Eunice Pimentel

elogio ao desamor


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Que me doa o beijo, o abraço, que me falte o “amo-te” e o “quero-te” e o “preciso-te”! Que me custe descerrar os lábios, abrir a boca, mover a língua, ondulá-la, que me custe esticar os braços e prende-los, entrelaçá-los que me custem estas palavras aterradoras de seres, de vontades, de corações! Que me custe isto tudo! Que me custe muito! Que me custe! Que me custe muito porque o amor é a arma mais poderosa do mundo e eu não gosto de armas! O amor é uma bomba atómica, antimatéria em colisão com a matéria de que é feita o meu corpo , o meu espírito: substância espessa, negra, ruidosa, pestilenta, acre… um big bang! Eu sou pela paz.

Paz! Paz! Paz

Chega de desassossego mental, chega de noites sem dormir, de coração em arritmia, de supressões respiratórias, de descargas da vesícula! Eu sou pela Paz!

Zen… hummm…. Hummmm…

O amor enfraquece, devasta, cicatriza, sulca e eu repulso-o porque sou forte!

Nunca! Digo, Amor, Nunca!


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