Natany Pinheiro

Não há pessoa nesse mundo que me entenda. E eu, pra contrariar, entendo tanto de todos, que prefiro me distanciar. Escrevo para organizar meus anseios, minhas angústias. Escrevo para trair minha própria afirmação, na esperança de um dia ser entendida.

Quando decidi ser voluntária

Fazer algo bem feito e com impacto positivo na sociedade, não necessariamente precisa estar ligado a dinheiro ou diploma.

voluntariado

Pra que mesmo eu fiz tudo isso?! 

Às vezes parece que todo o caminho que seguimos durante a vida para de fazer sentido quando nos questionamos sobre nosso verdadeiro papel na sociedade.

Eu não sei você, mas não estava nos meus planos passar por essa vida sem deixar rastros. E quando falo deles, não me refiro à fama, sucesso e dinheiro, mesmo que sejam esses os tópicos venerados por todos que se predispõem a estudar, fazer uma faculdade e ter uma linda carreira.

No fundo, no fundo, eu nunca quis isso, mas foi isso que busquei durante quatro anos de faculdade. Até que o ponto final – a formação – me fez refletir sobre quem eu era, sobre o que eu queria ser e sobre qual papel eu queria desempenhar na sociedade.

Descobri que, por maior que seja a minha semelhança com todos os outros universitários e recém-formados, eu não queria continuar seguindo esses padrões. Descobri que passar 8 horas diárias em frente a um computador resolvendo problemas de pessoas desconhecidas não me faria feliz. Descobri que eu gosto de pessoas e de problemas reais, e que esses a gente não encontra em escritórios.

E o mais importante, descobri que fazer algo bem feito e com impacto positivo na sociedade, não necessariamente precisa estar ligado a dinheiro ou diploma.

Pra mim, há várias formas de ser relevante para a sociedade e eu queria fazer parte de uma delas. Foi ai que pensei no voluntariado. 

VER

Em pesquisas o Google me retornou o VER. Isso mesmo, VER – pra combinar com o meu novo olhar para o mundo. Uni o útil ao agradável – o que sei com o que gosto de fazer - e descobri a leitura voluntária, um dos programas do projeto. 

O VER é o voluntariado do hospital Emílio Ribas – hospital de infectologia de São Paulo. O projeto existe há mais de 10 anos e foi fundado pela Drª Glória Brunetti com a intenção de humanizar o tratamento das doenças infecciosas - como HIV e tuberculose, tratadas no hospital.

Para associar cuidados paliativos aos medicamentos tradicionais o projeto conta com diversos programas e vários voluntários. Esses ingressam através de um treinamento com palestras explicativas sobre o hospital, sobre o voluntariado e, principalmente, sobre o paciente.

Foi aí que eu me encaixei. Um trabalho que não exige diplomas, conhecimentos específicos ou idiomas, apenas boa vontade e um olhar atencioso para quem está precisando de cuidados. Um trabalho que não precisa ser remunerado para despertar satisfação. Um trabalho que ajuda pacientes do hospital e também aqueles que não têm mais paciência com uma sociedade individualista, arrogante e que deposita toda a felicidade num plano de carreira.

Decidi ser voluntária e foi a melhor decisão que tomei até hoje.

Decidi ser voluntária quando não vi mais sentido em nada e ainda assim precisei enxergar um caminho pra seguir.

Para conhecer melhor o projeto, acesse:

http://www.versocial.org.br/


Natany Pinheiro

Não há pessoa nesse mundo que me entenda. E eu, pra contrariar, entendo tanto de todos, que prefiro me distanciar. Escrevo para organizar meus anseios, minhas angústias. Escrevo para trair minha própria afirmação, na esperança de um dia ser entendida. .
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