esquina do Óbvio

Porque a genialidade está à esquina do óbvio

Gerson Avillez

Fotógrafo, autor, teólogo, filósofo e pedagogo por formação. Portador da Síndrome de Aspeger com superdotação (Qi 163), trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, com fotos publicadas em jornais cariocas. Posteriormente trabalhou na Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura,Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), escreveu artigos para a Revista Somnium, teve 35 contos selecionados e publicados na Revista Litera Livre, site Maldohorror, Primeiro Capítulo, Conexão Literatura, Creepypasta Brasil nas antologias Arte do Terror, Mirage, Nemephile, assim como autor da semana com artigos de destaque na Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários. Tem 27 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Ed. Multifoco). Convido-os a curtir minha página no facebook: www.facebook.com/Filoversismo

From Hell: Preâmbulo de uma distopia


A-Movie-From-Hell-2001.jpgO imaginário humano sempre teve interesse em tentar compreender a mente do mal, o que leva a psicopatas tão insensíveis a vida alheia que se tornam serial killers sanguinários e impunes deixando um rastro de mortes na história, muitas vezes deliberado como no caso de Zodíaco. Entre os mais notórios serial Killers está o quase mítico Jack, o estripador, e digo mítico pois apesar de todos esforços pouco se tem de certeza sobre quem fora de fato o autor dos crimes horrendos que colocaram o mundo em choque com sua crueldade sem precedentes.

A obra de Alan Moore nos cria hipóteses realmente fascinantes sobre esse caso ainda que atribuído de modo fictício. O filme adaptado dos quadrinhos de Moore fora dirigido Albert Hughes e Allen Hughes e nos apresenta a um passado não tão diferente dos futuros distópicos mostrados nos filmes de ficção científica. Um lugar degradado, cheio de lama, e mulheres se vendendo por um tostão para tentar sobreviver. Em meio a esse lamaçal e podridão onde mulheres são molestadas e tratadas como cadelas surgem crimes de crueldade crescentemente vertiginosa sobre estas prostitutas criadas por uma sociedade adoecida que era a Londres do XIX. Moore então nos apresenta a personagens fascinantes como o protagonista Inspetor Frederick Abberline que no cinema é interpretado pelo icônico Johnny Depp. Viciado em ópio o nada convencional detetive segue as pistas a leva-lo a desvelar uma rede de intrigas e conspirações envolvendo da família real britânica, prostitutas (claro) e a maçonaria.

No meio do campo especulativo agrega conceitos ordinários ao ocultismo que demonstram total sentido e um médico doente da família real a procura de vingança insaciável atrás da inimputabilidade da maçonaria. Vendo a sociedade secreta em risco em sua fachada, o homem então é julgado pela instituição com a intensão de abafar o caso, mas ainda sem confiar no futuro vindouro como se temesse a justamente isso, uma distopia.

Os tons que abusam de sombras do filme, em cores acentuadas ao azul e vermelho, traz uma sensação claustrofóbica extenuante entre as visões não menos sombrias do Inspetor drogado por ópio. Guiado por talento pelos irmãos Hughes esmiúça o roteiro de modo não menos criterioso e metódico que o próprio psicopata a nos conduzir por uma narrativa que dosa na medida correta suspense e o final esclarecedor de quase justiça plena, algo que não ocorre num distopia apocalíptica normalmente.

A trilha sonora que intercala sequências elaboradas entre becos e vielas da sombria Londres se entrecortam entre sequências do conterrâneo do Jack, The Ripper, o homem Elefante, aos mergulhos alucinados do inspetor em suas visões das cenas dos crimes, e a arrogância dos senhores de sociedades secretas. Dispensando detalhes viscerais da insanidade da maldade do arqui vilão o qual a trama de seu rastro de sangue é guiada por um senso de vulgo ímpar por uma inversão moral que vê naquela onda de crimes toda uma pureza do mundo.

O Filme é quase um clássico instantâneo, com um senso moral e ético bastante claro e uma crítica de como mulheres e segredos são tratados por pessoas inescrupulosas capazes de qualquer crueldade para ter o que desejam.

Menções bastante evidentes a Graal estão implícitas na película, da fuga da ex-prostituta que na história real teria sido morta, ao suposto filho ilegítimo da família real inglesa como metáfora a Maria Madalena e o hipotético - e jamais comprovado - filho de Jesus Cristo. Naturalmente que nos propõe sobre tudo um série reflexão, qual os limites da maldade humana pelo poder, a hipocrisia capaz de nos levar até o apocalipse apenas para não admitir o que é?


Gerson Avillez

Fotógrafo, autor, teólogo, filósofo e pedagogo por formação. Portador da Síndrome de Aspeger com superdotação (Qi 163), trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, com fotos publicadas em jornais cariocas. Posteriormente trabalhou na Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura,Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), escreveu artigos para a Revista Somnium, teve 35 contos selecionados e publicados na Revista Litera Livre, site Maldohorror, Primeiro Capítulo, Conexão Literatura, Creepypasta Brasil nas antologias Arte do Terror, Mirage, Nemephile, assim como autor da semana com artigos de destaque na Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários. Tem 27 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Ed. Multifoco). Convido-os a curtir minha página no facebook: www.facebook.com/Filoversismo.
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