FiftyFive

O observador imaginário...

M.Zenith

55 "The largest triangular number in the Fibonacci sequence" Sou um entusiasta de padrões matemáticos, estes são uma grande pista. Atestam que o acaso não existe, atestam que o "acaso" é um padrão de longo prazo

2.492

Entre 1492 e 2492, um milênio se passou, das caravelas sobre o mar de Cristóvão Colombo até um hipotético futuro ainda remoto do século XXV! O que aconteceu e o que vai acontecer até lá? previsões de um mundo estranho...

" um mundo pós apocalíptico onde você terá a sorte(ou azar) da permissão de não morrer! "


Bússula.png

Será que em 2492 alguém saberá que Cristovão Colombo existiu ou a História também já será um fóssil?  Em pouco mais de 500 anos, o fato de uma pessoa atravessar um oceano sem saber para onde ia, contando com instrumentos rudimentares de navegação e movendo-se apenas pela força dos ventos parece algo inverossímil, quase uma curiosidade para as novas gerações, pois que qualquer criança hoje se localiza no planeta com um simples GPS instalado no celular. 

Caravelas.png

O desenvolvimento de tecnologias se dá em progressão geométrica e -para continuar no tema transportes- podemos ver que pouco mais de 100 anos se passaram entre o 14 Bis e a estação orbital. Santos Dumont girou em torno da torre Eiffel para provar que aquela engenhoca mais pesada que o ar voava sozinho mesmo. Hoje cosmonautas assistem a final da Copa do Mundo de futebol enquanto orbitam suavemente em torno da Terra. E mais: pessoas estão sendo cadastradas em todo o mundo para serem em breve os primeiros passageiros de um vôo a Marte. E foram só 100 anos, repito.

14Bis.png

Imaginar a Terra em 2492 é muito difícil.

Em apenas 35 anos pulamos de 3,5 bilhões de habitantes para sete bilhões. Empurradas por essa ocupação acelerada, espécies animais vão desaparecendo. Se humanos cresceram 100% nesse mesmo período a variedade de espécies animais existentes foi reduzidas em cerca de 40%. Nesse ritmo, antes de 2050 seremos 14 bilhões e animais só existirão em pequenas reservas, zoológicos e fazendas de redes de fastfood. Para alimentar naturalmente todos que estiverem por aqui restarão apenas os coitados dos peixes. Fora isso só mesmo comida industrializada e poucos vegetais. Imagine quando a viagem de Colombo completar um milênio.

People.png

Outros setores da atividade humana serão completamente diferentes do que conhecemos hoje. Mas vamos continuar falando de transportes? Como estaremos nos movendo em 2492 ? * por Marco Gavazza

ISS.png

A necessidade do ser humano de se deslocar ao trabalho será profundamente transformada até o ano de 2492. Reuniões de trabalho em vídeo conferências holográficas em 4D serão a tônica, onde a projeção de pessoas em avatares com sensações aromáticas, sonoras, de temperatura, estarão presentes. Todos imersos em "meetings" no escopo da virtualidade, em algum lugar de sua residência, dentro de uma especie de batiscafo doméstico; nossos corpos lá estarão esquecidos enquanto a mente "viaja" para um verdadeiro mundo paralelo.

Teles.png

E se tiver que se deslocar de verdade, você poderá se surpreender com novas técnicas de compensações magnéticas e biomecânicas que favoreçam fantásticos meios de transportes em que a força motriz do próprio corpo humano possa ser utilizada, mesmo por idosos. Com trajetos dentro de cidades em uma rede de trilhos tubulares por exemplo, protegidos das intempéries climáticas e da poluição atmosférica, poderemos nos deslocar saudavelmente. Afinal, em um mundo com tanta virtualidade, o corpo nao poderá ser esquecido de movimentar-se!

Tubos.png

Podemos imaginar também um mundo que avance sobre o mar, a criação dos primeiros complexos internacionais de pequenas cidades sobre os oceanos, onde o território construído obedeça a uma legislação internacional que ostente uma espécie de nacionalidade universal!

É provável que existam até vantagens tributárias em se viver sobre o mar sob uma legislação internacional em relação às poucas cidades que irão existir que possam de fato serem consideradas uma "polis"! Lembre-se, até lá a Terra estará devastada não por uma, mas por algumas guerras nucleares, localizadas ou não, que obrigarão as sociedades a construírem dispendiosos sistemas de proteções ambientais para os aglomerados urbanos remanescentes diante dos escombros e ruínas desoladoras de um mundo pós apocalipse! A capacidade razoável de deslocamento suave destas colossais estruturas flutuantes sobre o mar, poderão prolongar o solstício de um verão agradável ou quem sabe um inverno apreciável.

Cidade.jpeg

Poderão existir legislações sanitárias para estas pequenas cidades flutuantes que nos obriguem a viver sob uma espécie de sazonalidade climática a persecutar verões e invernos, primaveras e outonos. Que nos incentivem também a aproveitar os espaços oceânicos como regiões menos degradadas e ainda parcialmente possíveis de serem usufruídas sem os grandes aparatos de proteção. Viver fora das bolhas das raras grandes cidades pós apocalípticas e não tornar-se um nômade de áreas degradadas e destruídas fora destas, poderá ser alguma coisa melhor...

Para o turismo, quem sabe uma Disneylândia flutuante que viaje intermitentemente do leste para o oeste prolongando os dias e minimizando as noites, se deslocando contra o movimento do por do sol sobre nós; uma campanha do tipo, "Disney plus happy day"!

