Natany Pinheiro

Não há pessoa nesse mundo que me entenda. E eu, pra contrariar, entendo tanto de todos, que prefiro me distanciar. Escrevo para organizar meus anseios, minhas angústias. Escrevo para trair minha própria afirmação, na esperança de um dia ser entendida.

Conversa de botas batidas: a notícia que virou música

Marcelo Camelo conseguiu fazer dessa tragédia uma bela canção para alegrar os corações dos apaixonados.

Não há quem nunca parou para ouvir uma música e se sentiu verdadeiramente tocado com a letra. Seja por que as palavras formaram um conselho que combinava com o momento pelo qual o indivíduo estava passando ou por que a história se mostrava extremamente comovente.

Mas, talvez, poucos desses ouvintes tenham encontrado uma melodia que entrega uma história verdadeira – não daquelas que acontece na vida do próprio compositor, mas sim tirada de uma manchete de jornal.

Para quem nunca teve esse prazer, deixo aqui a indicação da música: Conversa de botas batidas é o nome dela, música da banda Los Hermanos. 

Antes que pareça mais um dos artigos clichês sobre as belas letras compostas por Marcelo Camelo (que eu tanto adoro), explico que a essa música é mais, é quase que um registro policial.

botas batidas.jpg

A história que inspirou a música aconteceu de fato em setembro de 2002, num hotel no centro do Rio de Janeiro. Como jornais noticiaram na época, um desabamento deixou três pessoas feridas e duas mortas.

O acidente no hotel Linda do Rosário trouxe à tona um romance proibido. Os bombeiros encontraram as duas vítimas fatais nuas sob os escombros. Segundo relato do porteiro do prédio, o casal estava hospedado em um dos quartos e foi avisado sobre os estalos que antecederam o desabamento; o porteiro interfonou e chegou a bater na porta do quarto, mas não obteve resposta.

Laudo nenhum conseguiu descobrir se houve um motivo real para o casal ter permanecido no quarto. Mas, apesar da família do homem tentar abafar o romance, as análises feitas sobre o fato dos dois serem amantes, levaram à conclusão que os apaixonados optaram em permanecer no quarto.

Fato é que, Marcelo Camelo e toda a banda Los Hermanos conseguiram fazer dessa tragédia uma bela canção para alegrar os corações dos apaixonados.

Em cada estrofe uma parte da história. Em cada frase uma fala sugerida para o personagem. Em cada palavra a força de um casal que preferiu se juntar pela morte, do que ser separado pelas circunstâncias da vida. 

Segue a letra:

Veja você, onde é que o barco foi desaguar. A gente só queria um amor. Deus parece às vezes se esquecer. Ai, não fala isso, por favor. Esse é só o começo do fim da nossa vida. Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida, que a gente vai passar.

Veja você, quando é que tudo foi desabar. A gente corre pra se esconder e se amar, se amar até o fim. Sem saber que o fim já vai chegar.

Deixa o moço bater, que eu cansei da nossa fuga. Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar.

Abre a janela agora. Deixa que o sol te veja. É só lembrar que o amor é tão maior, que estamos sós no céu. Abre as cortinas pra mim, que eu não me escondo de ninguém. O amor já desvendou nosso lugar e agora está de bem.

Deixa o moço bater, que eu cansei da nossa fuga. Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar.

Diz, quem é maior que o amor? Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora. Vem, vamos além. Vão dizer, que a vida é passageira, sem notar que a nossa estrela vai cair.

Obs: não há declarações oficiais da banda sobre a inspiração da música, assim como não foi encontrada nenhuma negação sobre a história.

Fontes:

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,desabamento-deixa-tres-feridos-duas-pessoas-estao-sob-escombros,20020925p20002

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,5580,OI55020-EI306,00.html


Natany Pinheiro

Não há pessoa nesse mundo que me entenda. E eu, pra contrariar, entendo tanto de todos, que prefiro me distanciar. Escrevo para organizar meus anseios, minhas angústias. Escrevo para trair minha própria afirmação, na esperança de um dia ser entendida. .
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