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Porque uma menina dança ao ritmo da água na sua cabeça.

Bianca Alencar

Um pouco de ser brasileira na Espanha

Hoje tudo é top. Os dez mais, os dez menos. Adoro os tops. Textos fáceis, que não precisam de links óbvios entre uma frase e outra ou de ser objetivos. Por isso aí vai o meu Top 10, confessadamente subjetivo.


10 coisas que uma brasileira deve (ou teve que) aprender ao ir viver na Espanha

1- A pintar a unha. Aqui não é um costume ir à manicure a cada quinze dias e as manicures não são tão econômicas como no Brasil. E, como geralmente demoramos a encontrar uma esteticista confiável e a poder pagá-las, o jeito é praticar a paciência na destreza do palitinho. Incrível a evolução. Hoje já nem gasto mais de dois algodões para limpar os cantinhos.

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Fundamental trazer alicate do Brasil, se não quiser tirar o dedo fora com a cutícula ao usar um dos desastrosos alicatinhos que geralmente se encontra por aqui. E também faça uma boa coleção de Coloramas antes de vir. Os esmaltes bons aqui são caríssimos.

2- A usar calcinhas fio dental ou calcinha calção tipo avó. Não havia, ao menos, há alguns anos, um intermédio. Hoje já se encontram as típicas calcinhas brasileiras. Que é justo o que muitas necessitamos: nem entram, nem tapam tudo. Nem tanto, nem tão pouco. Por sorte, faz poucos anos que as calcinhas, digamos, normais, são mais populares por aqui e se encontram em qualquer loja de lingerie.

3- A depilar-se sozinha. Como dói! Mas pode não ser pra sempre. Há boas depiladoras brasileiras na Espanha, mas, até achá-las, você descobre em qualquer mercado uma solução paliativa para os pelos, não para a dor, que parece triplicada quando fazemos nós mesmas. Para que te console um pouco, as ceras são baratinhas e se encontram em qualquer mercado.

Microondas, cera, espelho, respirar fundo e rezar para encontrar uma esteticista brasileira em 15 dias. Brasileira, sim, porque, pode ser uma idéia preconceituosa, mas quando olho desde fora um centro de estética por aqui, lembro do filme Carandiru. E que me perdoem as poucas e boas depiladoras espanholas que conheci desnuda, mas ainda tenho essa impressão.

4- A fazer topless. Que delícia de liberdade ter os peitos tomando sol! Marquinhas nunca mais! Isso sim, perto de amigo brasileiro custa um pouco. Certeza que ele não vai conseguir evitar aquele olhar de tarado. Enquanto os europeus na praia parecem olhar pros seus peitos como para as ondas. E não estou falando de surfistas.

5- A ser mais ousada nas paqueras. Se você não fizer nada, pode ser que fique a noite inteira dando mole para o gato, que te olha também à noite inteira, sem que aconteça nem um beijo. Aqui o machismo é meio démodé. Claro que não faltam festas sob o slogan: ¨beijo na boca é coisa do passado, o negócio agora é ficar pelado¨. Mas se aprende que nem sempre que o rapaz não chega é porque está desinteressado. Pode ser que esteja esperando a sua atitude.

6- A evitar muitas vezes dizer que é brasileira. Se pode dizer que os europeus não são tão machistas. Mas, ainda que nem sempre, sem querer generalizar, preconceituosos, sim são e muito, regidos por estereótipos mais velhos que minha bisavó. Brasileira é puta, nasceu na terra do promíscuo carnaval, do futebol e da favela. É dizer sua nacionalidade para ver o sujeito com cara de quem acaba de chegar de uma orgia. ¨Brasileña.. mmm

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7- A agüentar a repetição da pergunta que precede qualquer diálogo em uma cidade de todo o mundo como Barcelona. Não querem saber primeiro o que você faz, ou (pior seria?) qual sua idade. Não. Querem saber onde você nasceu. Brasil..mmm

8- A ignorar certas tradições. Será capaz de usar roupa negra no Ano Novo, sem medo do azar. O inverno desfaz certas superstições. Porque você não quer ir inteira de branco na festa (bota, calça, casaco e toca), que não é na praia geralmente, e ser confundida com um boneco de neve.

E também aprende a deixar pra lá a obrigação supersticiosa de vestir uma calcinha nova na noite de Ano Novo. Isso, claro, se você viveu na Espanha na época em que não existiam as bragas brasileñas, quando tínhamos que esperar uma volta ao Brasil pra refazer a gaveta de peças íntimas. Se desde esta época você já não compra calcinhas novas para o Réveillon, já sabe que seu próximo ano não será melhor ou pior por isso.

9- A hidratar-se muito depois do banho. A cal da água e o frio exigem. Você se desapega da Natura e gasta ao menos um litro de óleo Jhonson ou de alguma marca barata em uma semana, ou se aplica na Nívea mesmo. Aqui existem muitos cremes pra depois do banho, para passar ainda molhadas. Sim, porque sair do banho quentinho, se secar e voltar a se esfriar lambuzando-se de creme frio é contra os mandamentos da estação mais fria. Logo nos acostumamos com o hábito no verão também. Realmente é muito mais cômodo.

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10- E, por último, você aprende a dormir com um ursinho de pelúcia. Ainda que nunca tenha tido um na infância. Carência grita aqui. Até mesmo se tem um gato junto, dorme com o bichinho. Nessa conchinha tem que caber três. Sempre é bom dormir com a menina que cresceu no Brasil.


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