Natany Pinheiro

Não há pessoa nesse mundo que me entenda. E eu, pra contrariar, entendo tanto de todos, que prefiro me distanciar. Escrevo para organizar meus anseios, minhas angústias. Escrevo para trair minha própria afirmação, na esperança de um dia ser entendida.

Amores Livres

“Eu já sinto um calor de amor, de amor ... quando você chega aqui!”

Falamos e ouvimos sobre amor o tempo inteiro. Quando não estamos sofrendo por ele, estamos tentando entendê-lo. E na pior das hipóteses, passamos a vida toda dando conselhos amorosos para os amigos que estão na fossa, crente que sabemos as regras para deixarmos o coração feliz.

Se eu fosse você, parava um pouco pra refletir sobre o tema. Mas se você acha complexo demais, vai gostar de saber que há pessoas que lidam com ele de forma bem mais leve e natural. E melhor, elas já refletiram e colocaram tudo num programa de TV.

O novo programa do canal GNT (não tão novo assim, já que já está na metade da temporada) é mais que uma série de historinhas de amor, é a realidade escancarada das faces que o amor pode ter.

Na verdade, o programa é uma série documental dirigida por João Jardim que apresenta, em 10 episódios, diferentes formas de manifestação do amor a partir de entrevistas com casais reais. 

Amores-Livres

O cerne do programa pode parecer batido à primeira vista – afinal, quem nunca viu uma série sobre questões amorosas?! Mas pode acreditar, esse programa é diferente.

O tema pode ser encarado como uma realidade paralela, que muita gente acredita não existir. Pode ser encarado como uma situação impossível de ser vivida, surreal e fantasiosa. Pode (mas não deve) ser encarado como uma imoralidade, afronta à família e à religião. E, tenho certeza, terão aqueles pra dizer que não é coisa de Deus.

Mas eu prefiro acreditar que vivemos num mundo onde há pessoas (ainda que poucas) que acreditam na liberdade do amor e na sua beleza, independente de onde, como e com quem ele aconteça.

O documentário mostra diferentes tipos de casais (com 2, 3, 4 ou mais integrantes) vivendo um amor livre – ou poliamor, como muitos preferem dizer. Alguns deles até fazem parte de grupos de pessoas com a mesma ideologia, que se reúnem para conversar sobre ou se relacionar.

Há diferentes realidades e forma de ingresso retratada nessa série. Alguns casais começaram a vida à dois de forma monogâmica até descobrirem a necessidade de ter mais companheiros. Em outros, apenas um integrante pratica o poliamor e é aceito pelo seu cônjuge. E há também aqueles que não se denominam casados ou namorando, e possuem uma rede de relacionamento onde todos se conhecem, se gostam e se envolvem.

Deixando de lado os termos técnicos e as descrições, os episódios passam de forma pura, sem filtro, o sentimento dos entrevistados. A forma como lidam com a situação e como se completam é passada através das belas cenas e delicada trilha sonora.

O programa não quer impor a aceitação de todos ao tema do poliamor (até por que, ninguém é obrigado a assistir), mas acredito que através dele é possível ter uma noção maior das possibilidades que o amor tem. E mais, ele serve para desmistificar conceitos, deixando bem claro que essas relações não são baseadas estritamente no sexo – como acredito que muitos conservadores devem achar.

Então, para os que acreditam no amor acima de tudo e querem se libertar de algumas amarras. Ou apenas para aqueles que buscam ver beleza num mundo de tanto preconceito. Eu aconselho a assistir o programa, que por sinal tem essa linda música como tema de abertura.

 

Amores livres passa todas as quartas às 22h30 no canal GNT.

Fonte.


Natany Pinheiro

Não há pessoa nesse mundo que me entenda. E eu, pra contrariar, entendo tanto de todos, que prefiro me distanciar. Escrevo para organizar meus anseios, minhas angústias. Escrevo para trair minha própria afirmação, na esperança de um dia ser entendida. .
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