fábulas do mundo esquecido

Das artes da simplicidade aos mistérios da verdade

Gustavo Padilha

"- Que ousadia é esta de questionar uma verdade tão dita por muitos, por que de tanto absurdo?
- Ora, as respostas mudam a cada tempo. Tola é a pessoa que vive em uma verdade tão clássica e intocável quanto uma moderna de hediondas pesquisas e teorias".

Os dois lados racistas de A Outra História Americana

Que frieza é maior do que uma crença cruel e dolosa racista? Que reprimi moralmente e fisicamente o ser pelo simples olhar de testemunho durante a vida do seu dia-dia. Um julgamento é atribuído sem qualquer forma justa e jurídica que reativa o instinto selvagem por uma transformação ideológica desumana. Á em nossa história mundial diversos exemplos ocorridos, um deles foi o terceiro Reich Nazista, que impregnaram tanto a devastação humana em seus territórios como controlaram as mentes de seu povo. E este filme demonstra a transformação mental atual dessas ideias, que ainda existem hoje.


"Nós não somos inimigos, mas amigos. Não podemos ser inimigos. O ímpeto da paixão não deve romper nossos laços de afeto. As cordas místicas da lembrança soarão quando tocadas novamente. E certamente será através dos melhores aspectos de nossa natureza".

Cada vez que assistimos um filme antigo, cult, deixando de lado qualquer aspecto de motivação para assisti-lo (seja por ator, diretor), nos impressionamos com a forma artística muito bem elaborada que parece inexistir nos longas metragens atuais. Não é uma afirmação julgadora, mas sim uma visão superficial pelo número de filmes “incompletos” de agora, que o seu conteúdo, transmissão, mensagem, parece ser substituído por efeitos especiais. Logicamente, é completamente possível a mistura dos dois, mas na maioria dos casos essa juntura pesa na balança muito mais que a outra.

Poucos dias atrás eu li o artigo Guilherme Fernandes sobre o filme Closer. Embora que ele tenha alegado que a importância da sinopse se equivale a um trailer (o que sim é verdade, embora nós mesmos tenhamos que procurar diversas sinopses em diversos outros sites, evitando se confinar em uma fonte somente), ele escreveu uma frase que esta relacionada com o que eu escrevo agora:

Por mais que o mundo viva de forma virtual e visual, as letras ainda fazem parte do negócio.

É neste aspecto que eu legitimo o filme A Outra História Americana “American History X” lançado em 1998. Suas fortes histórias e o cenário construído em plena época de preconceitos e racismos raciais nos Estados Unidos demonstram neste longa os dois lados problemáticos da raiva, ira, e influências ideológicas que criam uma reação imediata por uma mera física exterior diferencial. Os conceitos desumanos estimulam o pensamento falso de “nacionalismo” americano, ligados a uma ideologia totalmente sanguinária e destruidora Nazista, como hedionda racista. Ocorre uma influência total na mente de diversas pessoas, mas que, elas mesmas, não compreendem aquilo que estão defendendo, e utilizam uma desculpa sem qualquer comprovação de teoria ou utopia real. Essa forma de “construção de mentes e opiniões” são demonstradas no filme, da falta de análise e desenvolvimento próprio que fazem a pessoa crer em algo sem que ele mesmo tenha procurado investigar tais princípios. Não é tão diferente se relacionarmos com a própria religião, da visão cega de rejeição a “qualquer outra igreja” existente, que faz o ser negar completamente o outro. E o pior, julgar e agredir, moralmente ou fisicamente, controlando assim, tais ideologias e princípios, toda a ação e reação da pessoa.

