exorbito

Devaneios e impressões de gaveta

Fabiana Lights

Estou ligada num futuro blue.

Prazer e Transgressão em Anjos Exterminadores (2006)

Para além do segundo sexo, entre as fendas da segunda sexualidade.


A realização dos tabus femininos é a temática do longa- metragem Anjos Exterminadores, dirigido por Jean Claude Brisseau. A trama se constrói a partir da degeneração do cineasta François (Frederic Van Den Driessche) impulsionada pela influência de dois anjos caídos, cuja missão é levá-lo ao colapso profissional.

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Jean Claude Brisseau movimenta a trama metalinguística de maneira branda, apelando ao movimento suave das câmeras, que constroem a ambientação e o cenário fotográfico em referência a temática renascentista, no que se refere ao uso das cores, e representação corporal das atrizes. A referencia ao renascimento não se reduz ao aspecto técnico do filme, pois o cineasta fornece ao espectador as representações da sexualidade feminina voltando-se aos amálgamas alegóricos do renascimento, onde o feminino reveste-se ao mitológico; suas atrizes se tornam ninfas e sacerdotisas, que se deliciam em templos baratos do prazer.

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A transgressão correlaciona-se diretamente ao princípio do prazer, sendo esta a idéia matriz que move o protagonista a adentrar no universo das concepções e desejos sexuais femininos. Contudo, o cineasta se aloca como espectador dos espetáculos sexuais, sendo, portanto, o dispositivo que proporciona as atrizes a experimentação do prazer em níveis até então desconhecidos. A sexualidade feminina foi, em demasia, o lócus de grandes intelectuais de diversas áreas do conhecimento. Freud convencionou-se a chamá-la o continente negro, denotando a selvageria e primitivismo que as mulheres conteriam em seu id (inconsciente) devido aos vastos processos repressão a que até então estariam sujeitas.

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A sensibilidade, quase experimental, denotada por Jean Claude Brisseau, transmutada em seu personagem protagonista, é digna de reconhecimento. O sexo, o desejo, a transgressão e a moralidade se constituem como objetos a serem aglutinados em subjetivismos e cor, lançando em tela a experiência do desconhecido que se traduz em prazer e rompimentos estruturais com as mais distintas e demasiadas formas de silenciamento e coerção.


Fabiana Lights

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