Natany Pinheiro

Não há pessoa nesse mundo que me entenda. E eu, pra contrariar, entendo tanto de todos, que prefiro me distanciar. Escrevo para organizar meus anseios, minhas angústias. Escrevo para trair minha própria afirmação, na esperança de um dia ser entendida.

E por falar em saudade

Só quem já virou a esquina e deu de cara com a saudade sabe a dor que é não ter a coragem de correr atrás da reconciliação.

Quem nunca se pegou pensando em alguém com saudosismo, que atire a primeira pedra.

Saudade, por definição, é o sentimento causado pela ausência ou distância de algo ou alguém. Mas na prática sabemos que não são só causas irreversíveis ou questões geográficas que nos trazem a tão dolorosa saudade.

Se parar para refletir sobre a cena, vai ser fácil perceber que, na maioria das vezes, quem sente muita saudade, carrega consigo também outros sentimentos potencializadores dessa dor.

Afinal, passamos boa parte de nossas vidas querendo ter razão sobre determinados temas e levando isso até as últimas consequências – ou seja, o rompimento.

Só quem já virou a esquina e deu de cara com a saudade sabe a dor que é não ter a coragem de correr atrás da reconciliação. 

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Mas, por que será que – tendo a possibilidade de saná-la, optamos por cultivar a saudade?

Há alguns pontos responsáveis por esse comportamento.

O primeiro é o orgulho, o principal ingrediente para uma saudade duradoura. O indivíduo foge da reconciliação por acreditar na culpa do outro. Os términos que acontecem de forma traumática levam a pessoa a procurar os erros que o parceiro cometeu, como se um relacionamento não fosse pautado nas ações da dupla. 

Quando um dos participantes opta por nutrir o brio próprio, o afastamento que não devia ter acontecido é levado até as últimas consequências. E quando as duas partes entram na onda de esperar pelo pedido de desculpa do outro, a espera pode nunca ter fim. Pois logo a saudade se apega ao orgulho e o casal acaba por desistir da felicidade.

O segundo fator que ajuda a persistirmos na saudade é a vergonha. Algumas relações – amorosas ou não – se desgastam com o tempo, levando a brigas constantes entre os parceiros. Esse cenário é um prato cheio para términos repletos de ofensas e desrespeito. Quem opta por esse comportamento dificilmente consegue o perdão do outro.

Infelizmente, enquanto amamos, não fazemos só coisas bonitas. Antes de fazer parte de uma relação, o ser é individual, pensa por si só e, as vezes sem pensar, comete determinadas ações que prejudicam o todo. Como diz a máxima, errar é humano, mas quando se deixa a vergonha em assumir o erro falar mais alto, o prêmio é a saudade.

Já o terceiro e o mais complexo é a razão, item que deve ser ponderado quando o assunto é sentimento. Afinal, de que serve termos a razão se a felicidade está com o outro?

É muito comum fim de relacionamento acontecer por um integrante ser muito racional e acreditar que o término é a melhor opção diante do contexto de sua vida. Seja por que precisa investir na carreira profissional ou por que não quer desistir de uma viagem. A racionalidade nos leva a acreditar que conquistando coisas materiais não vamos sentir falta do que deixamos para trás. Mero engano. No final o que ganhamos são memórias para reviver o passado na teoria.

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Mas infelizmente o que vale em nossas vidas é a prática, o que sai do papel e que influencia diretamente nossos sentimentos, nossa felicidade.

Saudades é um sentimento nobre e digno, mas que não deve ser sentido em grandes quantidades. Não só pelo sofrimento que vem junto dele, mas principalmente por ser um problema que tem solução.

Não importa o motivo do término ou do afastamento, se há saudades é por que sobrou amor.

E nada vale a pena, nem orgulho, nem vergonha, muito menos a razão – perto de poder reviver um bom abraço, um cheiro especial e tornar a saudade palpável.

Se há o sentimento e a possibilidade de reencontro, vá atrás do passado e deixe o seu presente mais feliz. Afinal, não sabemos o que o futuro nos reserva, e pior do que sentir saudade é sentir remorso. Culpa por não ter baixado a guarda e aproveitado momentos.

E por falar em saudade...você bem que podia me aparecer! 


Natany Pinheiro

Não há pessoa nesse mundo que me entenda. E eu, pra contrariar, entendo tanto de todos, que prefiro me distanciar. Escrevo para organizar meus anseios, minhas angústias. Escrevo para trair minha própria afirmação, na esperança de um dia ser entendida. .
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