exorbito

Devaneios e impressões de gaveta

Fabiana Lights

Estou ligada num futuro blue.

Tears Dry ... On their own

Em releitura a Manuel Bandeira:
"Nem melhor nem pior
Amy não é um corpo
Amy são dois olhos e uma boca"


Nunca tive grandes perspectivas de endeusar ídolos e, tampouco, atingi o fanatismo adequado a que se propõem nos últimos tempos. Não tomem o exposto por uma crítica, pois é apenas uma constatação a nível pessoal. Creio que o “ser fã” traz a virtude do conhecimento de uma obra; saber de cada passo, pose, ou close pode se tornar uma obsessão prazerosa, e sinceramente, não creio que seja algo condenável. Assim, de antemão, peço desculpas aos grandes fãs, pois sou só alguém que admirou muito Amy Winehouse. Não acompanhei sua carreira, a figura pública, nem os escândalos a que se envolveu.

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Na minha concepção Amy era essencialmente som. Voz e musicalidade que se propuseram expor a animalidade dos sentimentos, o rasgar dos desejos e, para além das mais duras instâncias, trazia em palpabilidade a sensação de como o amor pode ser amargo para as criaturas venusianas. E, sem dúvidas, Amy fora uma delas. A cantora se destacou pra mim quando ouvi, pela primeira vez, Back to Black. Sei que é óbvio. O que posso dizer é que cada palavra, pronunciada e musicalizada, com aquele arranjo (fantástico), embaraçava meus neurônios, e o entendimento – de um jeito extraordinário – ia se tecendo. Não entendia por fonética ou por significação das palavras, mas por um novo modelo de compreensão construído por subjetividade que, provavelmente, nunca conseguirei explicar.

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Quando soube da morte dela fiquei extremamente triste. A tristeza multiplicou quando vi as reações da mídia. Quanta insensibilidade! Uma pessoa havia morrido e o objetivo de toda aquela movimentação era quantos volumes de jornais seriam vendidos, e quantos pontos a audiência poderia subir. É triste, mas, não posso condenar toda uma lógica de mercado. Que, de um jeito cru, noticiou a morte da cantora. Aí vieram os saudosismos, as piadas, e toda a reviravolta. No fundo, acho que ela só queria um pouco de paz, sem precisar de toda aquela confusão.

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Portanto, me perdoem caso o texto pareça vazio em informações. Não comentei a qualidade dos álbuns, ou o qual foi o verdito da crítica. Minha intenção única foi tentar fazer jus a grande voz que se fez ouvir, que tocou, trazendo o entender amargo que se fez em sentimento. Sei que parece simplório face a grande cantora que Amy Winehouse foi. Porém, a vida é feita de perspectivas e discursos, feitos de todos os lugares e opiniões; talvez, o trunfo repouse no simples fato de se ter o que falar e, mais importante ainda: ter-se aonde falar.


Fabiana Lights

Estou ligada num futuro blue..
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