esquina do Óbvio

Porque a genialidade está à esquina do óbvio

Gerson Avillez

Graduando em pedagogia, bacharel em teologia. Conservador moderado de direita com tendências anarcopacifistas como crítica à corrupção e abusos de poder, e asperger por natureza. Homo Kaber Viven, natural do Rio de Janeiro. Hominídeo bípede de hábitos onívoros e graduando teologia. A pedra no rim do capeta, o dragão na garagem dos pseudos, a pulga atrás da orelha de Nietzsche, o calo nos pés do mau vidente. Membro do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) Autor de 20 livros até 2015 de Corpus Ad Ventus sua Magnus Opus. Convido-os a curtir minha página no facebook: www.facebook.com/Filoversismo

Resenha de 1984 de George Orwell

George Orwell - pseudônimo de Eric Arthur Blair - fez história - e talvez a tenha alterado - com o livro de modo que estados de vigilância profeticamente preditos por ele são remetidos ao termo 'orwelliano' em alusão ao Big Brother, o mesmo do programa televisivo de moral decadente. Natural que o estado de vigilância por câmeras é apenas uma fracção de sua predileção pois o voyeurismo governamental alcançou novas proporções com os escândalos da NSA.


"O Progresso, no nosso mundo, será o progresso da dor." George Orwell - 1984 - P.310

O clássico livro de 1949 apesar de datado a um então 1984 continua atual como nunca, ainda que as previsões não tenha se concretizado. Não se concretizaram? As assustadora as descrições do autor, parece que ele tenha roubado um manual dos tiranos ou seja um profeta, pois confere mais acertos que a Mãe Dinah às inúmeras ditaduras como da Coreia do norte atualmente, e mesmo o modus operandi de alguma seita ou sociedade secreta de moral duvidosa.

"Sabemos que ninguém toma o poder com o objetivo de abandona-lo. Poder não é um meio, mas um fim. Não se estabelece uma ditadura para proteger uma revolução. faz-se a revolução para instalar a ditadura." George Orwell - 1984 - Página 308

George Orwell - pseudônimo de Eric Arthur Blair - fez história - e talvez a tenha alterado - com o livro de modo que estados de vigilância profeticamente preditos por ele são remetidos ao termo 'orwelliano' em alusão ao Big Brother, o mesmo do programa televisivo de moral decadente. Natural que o estado de vigilância por câmeras é apenas uma fracção de sua predileção pois o voyeurismo governamental alcançou novas proporções com os escândalos da NSA e Echelon, por exemplo. Emails invadidos, internet espionada nada é seguro pois comprovou-se ser uma vigilância não para nossa segurança, mas para informação deles.

"No futuro não haverá esposas ou amigos, e as crianças serão separadas das mães no momento do nascimento, assim como se tira os ovos das galinhas. (...) O único riso será o do triunfo sobre o inimigo derrotado. Não haverá arte, nem literatura, nem ciência. (...) sempre a cada momento, haverá a excitação da vitória, a sensação de pisotear o inimigo indefeso. (...) os inimigos da sociedade estarão sempre ali para serem derrotados e humilhados o tempo todo." Página 312 - Smith sob a tutela de O'Brien durante uma sessão de tortura

Nota-se uma destilação de um extrato, suco da mais pura maldade personificada na sessão de tortura de Winston Smith. Algo que beira a demência sistemática e inominável de tão cruel e visceral. Visivelmente inspirou alguma coisa de Matrix. Parece o procedimento monarca a transforma-lo numa borboleta com aspirações em 'V For Vedetta' o qual a intensão é nada menos que remodelar o conceito de sanidade e realidade. Compreensível porque esse livro seja tão importante.

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"Só a mente disciplinada enxerga a verdade, Winston. Você acha que a realidade é uma coisa objetiva, externa, algo que existe por conta própria. Também acredita que a natureza da realidade é autoevidente. Quando se deixa levar pela ilusão de vê alguma coisa, supõe que todos os outros veem o mesmo que você. Mas eu lhe garanto, Winston, a realidade não é externa. A realidade existe na mente humana e em nenhum outro lugar. Não na mente individual, que está sujeita a erros e que, de toda maneira logo perece. A realidade existe apenas na mente do Partido, que é coletiva e imortal. Tudo que o partido reconhece como verdade é a verdade. É impossível ver a realidade se não for pelos olhos do Partido." P.292

Sobretudo a ideia não é somente a falsificação orwelliana da realidade e da verdade o qual mesmo pessoas são 'vaporizadas' - são tornadas em nada ao terem a vida deletada e quaisquer registros ou outras delas -, mas a cristalização da hipocrisia através do 'duplipensamento' em função da prática da contradição em detrimento da ilusão. Não obstante, porque a abstinência da verdade definha a moral por uma alienação completa e irreversível pela institucionalização do cinismo hipócrita: faça a maldade e seja conhecido pela bondade quando a exemplo do contrassenso da criação de um inimigo para massacra-lo e a prática da luta contra o opressor por métodos opressores é a capitulação da moral.

De todas as criaturas somente a figura genuinamente humana luta pela verdade, de modo que seu oposto denota um afastamento de sua essência e cerne filosófica. A dissonância cognitiva somente é permissiva - em alguns graus - como verdade a area da mecânica quântica e conveniente apenas ao multiverso. Construindo os preceitos até mesmo de numa nova língua que busque limitar o pensamento, a 'novafala', Orwell conseguiu feitos até então possíveis apenas por um Tolkien. Com o livro, uma espécie de exercício literário de um ensaio sob forma de ficção Orwell teria provado que é possível aprender história antes dela acontecer, mas já está acontecendo.

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Gerson Avillez

Graduando em pedagogia, bacharel em teologia. Conservador moderado de direita com tendências anarcopacifistas como crítica à corrupção e abusos de poder, e asperger por natureza. Homo Kaber Viven, natural do Rio de Janeiro. Hominídeo bípede de hábitos onívoros e graduando teologia. A pedra no rim do capeta, o dragão na garagem dos pseudos, a pulga atrás da orelha de Nietzsche, o calo nos pés do mau vidente. Membro do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) Autor de 20 livros até 2015 de Corpus Ad Ventus sua Magnus Opus. Convido-os a curtir minha página no facebook: www.facebook.com/Filoversismo.
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