folhetim

Leituras e literaturas, salpicadas de música e poesia, submersas em crítica e opinião.

O imã de Chico

por em 07 de jan de 2013 às 14:56 | 1 comentário

Assim como uma música pode grudar na sua cabeça e, vez ou outra, se pode cantá-la de forma inconsciente, Budapeste prende o leitor nas suas 176 páginas e deixa uma marca profunda e inesquecível: a literatura contemporânea.

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Com certeza só podemos analisar um período e suas obras com certo distanciamento, mas há quem arrisque a criticar uma obra da contemporaneidade. As críticas de Budapeste foram excelentes, mas quem criticaria negativamente Chico Buarque?

A obra de Buarque prende o leitor numa leitura fascinante, na dificuldade de inferências de significado no caótico jogo de espelhos que deixa o leitor sedento pelo conhecimento do restante da história e seu estilo.

A linguagem sedutora de Buarque pesca o leitor pela mente, assim como muitas de suas músicas. As encantadoras palavras envolvem o leitor para finalmente deixá-lo preso em sua armadilha linguística. Num estilo completamente contemporâneo de parágrafos longuíssimos e descrição em forma de diário, o famoso cantor/autor não deixa pontas soltas em sua obra, prende seu romance de forma circular, contínua: o começo é o fim e o fim é começo.

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O protagonista está envolvido em um jogo de claro-escuro, no qual se vê entre duas mulheres, dois idiomas, dois países, dois “filhos”... Buarque coloca-se na posição de espectador de si próprio e seus delírios.

Apreciar Budapeste fica fácil quando se entende sua não lógica literária, seu sucesso se opõe à coletânea de contos reunidos em Geração Zero Zero – Fricções em Rede (2011), organizada por Nelson de Oliveira, na qual é possível lermos diversos contos de autores da contemporaneidade, mas sem charme de Budapeste, sem a vertigem de Chico, sem sermos sugados desde a primeira linha por uma prosa madura de construção engenhosa. O estilo de Chico nos prende como um verdadeiro imã, que se mantém preso por quem o lê como uma música do inconsciente.

Budapeste ganhou elogios de José Saramago, Caetano Veloso, Luís Fernando Veríssimo. Mas afinal, quem contestaria sua obra premiada?

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Artigo da autoria de Alexia G. Alves.
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Comentários

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