com ele, aqui o mesmo cedeu entrevista para a revista e acredite tem idéias geniais e mesmo formula hipóteses científicas! - Ótimo entretenimento, no mais apenas os fatos empíricos sim?

Jiro sentiu-se completamente sem graça com o desmanchas prazeres de seu patrão que mesmo recenseando fatos cientificamente sem precedentes tornou-se mais frio que uma pedra de gelo séculos soterrada sobre a Antártida, porém, muito cordial o japonês mudando de assunto falou dizendo com certo entusiasmos.

- Então faremos aquele “passeio”? - Não é um passeio Jiro, é missão, missão científica não turismo astronômico! - Então? Ferdinando ainda excitante balançou apenas a cabeça em sinal de positivo enquanto as portas da nave se fechavam e se direcionando para a rampa de lançamento um pequeno solavanco fora sentido por empuxo os lançando em alta velocidade junto a mais dois homens que subiam a estação para renderem a escala de alguns cadetes que lá estavam quando um destes interrompendo lhes falou.

- O senhor é Ferdinando, Ferdinando Pires? - Sim. - É muito honroso poder conhece-lo senhor! Poder servir na Estação Orbital é privilegio para poucos, quanto mais na eminência de re-ativarem o portal.

Ferdinando definitivamente não estava de muitos amigos naquele dia, e apenas acenando com a cabeça respirou fundo e em seguida olhou para frente e inclinou a cabeça para o alto quando a nave subia fazendo as luzes da cidade ficarem cada vez menores formando o lindo mosaico que era aquele lugar, até que atravessando a atmosfera à ruptura entre a gravidade terrena e a artificial soou o aviso da cabine: “Ativando mecanismo de simulação gravitacional”.

Gerson Machado de Avillez – 2012 ® Sigam-me no Twitter www.twitter.com/GersonAvillez e visitem http://gersonavillez.blogspot.com

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