exorbito

Devaneios e impressões de gaveta

Fabiana Lights

Estou ligada num futuro blue.

Corpos em Teia

Série fotográfica registra o olhar de um fotógrafo que ultrapassa as noções binárias de Corpo e Sexualidade.


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Seguindo as migalhas da pós-modernidade observamos a desconstrução das estruturas rígidas que, por muito tempo, engessou os corpos em mordaças e imutáveis modelos de composição. O corpo, enquanto um dado biológico e intransponível, se revela sob outra perspectiva: só que desta vez, mais fluída e metamorfoseável, atendendo aos aspectos mais subjetivos do indivíduo que o possui.Pensando nesta perspectiva, é possível compreender a série fotográfica do artista argentino Nico Ferrando – “ Me and my husband/My wife and me” - que traz, em cada fragmento fotográfico da série, uma gama de possibilidades para a construção e manifestação dos desejos corporais; para além da pluralidade de maneiras que o ser humano tem de se relacionar com os seus iguais.

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Em entrevista o artista revela que :“A descrição mais próxima que eu posso pensar em meu trabalho será: "fotografia interpretativa". No sentido de eu não usar o meio para documentar a realidade ou o que está ao meu redor, mas para representá-la do meu próprio ponto de vista. Em vez de encontrar e capturar, criar ou construir uma nova versão do que estava lá, a minha versão.(...) Eu nunca vi a fotografia como uma prova exata do que é real, mas completamente o oposto. Especialmente hoje, com o desenvolvimento de ferramentas digitais. Mesmo que a maioria das pessoas vê a fotografia como uma disciplina que tem chegar a uma “conclusão”, eu vejo isso como um meio que está apenas começando, especialmente agora que nós podemos alcançar e usá-lo como o que realmente é: uma ferramenta de representação em vez de documentação.”

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A “realidade” não perpassa os corpos, tampouco os modela. A imagem se torna significado e significa o desejo em ser, em se transformar. Talvez seja este o ponto que move o artista em sua série: a capacidade de transformações e reformulações a que o corpo pode permitir. Essa infinidade o possibilita a ser o inventor, e isso se concretiza por meio de sua obra. O tangível e o intangível se mesclam na mesma figura criando, portanto, novas fôrmas de experimentar essa possível realidade.

* Nico Ferrando vive em Londres e trabalha como fotógrafo; foi responsável pelas produções de multimídia do Museu de Arte Islâmica, no Catar; parte de sua obra está disponível para apreciação no “PHOTOGRAPHY: Museum of humanity”.


Fabiana Lights

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