faíscas

Do simples ao complexo, do real ao abstrato e umas faíscas de ideias.

Jonas Sakamoto

Jonas Sakamoto é descendente da Terra Nipônica, graduando em Jornalismo, guitarrista, cinéfilo, apaixonado por música e fotografia. Ás vezes viajante, mas segue a vida 'paciente, confiante, intuitivo'

Alter ego(s): Um outro eu?

alter ego |é|
(locução latina, do latim alter, altera, alterum, outro + ego, eu)
s. m.
1. Outro eu.
2. Pessoa em que se deposita a máxima confiança.

Um alter ego, como a própria expressão aponta, é um outro eu ou outra roupagem de nós mesmos. As nuances e pensamentos ligado a isto pode fazer algo digno de ser trabalhado e analisado, e o que pode desencadear numa história (falando de cinema) é um tanto interessante e rico, pois a ideia de ter dentro de uma única pessoa duas pessoas é algo aleatório e interessante.


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Alguns fimes souberam trabalhar de forma magnífica personagens com esses traços, ressaltando além do que já foi dito, situações e dilemas em que eles se questionavam e até dialogavam entre si mesmos. Possíveis revoluções, descobertas e uma busca por saber de fato quem realmente eles são é o que norteia a evolução deles, fazendo assim personagens únicos e no mínimo, interessantes.

Como é o caso do clássico da década de 90, Clube da Luta (Fight Club), na trama retirada do livro de Chuck Palahniuk temos Jack (O narrador interpretado por Edward Norton), uma pessoa que simplesmente tem tudo o que quer e "ganha" a vida em um emprego que não passa do que já é. Ele acha que sofre de uma insônia, procura tratamento, mas a solução aparentemente se dá ao ir em encontros como de Alcóolicos Anônimos, de Doenças e afins, o que se desfaz ao conhecer Marla Singer (Helena Bonham Carter). O personagem que ele vem conhecer depois se chama Tyler Durden (Brad Pitt), Tyler simplesmente é o que o Jack mais admira e sonha um dia ser, e nele está tudo o que o Jack quer. Ambos criam o Clube da Luta, indagam, conversam e compartilham ideias e no desenrolar da história você observa uma forte ligação entre ambos e a medida que o filme evolui os outros personagens e nós sentimos que algo está estranho, como por exemplo a revolta da Marla e a cena dentro do carro do Tyler "conversando" com o Jack.

Outro filme que trabalhou isso de forma épica, foi a obra O Operário (The Machinist), um filme que literalmente bagunça com seus neurônios e bate na sua cabeça de forma psicodélica. A trama mostra Trevor Reznik (Christian Bale) que não dorme há cerca de um ano e vítima de uma brutal insônia, que faz com que ele simplesmente aparente um zumbi. Indagações e flashs de uma vida que já teve sentido aparecem em vários momentos e um quebra-cabeça parece cada vez fazer sentido (ou não). O Operário é um filme digno de ser assistido mais de uma vez por se tratar de aspectos atemporais e jogadas psicológicas magistramente articuladas, além da presença de uma peça chave no filme (Assista ao filme!).

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O Cavaleiro das Trevas merece sim um espaço nesta temática, por mostrar dois personagens até antagônicos vivendo sobre a mesma carne. Bruce Wayne/Batman (Christian Bale) é no minímo interessante, pois ele apresenta vários traços emocionais e psicológicos, a busca por justiça e a tentativa de compartilhar seu medo com a cidade de Gotham torna a trama do morcego uma jornada de indagações e pura busca de algo que conflutua dentro dele mesmo. Já pararam pra pensar que cada vilão dele é um traço de sua personalidade? Mas é assunto para um outro momento.


Jonas Sakamoto

Jonas Sakamoto é descendente da Terra Nipônica, graduando em Jornalismo, guitarrista, cinéfilo, apaixonado por música e fotografia. Ás vezes viajante, mas segue a vida 'paciente, confiante, intuitivo'.
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