folhetim

Leituras e literaturas, salpicadas de música e poesia, submersas em crítica e opinião.

Alexia G. Alves

Ler, reler, revisar, emocionar, escrever, chorar, rir: vida minha!

Por mais leitura, por mais maturidade

Com uma média de leitura baixa, a atual realidade dos vestibulares escolhe obras que muitos não têm experiência para ler. É preciso passar por diversas fases de leitura para alcançar a maturidade necessária para ler nossos queridos Machado de Assis, Eça de Queirós...


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A média de leitura do brasileiro, segundo pesquisas do Ibope Inteligência, gira em torno de 4 livros ao ano. Apesar das oscilações anuais, tem sido uma média crescente, mesmo que vagarosa. Por isso, a escolha de um livro para um leitor jovem precisa ser muito consciente, é certo que existem livros para adultos extremamente maduros com gostos variados, assim, uma boa seleção é essencial para não afastar o leitor para sempre dos livros, ou da leitura.

Considerando nossa média e os clássicos da leitura do século XIX a XX, temos leitores experientes o bastante para a leitura de Machado de Assis? Temos leitores apaixonados dispostos à leitura de Eça de Queirós? Ou almas sensíveis para Carlos Drummond de Andrade?

Ler é embarcar em um mundo fictício cocriado pelo leitor, assinado pelo autor, seu poder atua na vida das pessoas de forma misteriosa, mas antes de embarcar nesse navio de fantasia é preciso que alguém nos carregue pela mão (até a livraria de preferência) e nos diga o que e como ler. Esse alguém pode ser os pais, avós, tios, professores... qualquer um que esteja disposto a ensinar os primeiros passos para voar no incrível balão da imaginação.

Podemos comparar a leitura a um jogo em que precisamos passar de fase em fase para conquistar mais experiência e ficar pronto para as fases mais complexas, só que além dessa experiência é possível obter mais conhecimento, criatividade, habilidade de raciocínio, enfim uma infinita lista de habilidades e vantagens que não caberiam neste artigo.

Todas as crianças deveriam ter a oportunidade de ler: Sítio do Pica Pau Amarelo, As Aventuras de Tom Sawyer, Alice no País das Maravilhas, Os clássico da literatura infanto-juvenil – aquela série de livros capa dura colorida dos anos 1970 – todos esses e muitos outros estimulam o gosto pela leitura. Ou mesmo as histórias românticas e adoçadas de Pedro Bandeira.

Mark Twain.jpg Mark Twain As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain

Tom Sawyer nasceu publicamente em 1876, uma criança imaginativa, livre, aventureira, moral e inteligente. Nasceu em Missouri, tem características em comum com o próprio autor Samuel Clemens (verdadeiro nome de Mark Twain). Era um rapaz incapaz de viver na rotina, espirituoso e possuidor um forte sentido do bem e do mal. Tom é órfão e vive com sua tia Polly e primos e adora faltar à escola para ir pescar. Apesar de não conseguir, a tia faz o melhor que pode, tentando educá-lo e castigá-lo por suas rebeliões.

Passando a primeira fase adulta, nada melhor que um suspense cercado de mistérios, como Sherlock Holmes, Madame Bovary, Arsène Lupin, tudo com muitas pitadas de fantasia como As Brumas de Avalon, o polêmico Harry Potter, Senhor dos Anéis, Eragon... Obras de escritores mais contemporâneos também podem fazer parte dessa etapa. Enfim, milhões de obras que se encaixam nessa temática.

Maurice Leblanc.jpg Maurice Leblanc A agulha Oca, de Arsène Lupin

Romance de Maurice Leblanc que narra a história de um roubo de antiguidades num castelo do interior da França. O ocorrido desencadeia uma perseguição intensa aos ladrões. Descobre-se que Arsène Lupin é o líder da quadrilha. A caçada ao ladrão tem a frente um jovem de 17 anos, inteligente e sagaz, tanto quanto o próprio Lupin, e, por isso, um opositor a temer. Mas, o jovem nem desconfia que não vencerá Lupin. Na realidade, estará apenas dando os primeiros passos para desvendar o mistério da Agulha Oca, conhecido apenas por Lupin.

Pronto! Temos um leitor com intimidade com a leitura e bastante voracidade para devorar os clássicos escolhidos pelos vestibulares, e assim, compreender, analisar, criticar e concluir a majestade de cada uma das obras.

Saramago.jpg José Saramago Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

Tudo começa com a cegueira repentina de um homem ao estar parado no sinal vermelho. A luz verde acende, o carro continua parado e o buzinaço atrás dele anuncia o pandemônio que estar por vir. O homem apavorado, dentro do carro, começa a gritar que está cego e ninguém entende o que está acontecendo. Sua cegueira é branca, um mar de leite é como ele a descreve. Saramago apresenta o que a gente vai percebendo aos poucos e confirma no final do livro: as reações do ser humano às necessidades, à incapacidade, à impotência, ao desprezo e ao abandono. A cegueira desse homem do semáforo se espalha e o governo identifica uma epidemia. O mundo não distingue os animais, pois os racionais passam a se guiarem mais pelo instinto. O mundo tende a extinção. Felizmente, tão de repente como veio, a cegueira se vai, restando a contemplação.

Infelizmente, a realidade de muitos brasileiros é a de baixa leitura e completo desgosto por ela. É necessário e urgente um estímulo à leitura, um projeto consciente de uma realidade em transformação.


Alexia G. Alves

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