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Devaneios e impressões de gaveta

Fabiana Lights

Estou ligada num futuro blue.

Maleficent (2014): Uma nova perspectiva para os Contos de Fadas

O rompimento com os modelos ambivalentes, comuns aos contos de fadas, nos revela uma nova tendência para abordagens e projeções das novas relações. Porque é tão importante, na contemporaneidade, saber o(s) outro(s) lado(s) da(s) história(s)?


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O prazer do cinema é revestido por toda uma aura, quase metodológica, que nos desponta a realizar toda aquela matemática que se estende da compra do ingresso a escolha da poltrona. Certamente, ao inventar um dispositivo que alia imagem e movimento, os irmãos lumiére sequer imaginaram o poder de imaginação que seu invento poderia conjurar. Assim, o cinema pode se revelar como importante instrumento de análise da sociedade, pois este mostra fragmentos excêntricos e peculiares do universo material e imaterial, que foi criado por quem e para quem o está assistindo. Maleficent (2014), em minha opinião, é sem dúvida um marco de rompimento, com paradigmas e arquétipos construídos pelos contos de fadas, há mais de 400 anos. A descentralização dos personagens protagonistas em A Bela Adormecida traz ao pódio a história de Malévola, a rainha do reino dos Moors.

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A trama é reconstruída a partir de elementos que brindam a contemporaneidade das relações, podendo-se questionar o por que de uma “demanda” em saber o outro lado da história. A história de Malévola silenciou-se por 400 anos e, somente agora foi requerida a voz a personagem, que se revela como uma guerreira, corajosa, generosa, e que não entende a ganância humana (a verdadeira vilã da história). A maldade e crueldade de Malévola pautam-se no sentimento de mágoa e vingança, devido a agressão cometida por um humano (o pai de Aurora), que corta -lhe as asas, para tornar-se rei.Contudo, Malévola se redime ao longo da trama, pois se apega a Aurora, e acaba amando a menina. Aurora, por sua vez, recorda-se de Malévola e a reconhece como sua fada madrinha, que sempre esteve a seu lado, durante toda sua vida até então.

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Estranho, complexo e um tanto quanto inquietante! As argumentações para tal expressão se pautam na significação dos contos de fadas para a compreensão de mundo, e sua funcionalidade. São parte da cultura popular que circulou em meados dos séculos XIV e XV em regiões da Europa; esses contos eram narrados por camponeses que pretendiam ensinar e alertar , por meio das fábulas, lições sobre a vida e seus perigos. É característico da estrutura desses contos: a construção dos arquétipos da mocinha (em sua maioria princesas) que é bonita , frágil, educada, passiva; a bruxa que é feia, má, cruel, vingativa, poderosa e inteligente.

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Contudo, o que podemos observar é que esses arquétipos são, agora, ineficazes pois cada vez mais percebemos discursos de aceitação da diversidade, pluralidade, etc. Assim, o cinema vem a calhar nesse processo de pedagogização, mostrando que não é mais o príncipe que salvará a princesa, mas que existem outras - várias- formas de amor verdadeiro. O/A vilã/o também pode ser herói, e que certos valores são mais caros que a beleza, como a generosidade que pode salvar a mocinha no fim da história, fazendo o “Felizes pra sempre” acontecer, sem que o príncipe seja realmente encantado.


Fabiana Lights

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