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Leituras e literaturas, salpicadas de música e poesia, submersas em crítica e opinião.

Alexia G. Alves

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Décio Pignatari: ideias que não morrerão

“Por baixo dessa carne existe um ideal, e as ideias nunca morrem”. Essa frase apareceu no filme V de Vingança (2006) e se encaixa perfeitamente ao multifacetado (poeta, tradutor, ensaísta, contista, romancista, dramaturgo e professor) Décio Pignatari.


décio1.jpg Décio Pignatari em 1969.

A intensa mensagem da frase do filme V de Vingança dá força para a simples ideia de que apesar de seu idealizador ter falecido, suas ideias continuarão vivas e circulantes, bem como serão retomadas, questionadas e aceitas como marco de um período histórico.

Pignatari nasceu em Jundiaí em 1927, formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo e cursou mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC, no entanto, foi após sua graduação que seu pensamento vanguardista se formou, justamente, quando passou algum tempo na Europa.

Augusto de Campos afirma que leu a primeira vez o termo “poesia concreta” numa carta de Décio. Retornou ao Brasil em 1956, organizou a Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a qual deu espaço para o primeiro encontro nacional de vanguarda no país.

Pignatari, além de poeta, foi tradutor, ensaísta, contista, romancista, dramaturgo e professor. Teve uma boa atuação acadêmica e foi pioneiro no estudo da semiótica de Charles Sanders Pierce, filósofo e lógico-matemático norte-americano, no Brasil. A semiótica é a ciência dos modos de produção, de funcionamento e de recepção dos diferentes sistemas de comunicação entre indivíduos ou coletividades.

Há quem afirme que Pignatari influenciou o modo como a atual geração analisa as linguagens digitais, mas isso só ocorreu, pois o poeta concretista estava à frente de seu tempo, tinha uma visão popular da poesia e acreditava que poderia encontrar poesia no vídeo, na televisão, no computador e nos jogos eletrônicos. O poeta publicou as obras: Semiótica, Literatura e Informação, Linguagem e Comunicação, as quais são decisivas para o entendimento profundo da semiótica no que diz respeito às linguagens artísticas.

Com base em seus estudos e em sua vida acadêmica afirmou audaciosamente, certa vez, que a poesia concreta está mais para as artes do que para a literatura. Afinal, moldar palavras só pode ser arte!

cloaca.jpg “Cloaca” é poema mais conhecido de Pignatari, foi musicado por Gilberto Mendes, que faz alusão ao mais popular refrigerante americano.

Sua audácia se deu pelo fato de ter interesses multidisciplinares, os quais o levaram a criar os poemas-cartazes para revisa Noigandres, em 1958, em que Pignatari apresentou seu plano-piloto para a poesia concreta brasileira e ousou defender que não há poesia revolucionária sem formas revolucionárias.

Décio Pignatari faleceu aos 85 anos, no dia 2 de dezembro de 2012, deixando família, pesquisas, livros e ideias imortais.

decio3.jpg Décio Pignatari em 2009.


Alexia G. Alves

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