Eunice Pimentel

Dias


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Há dias em que nos custa levantar a cabeça: cabisbaixa dentro de nós, emproada para os outros... Há dias em que os passos caminham pelo vazio do desconhecido: passos errantes dentro de nós, passos certeiros para os outros... Há dias em que a voz se some: dentro as palavras saiem de fininho e sem força, fora são colocadas e sonoras, ecoam imponência. Há dias em que o brilho se ofusca (eclipse: coração tapado pela razão) e outros deixam de ver, cegam, cego. Há dias assim: o vento arde dentro e redemoinha a postura, transforma o gesto e a figura, levanta a cabeça, a voz, articula os passos e veloz, o fogo que o vento traz funde o ouro e a prata, o ferro e o cobre numa alquimia de sorrisos, de cantigas, de alegrias escondidas.


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