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Derek Vinyard (Edward Norton) é o principal no drama. Filho de um falecido bombeiro que, enquanto apagava o fogo de um prédio em um subúrbio de bairro negro, fora baleado e morto. Após a perda, Derek começa a levar em si os próprios princípios que o pai dizia sobre os negros, e assim, procura outras formas acrescentadoras para radicalizar essa raiva, que culpa uma porção imensa da humanidade como “invasora” ou "destruidora" de países, como se fosse uma praga. Seu irmão Danny Vinyard (Edward Furlong) testemunhara toda a “formação mental” de Derek, desde as instigações do pai até a prisão do irmão. Neste tempo, Danny, em análise do Diretor do colégio Bob Sweeney (Avery Brooks), oferece-o uma oportunidade na escola com um novo trabalho, depois que Danny entregara um ensaio sobre “Mein Kampf” (Minha luta) de Adolf Hitler. No mesmo dia da proposta é que Derek é solto da prisão, fazendo assim, uma divisão na história entre “preto e branco”, do passado a atualidade. As lembranças são as definições da história de cada mentalidade das personagens, de toda sua opinião e formação do ser.

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O filme se passa em 1991, quando ocorrera o polêmico caso real de Los Angeles sobre Rodney King, que iniciou uma polêmica na mídia envolvendo o forte racismo da época em que oficiais de polícia, após abordarem Rodney em seu veículo, que estava bêbado e em alta velocidade, o agrediram “mais do que o necessário”. Segundo os policiais, o suspeito havia tentado agredir um dos oficiais.

Derek, após ter testemunhado e experimentado na prisão a ilusão incoerente do que defendia, pela percepção que todo o julgamento de culpa que pregava aos imigrantes, negros, judeus, decidiu acabar com essa antiga vida, que era um erro lamentável em que começara a radicalizar após a morte de seu pai. Em face dessa decisão, na sua volta a cidade após ficar 3 anos preso, Derek instiga o irmão a também optar por esta decisão, que o caminho em que estava, que acreditavam e defendiam, era um devaneio controlado por alguns princípios completamente hediondos e desumanos, que fazia cegar todos aqueles que acreditavam. Pela experiência na pele em que viveu, Derek compreendeu o ultraje caminho que estava o levando, e de agora estava transformando o seu irmão.

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Este longa torna nítido os dois lados julgadores da história. Ele separa, entre preto e branco (ou o careca e o cabeludo para aqueles que assistiram), a influência e a raiva cega ideológica em que Derek acreditava e obedecia, e colore com a percepção da crueldade desleal, do julgamento racial e das consequentes ações que isso trazia para si e para sua família. Ele percebe que a imposição mental desta hedionda crença se trata de somente alguns princípios, e que desconhece o seu todo conteúdo que impregna. Um exemplo forte a ser dito seria da própria mãe de Derek e Danny, Doris Vinyard (Beverly D'Angelo) que após a perda do marido, testemunhara o filho a entrar nas atrocidades do neonazismo dos Skins Heads, que acreditava que tal consequência fora do falecimento do marido. Tão logo, como consequência exemplar, seu outro filho, Danny, estava se tornando igual ao irmão preso. Derek também não aceitara e condenava a mãe pelo relacionamento com o professor judeu Murray (Elliott Gould).

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É uma grande perda, aos filmes atuais, substituírem essas transmissões fortes de dramas da realidade atual por aventuras e ações com grandes explosões visuais. Jamais pode alguém determinar e escolher que espécie de gênero de filme que as pessoas devem assistir, mas que possam indicar e mostrar que esses filmes, sem qualquer ação, superpoderes e explosões, possuem um desenvolvimento tão atingível a nós que instiga-nos a perceber tais influências que nós aderimos. De passarmos a tentar compreender aquilo que estão nos dizendo, seja por qualquer assunto que nos seja dito. Sempre haverá filmes que conseguem misturar a arquitetura de um drama com uma arte explosiva de design e ação, que demonstram, mesmo em face dos diversos problemas que a personagem possui, citar o cenário e os problemas que ele vive, e que gostaria de mudar. Mas um filme tão elaborado e centralizado no ser existencial da pessoa jamais conseguirá ser substituído, e que deveria ser tão assistido e discutido quanto a aqueles tão esperados de adrenalina visual.

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A vida é curta de mais para se sentir raiva o tempo todo".


Gustavo Padilha

"- Que ousadia é esta de questionar uma verdade tão dita por muitos, por que de tanto absurdo? - Ora, as respostas mudam a cada tempo. Tola é a pessoa que vive em uma verdade tão clássica e intocável quanto uma moderna de hediondas pesquisas e teorias"..
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