feminalis

Um pouco da essência feminina

Carlos Mion

Terapeuta neuropsicanalista e coach com ênfase em comportamento feminino, palestrante, escritor, neurocientista clínico, e advogado. Minha missão é utilizar o que eu sei para fazer a vida de alguém melhor. Assim tudo valerá a pena.

Vamos atingir a meta, depois dobrar a meta... no Tinder

Não importa a sua idade, não importa onde você mora, o comportamento social atual está mudando a sua vida. Cabe a você adotar ou não certos estilos de vida.

Outro dia desses, a Ana Beatriz terminou o seu namoro. Decidiu entrar na onda, curtir um pouco e arriscar. Estava solteira! Instalou o Tinder.

Estabeleceu uma meta. Conhecer pelo menos duas pessoas e ver no que dava. Podia rolar, podia não rolar.

Inicialmente buscou quem estava mais perto. Limite de 10 km e idade entre 18 e 25 anos parecia um bom começo.

Não deu certo. Só queriam curtição, ela disse. O papo sempre começava com “E aí, gata?” e terminava com “na minha casa, na sua ou à luz da lua??”

Decidiu então aumentar a distância de busca. Ampliou para 30 km e estipulou a meta etária de 18 a 35 anos. Talvez assim encontrasse alguém mais maduro e sério.

Até conseguiu algumas combinações. O papo rendia, mas só gente comprometida e safada. Além do mais, ninguém atraente o suficiente. Precisava encontrar algo melhor.

Para conseguir atingir a primeira meta, então, resolveu colocar algumas fotos mais atraentes. Photoshopou bastante, e deu certo. Teve dois encontros, mas em um deles o cara falava demais, e no outro, não falava nada. Não quis continuar, bloqueou os dois e voltou para o Tinder. Precisava de algo melhor. Ia seguir a mesma fórmula. Investir no visual com mais fotos, mas sem ser vulgar.

50 km.

70 km.

O mundo parecia pequeno, mas muito trivial. Conheceu tanta gente, mas só gente chata, com defeitos e aparentemente promíscuas. Viu que era possível ir cada vez mais longe. Resolveu mudar a descrição do perfil deixando claro, para quem era casado ou estava em algum tipo de relacionamento, não a procurar. Não queria mais nada casual, ou queria, mas achava que não queria. Talvez quisesse. Era algo confuso.

Resolveu então dobrar a meta. Conseguir alguém bem melhor, mais bonito, mais inteligente, mais bom de cama, e que quisesse algo sério, é claro. Sua vida era muito corrida e não tinha tempo para conversar com pessoas na rua, mas precisava de alguém de qualidade e que se enquadrasse no seu perfil quase perfeito. O Tinder tinha que encontrar essa pessoa!

140 km, idade até 70 anos. Não havia mais limites.

O tempo passou, ela ficou, se enrolou, namorou, casou, separou, mas sempre voltou ao aplicativo cardápio, mesmo quando já parecia ter o que queria. Sempre sentia que precisava encontrar algo melhor ao primeiro sinal de tédio. A oferta era grande e promissora, e muito embora soubesse que escolher alguém para se relacionar não era tarefa fácil, insistia na frase: “Não estou aqui para curtição, se você está, aperte o X e tchau”. Às vezes, quando a razão aparecia, ela mesmo se perguntava: se me proponho a escolher pessoas para me relacionar como escolho uma fruta na prateleira, ou uma roupa no cabide, como posso esperar que não queiram fazer o mesmo comigo e depois experimentar outros sabores, ou outras roupas?

Acabou percebendo que na realidade a sua meta era simplesmente ter um relacionamento fácil e perfeito, e que não importava o que estabelecesse, sempre estaria insatisfeita, pois acostumou-se a excluir pessoas passando o dedo para a esquerda, e aprovar outras passando para a direita.

As redes sociais criam a ilusão de que podemos sempre encontrar algo melhor, o que nem sempre é verdade. Ao primeiro sinal de discórdia, ao primeiro sinal de que não será exatamente do jeito que queremos, sentimos a inevitável vontade de não nos esforçarmos mais para que dê certo. Vai que o próximo...

Abraço e até a próxima.

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Carlos Mion

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