faíscas

Do simples ao complexo, do real ao abstrato e umas faíscas de ideias.

Jonas Sakamoto

Jonas Sakamoto é descendente da Terra Nipônica, graduando em Jornalismo, guitarrista, cinéfilo, apaixonado por música e fotografia. Ás vezes viajante, mas segue a vida 'paciente, confiante, intuitivo'

Crônica | A Arte de Andar de Ônibus

Dentro de um ônibus você pode embarcar em uma viagem de minutos, ou encarar nuances de sua mente. Problemas existem, mas se encararmos tudo como um aventura aleatória, quem sabe nos desprendemos um pouco a materialidade e da rotina que nos encara todo santo dia. Andar de ônibus pra uns pode ser simplesmente, uma arte!



ônibus_pngO transporte público no Brasil é algo essencial para a maioria da população, que vive verdadeiras aventuras ao usufruir deste meio. Em um ônibus pode acontecer e acontece de quase tudo, senão tudo...!

Eis quem vos escreve também usa este meio para se locomover. Um ônibus é um carro grande com um motorista que gosta dos extremos, tem aquele que é mais lento e parece que vive na vibe do paz e amor, e aquele outro que curte a adrenalina e não tá nem aí, “manda” o passageiro pular dentro do ônibus, para este mesmo passageiro desenvolver até algumas técnicas para se equilibrar.

O motorista paz e amor não liga se o amigão do carro pequeno ao lado tá há meia hora buzinando e xingando ele. Manda os passageiros subirem, não liga se não vai dar mais ninguém, pois acha que o ônibus é que nem coração de mãe, cabe sempre mais um. Vale lembrar que muitos deles acham que dois corpos ocupam SIM, o mesmo lugar no espaço. Acho que cabe mesmo, é só lembrar daqueles indivíduos que acham que podem ficar atrás apertando você contra a cadeira, quase fazendo com que você sentar no colo de outro passageiro, que te olha com a cara feia, como se a culpa pelo empurrão fosse sua.

Não existe maior interação social do que andar de coletivo, o próprio nome já diz tudo, todos estão no aperto juntos. Tem desde o educado até o totalmente mal educado, desde o grosso até o que cede a cadeira para o idoso, da criança berrando querendo peito da mãe, e as figuras como os DJ´s e o pessoal da igreja no ônibus. Sem esquecer os que pedem ajuda, com o discurso praticamente pronto e igual ao do outro que vai subir no ponto seguinte. Quem se lembra do: “Boa dia senhores e senhoras passageiros, desculpem estar aqui atrapalhando a viagem das vossas pessoas...?”

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Por falar em figuras que aparecem, é quase diário quando vejo três figuras certas: o DJ, o cantor e o pastor. Me diz aí, qual é o pior? O pastor é aquele que vê o que é diferente, classifica-os como perdido e adjetivos afins e inicia a pregação, os cantores (e cantoras) são os que devem se sentir frustrados, e não satisfeitos, resolvem desbravar e abrir os pulmões dentro dos coletivos que estamos falando aqui. E por último e não menos importante (ou não), eles, os DJ’s de ônibus. Figuras esdrúxulas, que possuem fortes sintomas de egocentrismo e acham que o seu gosto é universal, amplamente aceito e sem características ruins. Estes indivíduos são por muito odiados, pois simplesmente colocam seu equipamento nas alturas, obrigando todos a partilharem de sua música e esquecem que fones de ouvidos estão aí para serem utilizados.

A universalidade dos protagonistas dos coletivos é grande, isso mesmo, quem aí já tirou aquela soneca gostosa e esqueceu-se da vida por alguns minutos (que na verdade são segundos!)? Não é novidade, os engarrafamentos, apesar de muitos odiarem e se estressarem fácil, para os sonecas de coletivos tem uma ótima função, cochilar e/ou dormir. Existem os pescadores natos, os sonâmbulos e, pra mim, o mais, vamos dizer, especial: aquele que dorme do momento que sentou até a hora de descer. Detalhe: inexplicavelmente, ele sabe a hora de acordar e pedir a parada. Dom de poucos, não!?

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Há quem diga que andar de ônibus é uma aventura ou é testar a paciência diariamente. A real é que andar de ônibus é uma arte, é a arte de sentir todas as emoções e situações possíveis, é paquerar sem saber que pode durar até o ponto seguinte, é ser eclético, é ser cantor, é ser filósofo, é saber dividir, saber esperar, esperar mesmo sozinho no ponto mas esperar, e por mais tempo que você espere você sabe que esta mais perto do ônibus chegar, ou então chegar no ponto e 10 segundos depois seu ônibus chegar, ou então ele já ter passado, é sinalizar pro motorista e ele passar direto e de quebra, sorrir da sua cara. Ou então correr e na hora não ser o seu ônibus, enfim, é aventurar.

O coletivo é uma aventura ímpar, pois proporciona um tour pela cidade, a oportunidade de conversar com aquela pessoa e possivelmente nunca mais ver, é treinar a virtude da paciência, é se preocupar, é o momento da leitura, é se desligar do Mundo, é dormir, é acordar, é malhar (sentar e levantar é um ótimo exercício), enfim, andar de ônibus é uma arte!

Jonas Sakamoto

Jonas Sakamoto é descendente da Terra Nipônica, graduando em Jornalismo, guitarrista, cinéfilo, apaixonado por música e fotografia. Ás vezes viajante, mas segue a vida 'paciente, confiante, intuitivo'.
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