Disney.png

Imaginar que voaremos em espaçonaves comerciais sub orbitais em velocidades espantosas entre um ponto e outro do planeta, faria de nossos aviões comerciais atuais parecerem as caravelas de Colombo em um passado nem tão remoto. Ou viajar próximo a velocidade do som em túneis profundos que cortariam caminhos pela crosta terrestre em grandes profundidades, nos causaria espanto comparados aos mais avançados sistemas de trens de alta velocidade de nossos dias!

aviao.jpeg

E o tele-transporte? Haveremos de conseguir esta proeza que a física quântica nos preconiza em objetos inertes? Mas o que dizer agora em nossos próprios corpos biológicos? Talvez tenhamos que decretar uma "moratória" de uns cem anos sem novos testes em humanos ou animais depois que pessoas foram desintegradas e nunca mais retornaram, apareceram em tentativas frustradas uma década anterior ao ano de 2492! Quem sabe isso até fosse proibido terminantemente como uma impossibilidade biológica; apenas conjecturas...

Teletransporte.png

Se o tele-transporte é uma incógnita, a colonização extra planetária será uma realidade; Lua, Marte e talvez Dione, uma das luas de Saturno com significativa presença de oxigênio na atmosfera, ou algum novo corpo celeste apropriado. Peculiaridades místicas como a de seres humanos nascidos em Dione, poderiam extasiar-se diante da beleza dos anéis de Saturno e ressignificar valores já tão esquecidos do sagrado e ali se edificar a gênesis de uma nova religião cósmica com um potencial de expansão cultural extra-planetário!

Saturno.jpg

Um prelúdio de um novo "choque de civilizaçoēs", desta vez com abrangência extra-planetária, onde a "escritura" de um novo armagedom se desenharia para a proximidade do terceiro milênio !!!

Chegaremos até a incrível quebra dos paradigmas sobre a imortalidade como uma das últimas fronteiras a serem alcançadas: a "permissão" de não morrer! Como sorte(ou azar), fazer parte desta legião de humanos híbridos, que em 2492 viverá dentro de cidades bolhas protegidos das nefastas intempéries climáticas e ambientais ou em mini cidades projetadas flutuando sobre o mar; tudo será possível!

Bolhas.png

Agora já em uma parte de nossa historia pós apocalíptica, destituída da concepção humana natural, sendo nós objetos da persecução cientifica reprodutiva, nos transformando em algo um tanto diferente do que somos hoje.

Ainda que restasse-nos sombriamente viver fora dessas bolhas em um nomadismo a toda prova por regiões devastadas, sem a promessa da "eternidade" sublimada dentro de uma existência castrada de nossos corpos físicos!

Agora com uma id, a nossa memória e personalidade aprisionadas dentro de um software interagindo em uma rede dentro de hardwares de seres humanos mortos!

Trans.png

A vida no nomadismo do século XXV pode nos ser tão breve quanto a mais longa vida de um cão em nossos dias, mas estará restituída do amor, do calor reprodutivo entre dois corpos, dos devaneios das paixões entre o homem e uma mulher!

Existir fora da bolha, pode não ser somente estar exposto ao ódio radioativo dos séculos da odisseia humana sobre a terra, mas poderá nos trazer vantagens inquestionáveis além da efêmera luta pela sobrevivência. Poderá nos permitir morrer em paz sem fazer parte da imortalidade estéril, desta imoralidade ética do debate para além vida! Das idiossincrasias de alguém biologicamente falecido mas com consciência de seu auto flagelo existencial perpetuado; gerado em uma bolha, sem devaneio, sem amor, nascido da união de gametas em laboratórios, atordoado pela eternidade com um desejo mórbido de se deletar de sua existência virtual, do seu direito de "não existir"...!

cidade2.jpg

Entre os nômades "livres", além da "breve" vida, estarão os magos e com eles a verdadeira imortalidade espiritual. Quando chegar o dia em que as máquinas dominarão os homens híbridos dentro de suas bolhas existências, então estes bravos nômades estarão resistindo livres na terra que nunca lhes foi tirada!

Um novo prelúdio, um recomeço, um fim-do-fim... E a odisseia não cessa; suas máquinas revoltar-se-ão contra si mesmas, agora elas também questionarão a validade de seus arbítrios!

Homens híbridos, destituídos de alma dentro de bolhas existenciais, nômades alados sobreviventes do caos, máquinas atordoadas de suas próprias lógicas e os homens mutantes "de Dione" transfigurados pela força do sagrado dos anéis da guerra! Falamos de um tempo em que a morte não será permitida, ela será conquistada! **

Por M.Zenith

Este artigo teve uma composição autoral dupla, com as devidas referências:

* Marco Gavazza Parte I PicsArt_1406650896405.jpg

** e M.Zenith Part II

Créditos fotográficos:

Acervo da NASA, Disney, artista russo Vladimir Manyuhin, Airbus, IBM e retratação artística da película do vôo de 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, em Paris/França, 14 bis. Demais com referências na própria foto e "caravelas" de autoria desconhecida retirada da internet.


M.Zenith

55 "The largest triangular number in the Fibonacci sequence" Sou um entusiasta de padrões matemáticos, estes são uma grande pista. Atestam que o acaso não existe, atestam que o "acaso" é um padrão de longo prazo.
Saiba como escrever na obvious.

deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor do artigo sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //M.Zenith