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Leituras e literaturas, salpicadas de música e poesia, submersas em crítica e opinião.

Alexia G. Alves

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Fernando Pessoa: desdobrado em muitos, apaixonado por Portugal

A paixão patriótica desconhecida pelo pouco patriota brasileiro, um estranho amor para o brasileiro. Se houvesse mais de Pessoa em nós...


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Quem nunca ouviu falar de Fernando Pessoa? Quem nunca leu algum de seus poemas? Não há quem não conheça um pouquinho desse célebre autor. Pessoa foi um apaixonado por sua pátria, os supersticiosos dizem que sua paixão por Portugal começou pelo dia de seu nascimento, 13 de junho de 1888, dia de Santo Antônio, padroeiro de Lisboa.

Ainda criança demonstrou um amor invulgar pela pátria, desdobrava-se em personagens, os quais ganhavam o papel amigo para um menino solitário. Com os anos passou a criticar os portugueses por serem provincianos e, também, passou a achar os políticos péssimos, bem como o sistema econômico. Por seus escritos e cartas, pode-se notar seu nacionalismo construtivo e ardente, no entanto realista: conhecia o atraso de Portugal no panorama europeu, mas ainda sim desejava modificar essa realidade.

Sua paixão pela pátria era fiel, mas não inocente, conhecia seus problemas. Primitivamente, seu livro Mensagem (premiado pela Secretaria de Propaganda Nacional) chamava-se Portugal. Mudou o título concreto de seu livro para um abstrato por considerar “Portugal” patriótico e publicitário, afinal o nome da pátria estava, nas palavras do poeta, prostituído a sapatos.

Para entender Fernando Pessoa é preciso separá-lo em partes e estuda-las com vigor, o poeta é famoso por sua capacidade de desdobrar-se em vários e a de entender e buscar conhecer sua pátria, o ocultismo e, principalmente, ele mesmo.

Os estudiosos não sabem dizer em quantas personalidades se desdobrou, ainda há material inédito, parece que buscava conhecer-se profundamente e quanto mais buscava mais instigado ficava por saber mais sobre ele mesmo e sobre quão competente seria para recriar-se.

Apesar de conhecer um pouco da vida do poeta e ter estudado seus poemas, a mais espantosa característica de Pessoa passou a ser seu patriotismo. Lembro-me do personagem da literatura brasileira que se mostrou patriota (inocente) e foi vítima do ridículo na obra de Lima Barreto, O Triste Fim de Policarpo Quaresma.

Acredito que se fosse realizada uma pesquisa sobre o patriotismo brasileiro, muitos associariam essa característica ao futebol, alguns outros ao samba. Acredito que o Rio de Janeiro poderia ser símbolo dessa pesquisa. O brasileiro está amadurecendo como nação, apesar de acreditar que não há interesse do governo em ter um povo patriota conhecendo seu país e lutando por ele.

Se houvesse mais de Pessoa em nós, nos conheceríamos melhor, conheceríamos nosso país e lutaríamos por mudanças e melhoras: “Por um país com mais Pessoa”.


Alexia G. Alves

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